Eduardo Campos: “Situação do RN exigiu grande frente política”

Além de abordar a aliança do PSB com o PMDB no Rio Grande do Norte, Eduardo Campos falou o que pretende fazer nas áreas

Foto: Wellington Rocha

Alex Viana

Repórter de Política

O presidente nacional do PSB e candidato do partido a presidente da República, Eduardo Campos, que cumpre agenda eleitoral nesta sexta em Natal, afirmou na manhã de hoje, em entrevista à Rádio Cidade (94 FM), que a aliança com o PMDB do atual presidente da Câmara dos Deputados e candidato a governador do Rio Grande do Norte, deputado federal Henrique Eduardo Alves, “era necessária” para “participar desse grande momento de união de todo o estado para enfrentar” a crise estadual. “Então eu acho que essa frente que foi formada entre Henrique e Wilma ela vem exatamente dessa situação a que chegou o estado do Rio Grande do Norte, que exigiu a união de todos. Isso é feito, muitas vezes, em uma empresa, em uma família quando entra em dificuldade, que é a hora de todo mundo se ajudar, para enfrentar as dificuldades”, declarou. Além de abordar a aliança do PSB com o PMDB no Rio Grande do Norte, Eduardo Campos falou o que pretende fazer nas áreas de segurança pública, educação e assistência social. Confira a íntegra da entrevista.

O Jornal de Hoje – Enquanto governou Pernambuco o senhor criou o programa pacto pela vida, que chegou a ser premiado pelo ONU. Que programa é, esse e se eleito presidente do Brasil, o que o senhor pretende fazer para acabar com a violência no país?

Eduardo Campos – O estado de Pernambuco era um dos estados mais violentos do Brasil. A capital, Recife, tinha todo ano uma medalha de ouro ou de prata de violência. Eu, como candidato a governador, em 2005, estudei todas as experiências que tiveram êxito no mundo e no Brasil, com uma equipe técnica, e fizemos um programa para o governo. Quando ganhei a eleição, transformei esse programa em um programa chamado ‘Pacto pela Vida’, que tem um olhar em duas linhas, uma na prevenção da violência e outra na repressão à violência. Na prevenção é exatamente com os números da violência sendo coletados diariamente, a gente percebe onde está havendo mais atos de violência e atua naquele foco. Você entra com desde iluminação pública, escola em tempo integral, tratamento de drogados, cultura, esporte. Do outro lado, do lado da repressão, nós aumentamos o efetivo policial, dividimos o estado em 26 áreas integradas, fizemos a partir daí um protocolo que cada área deveria fazer, desde abordagens no trânsito, questão de execução de mandatos de prisão, desbaratamento de quadrilhas organizadas, grupos de extermínio, e isso eu fiz com contratação de mais policiais e remuneração variável também para o policial, ou seja, o policial que apreendia armas recebia prêmio em dinheiro no final da semana, a mesma coisa com apreensão de drogas, execução de mandados de prisão. Esse ‘Pacto pela Vida’ também tinha uma governança que envolvia o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública, de maneira que todo o aparelho do Estado se reunia em cinco câmaras que trabalhavam durante toda a semana e às terças-feiras da semana seguinte havia um balanço, com a nossa presença, dos resultados área a área, para que a gente pudesse ir tomando providências em cima do fato criminoso. Isso fez com que Pernambuco fosse o único estado do Brasil que em sete nos seguidos reduziu violência e o único estado do Nordeste que reduziu a violência enquanto a violência aumentou de maneira muito forte em todos os estados. A gente conseguiu fazer com que virássemos a capital mais segura do Nordeste. É essa experiência que eu quero levar para a Presidência da República junto com Marina Silva, que será nossa candidata a vice, porque o governo federal fica completamente alheio, fora desse debate na segurança pública. Para você ter uma ideia, de cada R$ 100,00 que se investe em segurança pública neste país, só R$ 13,00 vem do governo federal, o que demonstra um descaso absoluto por parte do governo federal com o drama da violência. A Polícia Federal, por exemplo, nos últimos três anos do governo Dilma, em vez de aumentar o seu efetivo, a quantidade de pessoas que lá trabalham, diminuiu em três mil. As nossas fronteiras ficam desguarnecidas. O crack entra na hora que quer, extermina vidas, faz com que jovens dependentes químicos passem a assaltar para pagar o tráfico e a gente precisa de um governo em Brasília que dê as mãos aos estados, à sociedade, às igrejas, a todos para a gente trabalhar para devolver a paz que nós perdemos nas cidades brasileiras.

