Ecos do Silêncio – Armando Negreiros, médico (armandoanegreiros@hotmail.com)

O colega cirurgião plástico Leonardo Spencer, presenteou-me com um livro de autoria do seu pai, Walner Barros Spencer. O título…

O colega cirurgião plástico Leonardo Spencer, presenteou-me com um livro de autoria do seu pai, Walner Barros Spencer. O título é extremamente sugestivo: “Ecos do Silêncio”. Como gosto da língua portuguesa, apreciei o oximoro. Vamos ao Dicionário Aurélio:

Oximoro

(cs… ô) [Var. de oximóron < gr. oxýmoron (com o primeiro o = ômega), pelo lat. oxymoru (com o longo).]

Substantivo masculino.

1.E. Ling. Figura que consiste em reunir palavras contraditórias; paradoxismo. Ex.:

silêncio eloquente;

“covarde valentia” (Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, p. 47); “valentia covarde” (Antônio Feliciano de Castilho, Amor e Melancolia, p. 315); “inocente culpa” (Cecília Meireles, Obra Poética, p. 487).

Logo na orelha encontro o também escritor, jornalista, amigo e boêmio Leonardo Sodré. Como título da orelha escolheu “Íntegro acima de tudo”. Conheceram-se em 1980, Leonardo jipeiro e Walner ralizeiro. Cita uma frase do próprio Walner, que bem o define: “Vocês estão construindo os seus passados. Suas ações, agora, serão suas referências no futuro.” Perfeito.

Professor de Arqueologia, Antropologia, Direito, História e Sociologia; pesquisador, industrial, intelectual, experiente campeão de rallyes, o professor Walner escreveu um livro, que começou como uma tese de mestrado em Ciências Sociais, resgatando a importância esquecida dos nossos índios. É justamente o silêncio sobre o nosso DNA indígena que ecoa, como um oximoro, aos quatro ventos. Embora sendo gaúcho, do Rio Grande do Sul, dedicou-se em profundidade aos nossos índios do Rio Grande do Norte, terra que ama.

No prefácio do professor Luiz Eduardo Brandão Suassuna, ele afirma: “Não é hora de perguntar quem massacrou quem. É hora de estudar os extermínios de grupos e culturas inteiras, mas que deixaram um patrimônio arqueológico e imaterial pouco valorizado. Silenciada, a cultura indígena urge por vozes que por ela batalhem. Daí a importância da obra que ora se publica.”

O próprio professor Walner resume os vários capítulos do livro: um apanhado geral da legislação básica sobre o patrimônio cultural e instrumentos jurídicos e normativos; como garantir um melhor convívio social entre os vários segmentos de uma sociedade etnicamente variegada, como a brasileira; a contradição ao discurso vigente em relação à formação do povo brasileiro e a harmonia entre seus diversos componentes étnicos e especula sobre um patrimônio tombado nacionalmente – a Capela do Engenho de Cunhaú; questiona a negativa da sociedade de enxergar potenciais patrimônios indígenas, como se não fossem memórias; finalmente a repulsa através dos tempos de considerar como culturalmente valiosos vestígios arqueológicos dos mais antigos habitantes desta terra.

Agradeço ao colega Leonardo Spencer, filho de Walner, que por pura coincidência tem o seu nome igual ao nome do meio de Winston Leonard Spencer Churchill, o maior estadista do século vinte.

Recomendo o excelente livro do Professor Walner Barros Spencer para quem quiser se aprofundar no assunto, pois, além do próprio livro, tem extensa bibliografia.

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