Economia precisa voltar a crescer sem pirotecnias

Editorial d’O Globo 18/02/2014   As previsões para o crescimento da economia brasileira em 2014 foram afetadas pelo desempenho aquém…

Editorial d’O Globo

18/02/2014

 

As previsões para o crescimento da economia brasileira em 2014 foram afetadas pelo desempenho aquém do esperado da indústria e do comércio, nos últimos meses do ano passado. Se já havia um certo grau de pessimismo nessas projeções, a falta de chuvas conjugada à constância de elevadas temperaturas em grande parte do país introduziu mais um fator negativo nas expectativas, que é o do aumento dos custo da energia elétrica, com possibilidade de o Tesouro Nacional vir a arcar com parcela expressiva de um subsídio para os consumidores. Estimativas de crescimento, feitas no mercado financeiro, que já apontavam para menos de 2% em 2014, agora estão mais próximas de 1%, patamar de expansão semelhante ao de 2012.

Fatores estruturais, como infraestrutura deficiente e insuficiência de poupança doméstica, de fato reduzem o chamado Produto Interno Bruto potencial do país. Ainda que seja difícil definir esse limite, na prática observa-se que, ao ultrapassá-lo, a economia acentua os seus desequilíbrios. Os problemas estruturais precisam ser resolvidos para se ampliar o PIB potencial. Mas há também fatores conjunturais que momentaneamente pressionam a inflação em um ambiente de acomodação do consumo. O fenômeno estaria relacionado com o endividamento de médio e longo prazos assumido por muitas famílias brasileiras, seja para investimento (casa própria) ou compra de bens de valor elevado (veículos, por exemplo). O perfil do consumo também passa por um processo de transição, com os consumidores mudando suas preferências, enquanto colocam contas em dia.

Diante desse quadro, o arrefecimento do ritmo de atividade econômica deve ser visto com cautela, sem desespero, pois pode até ser transitório. O risco é o governo buscar um crescimento artificial em 2014, por se tratar de ano eleitoral. Não há dúvida que a economia brasileira precisa de ajustes, e isso inclui uma rearrumação nas finanças públicas. Para recuperar fôlego, o país depende agora que o setor público privilegie investimentos e faça um considerável esforço para conter suas despesas de custeio. Essa é a única forma de não recorrer a endividamento e contribua, assim, para reduzir pressões sobre a inflação e o balanço de pagamentos.

O Brasil não enfrenta uma situação econômica semelhante ao que ocorreu na Europa ou nos Estados Unidos, onde a recessão se tornou inevitável para se restabelecer novo equilíbrio. O país convive hoje com desemprego baixo, mas pode dar saltos de produtividade se investir na formação profissional e na infraestrutura. As saídas são mais viáveis e menos complexas do que as foram necessárias no mundo desenvolvido. Desde que os governantes mantenham a cabeça no lugar e não façam pirotecnias na política econômica.

 

CONCENTRAÇÃO DIFÍCIL

Não foi fácil para a governadora Rosalba Ciarlini concluir a leitura de sua mensagem anual ontem, na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa. A gestora foi bastante vaiada em vários momentos pelas dezenas de servidores que ocuparam as galerias da Casa. A situação piorava a cada anúncio de conquista ou de projeto para setores como saúde, educação e segurança.

 

WALFREDO SURREAL

Um dos pontos que chamou a atenção foi ao abordar a situação do Hospital Walfredo Gurgel. Após listar uma série de obras nas principais unidades de saúde do Estado, Rosalba disse que não há mais a cena “vexatória” de corredores lotados no setor de politrauma da instituição. O problema é que o vexame se repete nas demais áreas e, principalmente, em outros hospitais, como o Deoclécio Marques.

OLHO NO RETROVISOR

Detalhe importante também foi a nova tentativa de Rosalba Ciarlini em bater no governo Wilma de Faria. A governadora parece não engolir seu atual desgaste diante da liderança da ex-gestora nas pesquisas de intenção de voto. A Rosa relembrou o caos financeiro encontrado no RN, a constante troca de secretários de Educação e a falta de planejamento para investir no Estado.

 

RESPOSTA IMINENTE

Em tempo: a oposição não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, atingir em cheio a gestão Rosalba Ciarlini. Fernando Mineiro e Márcia Maia criticaram bastante o vídeo exibido pela governadora durante a leitura da mensagem, uma inovação que parece não ter caído muito bem entre os parlamentares. Para a dupla, o filme mais parecia uma material de “ficção” sobre o Rio Grande do Norte. É a luta.

 

NA CÂMARA

Nem o mais infiel dos bacuraus imaginaria um dia assistir a cena do ministro Garibaldi Alves Filho bater palmas no parabéns para você, durante o aniversário da ex-governadora Wilma de Faria. Para quem não lembra, a ex-gestora foi a mesma que derrotou Gari em 2006, naquela famosa “surra de saia”. Frase jamais engolida pelo atual ministro.

 

PRÉ-CANDIDATO

O PSL, do advogado Araken Farias, analisa fortemente a possibilidade de uma candidatura própria ao governo do Estado. Na semana passada, em Brasília, a cúpula nacional da legenda respaldou a iniciativa, agora caberá a decisão dos dirigentes locais. O também advogado Fábio Hollanda, filiado ao partido, pode ser o nome da sigla na disputa por uma vaga de deputado federal.

NA TV E NO RÁDIO

Por falar em Araken, o advogado apresenta todas as segundas-feiras o quadro direito do consumidor, exibido pela Rede TV-RN. Sempre às 12h30, o presidente estadual do PSL aborda diferentes assuntos relativos ao tema, como compras no cartão de crédito, garantia de produtos e direito ao ressarcimento. Em breve, o programa deve chegar nas ondas do rádio potiguar.

 

FAZ FALTA

O ex-vereador Heráclito Noé parece que desistiu mesmo da vida pública. O ex-parlamentar está ultimando a documentação para se submeter a seleção para Doutorado em Ciências Criminais na Universidade de Buenos Aires, Argentina. Em tempos de um assustador crescimento da violência, a capacidade de Heráclito faz falta ao poder público para combater a insegurança.

 

GIRA MUNDO

 

O Portal Uol destaca, “ao longo de quase 20 anos do Plano Real, a inflação acumulada desde 1/07/1994 até 1/2/2014, medida pelo IPCA, foi de 347,51%. Assim, um produto que custava R$ 1,00 em 1994 custa hoje R$ 4,47. Em decorrência desse fato, a cédula de R$ 100,00 perdeu 77,65% do seu poder de compra desde o dia em que passou a circular. Com isso, o poder aquisitivo da nota de R$ 100,00 é hoje de apenas R$ 22,35.

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