El Campos e Marina Paraguaçu – Alex Medeiros

Eduardo Campos saiu da vida para entrar na História, passando antes pelas pesquisas eleitorais, onde jamais obteve dois dígitos enquanto…

Eduardo Campos saiu da vida para entrar na História, passando antes pelas pesquisas eleitorais, onde jamais obteve dois dígitos enquanto foi candidato à Presidência da República. A morte que pulverizou seu corpo deu-lhe enorme musculatura política.

O desastre aéreo ganhou a proporção de tragédia pela força e impacto de um inconsciente coletivo que há milênios constrói mártires na imolação da juventude. No culto do adeus, seus 49 anos de vida pesaram mais que os 76 de Ulysses Guimarães.

Até às 10 horas da manhã do último dia 13 não havia uma só previsão matemática, ou comparativo estatístico que indicassem sequer sua passagem para o segundo turno das eleições de outubro. Ele era apenas o jovem governador que transformou Pernambuco.

Em que pesem sua experiência gestora e o discurso moderno, além do carisma peculiar alargado no olhar verde e no sorriso de bom moço, Eduardo Campos ainda era uma incógnita na disputa que só começaria para valer com o advento do horário na TV.

O que muitos já sabiam, principalmente os 9% de brasileiros que já haviam depositado confiança nele, é que era para valer seu desejo de derrotar Dilma Rousseff e arrancar o Brasil do atraso político e do engessamento econômico que completam quatro anos.

Nos encontros que manteve com Aécio Neves, seu colega de geração – neto como ele de um líder com brilho nacional – demonstrou sempre afinidades políticas e administrativas comprovadas no estilo semelhante de governar Pernambuco e Minas.

Eduardo queria mudar o país, queria livrá-lo do PT, ao ponto de romper os limites entre o Planalto e sua amizade pessoal com Lula, de quem foi ministro. Sempre foi provocado a provar que não era um candidato com característica de refil petista no segundo turno.

Dois episódios, em 2012 e agora em 2014, estabeleceram substancialmente o distanciamento com Lula e o PT. No primeiro, lançou Geraldo Júlio, um auxiliar técnico sem expressão eleitoral, à prefeitura do Recife contrariando o ex-presidente.

Era uma terça-feira, 12 de junho, quando Eduardo mostrou que o namoro com o PT estava estragado e avisou que o partido de Lula não iria mais conduzir a eleição no Recife. E aí começaram as tentativas petistas de fazê-lo desistir da própria liderança.

Num telefonema, Eduardo falou grosso com Lula, dizendo que não existia ninguém capaz de enquadrá-lo. “Posso ser convencido, enquadrado, não!”, bradou, lembrando que estava no gabinete que nos anos de chumbo fora do destemido avô Miguel Arraes.

Seu candidato ganhou no primeiro turno com mais de 51% dos votos e a distância com o PT foi ficando maior. Em março passado, Lula lançou picardias comparando-o com Fernando Collor e insinuando gestão parecida se ele chegasse ao Palácio do Planalto.

A trágica morte de Eduardo Campos foi uma trégua momentânea no teatro de guerra de desaforos em que se transformou o universo partidário brasileiro. Socialistas, petistas, tucanos e figurantes se irmanaram na dor de uma viúva e cinco filhos do defunto.

Enterrado como mito, modificando a paisagem dominical de uma cidade acostumada a cantar e dançar nas suas pontes, Eduardo tornou-se uma versão tropical do El Cid, o herói morto a conduzir sonhos e esperanças de uma nação que precisa libertar-se.

Seu esquife e seu túmulo adquiriram um tom de idolatria similar aos de astros de rock que depois de mortos atraem fãs para dançar sobre os restos mortais. Políticos e eleitores sorriram numa meteórica chuva de flashes para as selfies das redes sociais.

E no olhar de carpideira de aldeia, no riso de marketing fúnebre de Marina Silva, a constatação já comprovada nas estatísticas das pesquisas, que ela conseguiu numa tarde de cemitério aquilo que o personagem Odorico Paraguaçu sonhou a vida inteira. (AM)

Selfies

Nas fotografias destacadas na edição de hoje do diário paulista Estadão, uma delas mostra os potiguares Henrique Alves (PMDB) e Wilma de Faria (PSB) diante do caixão de Eduardo Campos enquanto os eleitores apontam celulares para si mesmos.

Discrição

De todas as lideranças nacionais que foram ao sepultamento dos restos mortais de Eduardo Campos, somente Aécio Neves (PSDB) manteve uma postura discreta e equidistante da família. O resto parecia parente ou amigo íntimo da viúva e filhos.

Todos juntos

Em várias imagens de diferentes canais de televisão, o quarteto com Lula, Dilma, José Serra e Geraldo Alckmin estava sempre junto e cochichando entre si. Talvez tenha sido o motivo do pequeno Miguel Campos enfiar a língua na bochecha do ex-presidente.

Vaias

Não fossem as imagens do Fantástico ontem e dos telejornais matutinos hoje, os cães de aluguel do PT ainda estariam vomitando nas redes sociais que as vaias a Lula e Dilma partiram de um grupinho. Ficou claro que as palmas devem ter sido dos assessores.

Pesquisa

Não procede a tese de que a pesquisa Ibope no RN deixou de ser divulgada por não ter sido concluída. Registrada no site do TRE/RN desde o dia 9 de agosto, teve tempo suficiente para ir a campo, como sempre faz o instituto. Inventem outro motivo.

Quantificação

Cada vez mais furadas as críticas para institutos que entrevistam menos de mil pessoas no RN. Aferir a opinião de 600 potiguares é tão substancial quanto ouvir 2.843 eleitores em todo o Brasil, como fez o Datafolha. Aqui são 3,3 milhões e no país 201 milhões.

Credibilidade

A seriedade de uma pesquisa não está na quantidade de questionários, mas na metodologia e na credibilidade daqueles que a assinam. O Datafolha conseguiu isso porque não tem clientes políticos, não faz pesquisa para partidos ou sindicatos.

Datafolha

Eduardo Campos morreu na quarta-feira, a pesquisa foi feita na quinta e sexta e já revela um quadro em que Marina Silva abocanhou consideráveis votos dos indecisos e dos que votariam nulo e branco, enquanto Dilma e Aécio não perderam nadica de nada.

É Marina

A pesquisa Datafolha se antecipou ao PSB na definição do nome de Marina Silva como substituta de Eduardo na cabeça da chapa. Impossível o partido tomar outro rumo depois de um resultado que aponta o segundo turno e uma perspectiva de vitória.

Alianças

Tanto o presidente do PSB, Roberto Amaral, quanto a deputada federal Luiza Erundina deixaram claro que qualquer definição com ou sem Marina não irá modificar as alianças do partido nos planos regionais. O que tranquiliza aqui a chapa com o PMDB.

PSB local

Eduardo Campos sempre demonstrou interesse pessoal nas candidaturas de Wilma de Faria ao Senado e Sandra Rosado à Câmara Federal. Vamos agora esperar como será a postura de Marina Silva, que não tem com as duas potiguares a mesma intimidade.

Turnê Rolling Stones

A passagem dos velhinhos ingleses pela América do Sul na turnê “15 on Fire”, ano que vem, contempla cinco shows no Brasil no mês de março, sendo dois em São Paulo e outros no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Belo Horizonte. Não foi dada qualquer perspectiva de apresentação no Recife. O primeiro show será em solo gaúcho, no dia 8, o último na capital mineira, dia 20 de março.

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