JH – Nos últimos dias surgiram boatos que diziam que, se eleito, o senhor poderia acabar com programas sociais do governo do PT como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Isso procede? O que o senhor pretende realizar no campo social, caso eleito?

EC – De forma nenhuma, nós vamos manter e ampliar o Bolsa Família. Eu já assumi o compromisso, inclusive com o Minha Casa, Minha vida, de fazer quatro milhões de habitações e provei como é que se faz. Eu e a Marina Silva, que será a nossa vice, trabalhávamos no governo do presidente Lula, ela era ministra do Meio Ambiente e eu era ministro da Ciência e Tecnologia, quando surgiu o programa Bolsa Família. Ela do Norte, veio de uma realidade social duríssima, eu aqui do Nordeste brasileiro sei a importância de um programa como o Bolsa Família. Isso aí é terrorismo eleitoral daqueles que temem a nossa performance, daqueles que sabem que nós vamos crescer nas eleições, vamos para o segundo turno e vamos ganhar a eleição. Então isso é comum que em época de eleição gente que está desesperada comece a inventar mentira. Mas a verdade é que nós vamos manter o Bolsa Família, vamos manter o Prouni, vamos manter o Minha Casa, Minha Vida. Agora o que nós não vamos manter é essa política econômica que trouxe de volta a inflação. O que nós vamos enfrentar é o baixo crescimento da economia, que no governo Dilma o menor crescimento da economia em toda a história da República brasileira; o que nós vamos enfrentar é a corrupção, o que nós vamos enfrentar são as obras paralisadas, o que nós vamos enfrentar é a situação que levou as prefeituras do Brasil, com desonerações tributárias que fizeram com que as prefeituras do Brasil praticamente quebrassem; o que nós vamos enfrentar é o analfabetismo, é a falta de creche para as crianças. Agora, as coisas que estão funcionando nós vamos preservar e melhorar o seu funcionamento.

JH – Na educação, o senhor como governador de Pernambuco ostenta uma experiência exitosa, deixando, ao sair da gestão, mais de 100 escolas com o formato de educação em tempo integral. O que o senhor pretende fazer pela educação do Brasil caso seja presidente da República?

EC – Nós vamos valorizar o professorado do Brasil, porque não há escola sem professor entusiasmado, valorizado, animado para fazer a maior de todas as obras, que é educar uma pessoa, uma criança, um adolescente, um adulto que volta a estudar. Os países que fizeram viradas definitivas na sua vida fizeram através da educação. O último grande exemplo é a Coréia. Nós vamos fazer a virada da educação no Brasil e vamos fazer pelo caminho do ensino em tempo integral, algo que eu fiz em Pernambuco. Nós fizemos 320 escolas em tempo integral e semi-integral. Um estado pobre do Nordeste brasileiro como Pernambuco tem mais estudante em tempo integral do que São Paulo, Minas e Rio de Janeiro juntos, ou seja, se deu para fazer no estado de Pernambuco vai dar para fazer em quatro anos no Brasil, garantir o ensino integral como um direito da sociedade brasileira. Nossos técnicos já fizeram as contas, já estão produzindo um plano operativo exatamente para que a gente possa, ganhando a eleição, dia primeiro de janeiro tomando posse, começar a implantar a maior mudança que esse país já viu nesse século, que é a gente poder fazer com que essa diferença entre a escola do rico e a escola do pobre desapareça e a gente possa ter uma escola para os brasileiros e as brasileiras, que tenha qualidade, que ensine a ser cidadão, que ensine a ser profissional, que alie no ensino médio, o ensino das matérias, ao ensino profissionalizante, ao ensino técnico, como fizemos aqui em Pernambuco.

JH – Fala-se muito no uso eleitoral da Copa. O senhor acha que o resultado da Copa vai influenciar nas eleições deste ano para presidente da República?

