Ele está emburrado

Vozes estridentes protestam ao ver Neymar na reserva do Barcelona. Num dia de show de Messi, autor de três gols…

Vozes estridentes protestam ao ver Neymar na reserva do Barcelona. Num dia de show de Messi, autor de três gols nos 7×0 cavalares sobre o Osasuña pelo Campeonato Estadual. É fácil detectar duas divisões guerrilheiras: a mais berrante considera inaceitável o camisa 10 da seleção brasileira ter assistido, sentado, a um jogo tão fácil. A outra disfarça mal o ciúme pelo recorde quebrado por Messi, agora maior artilheiro merengue com 371 gols ultrapassando Paulino Saldanha.

Um dia, quem sabe, a geração que sucederá à do meu filho entenda que o futebol brasileiro não é mais o melhor do mundo há longo tempo. Reinado absoluto, até a despedida de Pelé da canarinho em 1971. Depois, equilíbrio a partir de 1974. Brasil, Alemanha, Itália e Argentina conquistaram dois mundiais, cada um. França e Espanha venceram uma vez.

Ganhamos – em épocas distintas-, com Romário, Rivaldo e Ronaldo. Os alemães venceram na liderança de Beckenbauer e de Mattaus. Os italianos de Paolo Carrasco Rossi e de Pirlo e os argentinos de Mário Kempes, Ardiles e Maradona mereceram. Zico, Platini e Cruijff serão gigantes mesmo sem ganhar Copa do Mundo. Eles estarão sempre acima de torneios.

O Barcelona tem uma orquestra e o melhor jogador do mundo. Messi está mantendo acesa a chama do time que envelhece pela evolução natural da vida. O Barcelona conserva o charme, envolve pelo toque e o jogo rotativo. Sem o brilho espantoso de dois ou três anos passados. Encurtou e muito a distância que o separava do Real Madrid.

Neymar ficar na reserva só não é normal para quem faz do futebol, bandeira patriótica. Neymar no Barcelona tem que correr para os outros. No Santos, ele brilhava pela capacidade indiscutível, pelos dribles moleques, pela reverência dos demais 10 súditos da Vila Belmiro.

É mais ou menos a saga do peladeiro imbatível em sua rua e anêmico de timidez quando tenta a sorte em algum clube tornando-se mais um em meio a outros tão reis de vizinhança quanto ele.

A cobrança nacional cercada de tietagem fanática, atrapalha Neymar. Já não fazem comparações patéticas com Pelé. Mas a subliminar competição com Messi é da xenofobia lorpa da rivalidade contra os argentinos.

Maradona é ridicularizado no mundo inteiro – menos em seu país – por insistir provocando Pelé. O Rei silencia e o fã de Fidel Castro (só não cogita dividir com os cubanos seu patrimônio), esperneia.

Neymar deve destrancar o rosto. Aceitar o lógico. Não pode, por conteúdo, cobrar espaço vitalício de titular, naturalidade no Santos, como também foi com Robinho, seu ídolo e sua mais completa tradução até agora. Craque, Neymar é. No Brasil, é ele, ele, ele é ninguém além. Um reinado sem sucessão previsível.

Ronaldinho Gaúcho, Alex, Zé Roberto, Lúcio, Juan, Robinho e Kaká, cansados e insistentes, permanecem no imaginário do desespero de quem vai dispor de Fernandinho, Luiz Gustavo, Hulk, William ou Jô.

No Barcelona, Neymar precisa jogar muita bola para apresentar espasmos de aproximação histórica dos homens de espetáculo: Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Gaúcho que abdicou do futebol para viver de nababo, de milionário e engana nos campos brasileiros bocejando de tédio e obrigação de cumprir contratos.

Neymar ainda está a uma distância continental de Evaristo de Macedo, do Flamengo nos anos 1950, artilheiro e ídolo no Barça e no Real. Evaristo é semideus na Espanha. Nunca jogou Copa do Mundo embora extrapolasse em categoria. Na reserva, também nunca esteve. Ler um pouco sobre Evaristo pode ajudar a relaxar durante as partidas. Numa boa, Neymar.

 

Golaço de Pimpão

É caçar arquivos de imagens. Há muitos anos ninguém fazia um gol tão bonito e irreverente quanto o do atacante Rodrigo Pimpão, do América, na vitória por 4×2 sobre o Paysandu. Um gol com a molecagem do lençol sobre o zagueiro.

Audácia

Uma audácia pouco permitida no carrancudo futebol atual, onde os técnicos ensinam aos meninos, primeiro, que é preciso bater, marcar e se defender, ao contrário de buscar a vitória, fazer o gol, se dedicar à alegria.

Banho de cuia

Rodrigo Pimpão deu um toque chamado em minha rua de banho de cuia, privilégio dos habilidosos, dos graduados, dos melhores criativos. Sua jogada merece ser repetida pelos telejornais da semana inteira.

DVD

Pode virar um DVD para mostrar aos meninos que chegam às categorias de base dos clubes imaginando a liberdade e esbarrando na covardia de quem precisa garantir emprego e industrializa o 0x0 como padrão de covardia.

Raí

Só pode ser parente de Abdias, aquele do fumo do folclore sertanejo, forte que só fumo de Abdias. É o tal do Raí, principal motivo para a demissão do técnico Leandro Sena e prestigiado pelo seu substituto. Aliás, promovido da lateral para o meio-campo onde, sem nada de pessoal, é território que conhece ainda menos.

ABC em Mossoró

O ABC parece entrar numa fase de saturação. Chegou ao limite. Perder tornou-se tão corriqueiro quanto tomar um refrigerante e comer um pastel chinês, com ovo cozido dentro. É preciso um pouco de respeito à torcida e à história do alvinegro. Sem ter começado, 2014 parece ser o ano que nunca irá terminar.

Dramaturgia

Próximo jogo do ABC, contra o Baraúnas, deveria ser narrado por dramaturgo. É uma situação em que a vitória é inadiável para que o clube recupere a autoestima, o orgulho e tente recomeçar. É tropa arrasada.

Roberto Fernandes

Não adiantava mais adiar.

Globo

Seis pontos e a leve impressão de que deseja “dar o liso”, ganhar também segundo turno e vaga na Série D. O Globo não vem surpreendendo. Está cumprindo etapas definidas. Lá, sim, parece haver planejamento respaldado por resultados indiscutíveis.

ABC ganha do Paysandu

No dia 17 de março de 1985, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, o ABC vencia o Paysandu em Belém por 1×0, gol do zagueiro Darci, ex-Cointhians(SP). Jogo para 13.576 pagantes no Estádio Mangueirão. Foram expulso Ademílton do Paysandu e o centroavante Arildo, do ABC.

Times

ABC: País; Wassil, Darci (Zé Adilson) e Valdecir; Baltasar, Alex e Márcio Ribeiro; Capanema, Arildo e Leandro (Tião). Técnico: Sebastião Leônidas. Paysandu: Mário Fernandes; Sales, Ademílton, Nad e Zezinho; Samuel (Alfredo), Duarte e Valmir (Chico Spina); Marcos Nogueira, Cabinho e Careca. Técnico: Zanata.

Compartilhar:
    Publicidade