EC – Eu acho um erro a gente misturar questão de seleção brasileira com questão política. A seleção de futebol brasileira, quando o Brasil entra em campo, as pessoas dos mais diversos partidos, dos mais diversos credos religiosos, dos mais diversos estados da federação, torcem para o Brasil. Todos nós ficamos frustrados, assustados com aquele jogo contra a Alemanha. Na verdade, foi tudo tão rápido, um grande susto que tomamos e ficamos tristes, constrangidos. Acho que agora passou a Copa para nós – vai ter esse jogo de sábado que disputa o terceiro lugar, mas, na verdade, é um jogo que a gente assiste, mas não tem grande emoção – e começa o debate sobre o Brasil real. Não é porque o time ganhou ou perdeu que melhorou a questão da violência, da educação, do emprego, da inflação, das obras de recursos hídricos para as áreas secas do Nordeste, as estradas esburacadas, o trânsito que não flui. Os problemas reais estão aí e nós vamos discuti-los e esperar que essa discussão se dê com nível, com respeito às pessoas, com propostas concretas, que é o que nós estamos procurando fazer. Propostas concretas e objetivas, como a vida pode ser melhor e eu sei que a vida do Brasil pode ser melhor. Mas para isso é preciso que a gente mude o governo, o jeito de governar. É impossível, com 39 ministérios sendo divididos entre os partidos políticos, os partidos que aquelas velhas raposas lá em Brasília tomando conta de tudo, que chegue para o povo real algo de melhor. Eu acho que o que está cada dia mais claro é que a presidenta Dilma teve uma chance, que foi dada, sobretudo, por nós nordestinos, porque a diferença que ela colocou no Serra ela tirou praticamente daqui das urnas do Nordeste. Infelizmente – eu digo infelizmente porque eu torcia que desse certo – ela não soube ou não pôde fazer e o Brasil parou de melhorar. Ela será a primeira presidente da República a entregar o país pior do que encontrou. Se você for ver, o Itamar entregou o país melhor do que recebeu de Sarney, o Fernando Henrique entregou melhor do que recebeu de Itamar, o Lula entregou muito melhor do que pegou do Fernando Henrique, entregou a ela e o Brasil hoje está pior do que no tempo do Lula. Então, se ela não teve condições de fazer um trabalho para melhorar o Brasil, não tem drama nenhum, o povo que bota é o mesmo povo que tira, mas a gente vai botar quem? Qualquer mudança? Não, a gente vai botar quem conhece a gente, quem já mostrou que sabe trabalhar, quem gosta de estar no meio do povo, quem sabe fazer as políticas públicas para chegar para os que mais precisam e é exatamente isso que eu e Marina Silva fizemos ao longo de nossas vidas. Eu sou o único candidato nordestino nessas eleições, a candidata a vice na nossa chapa é uma mulher que todos sabem seus compromissos sociais que vêm do Norte, conheço a região como a palma da minha mão, me preparei para esse momento, para que a gente possa recolocar o Brasil no trilho certo, no caminho do crescimento econômico, com distribuição de renda, enfrentando a agenda que a sociedade quer que seja tocada; qual é a agenda? É a saúde que está um horror no SUS, mas também está muito ruim para quem paga seguro saúde, que hoje para marcar uma consulta é uma novela, para enfrentar o drama da segurança, melhorar a qualidade da educação. O povo está vendo, por que é que as universidades públicas são as melhores e as escolas públicas não são as melhores quando se trata do ensino fundamental e do ensino médio? Então, há como dar jeito e a gente dá jeito no que está sendo colocado como os problemas reais da vida do povo brasileiro.

JH – Eu queria que o senhor falasse um pouco sobre sua presença aqui em Natal, mas já abordasse também o que o senhor achou da escolha de Wilma de Faria para disputar ao Senado e também o que acha dessa aliança do PSB aqui com o PMDB do Henrique Eduardo Alves.

EC – Eu acho que a situação do Rio Grande do Norte, um estado tão acolhedor, um estado que tem muitas potencialidades econômicas, um estado que tem possibilidade de ajudar muito no desenvolvimento do Brasil, a situação que chegou, do ponto de vista administrativo, político, exigiu uma grande frente política, ou seja, a situação ficou tão difícil do ponto de vista dos servidores públicos do Rio Grande do Norte, dos serviços públicos paralisado a cada dez, quinze dias, todo mês um problema, e era necessária essa frente ampla que foi montada, e o meu partido convenceu a direção nacional que tinha que participar desse grande momento de união de todo o estado do Rio Grande do Norte para enfrentar essa situação. Daí veio a aliança que foi feita entre o PMDB e tantos partidos, entre eles o PSB, que se expressa na chapa que está disputando e que vai vencer as eleições. A governadora Wilma será senadora, ela tem uma grande experiência política, vai poder no Senado lutar pelos interesses do Rio Grande do Norte, ajudar a administração estadual a poder angariar recursos para as obras, para as ações, e ao mesmo tempo nos ajudar na base de sustentação do nosso governo. Então eu acho que essa frente que foi formada entre Henrique e Wilma vem exatamente dessa situação a que chegou o estado do Rio Grande do Norte, que exigiu a união de todos. Isso é feito, muitas vezes, em uma empresa, em uma família quando entra em dificuldade, que é a hora de todo mundo se ajudar, para enfrentar as dificuldades.

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