Ele manda em dois times e numa multinacional: conheça o “Poderoso Chefão”

A fortuna de Anthony, que se auto intitula o único dirigente estrangeiro no Brasil, vem basicamente do mercado imobiliário

Ao mesmo tempo em que é elogiado por torcedores do clube, o presidente do Alecrim é criticado pela imprensa local. Foto:Divulgação
Ao mesmo tempo em que é elogiado por torcedores do clube, o presidente do Alecrim é criticado pela imprensa local. Foto:Divulgação

Os torcedores de Natal têm um “Poderoso Chefão” para chamar de seu. O empresário inglês Anthony Armstrong-Emery é, desde 2013, o presidente e principal patrocinador do Alecrim, time de futebol da capital do Rio Grande do Norte fundado em 1915.

A fortuna de Anthony, que se auto intitula o único dirigente estrangeiro no Brasil, vem basicamente do mercado imobiliário. O inglês fundou em Natal, em 2007, o EcoHouse Group, uma empresa que capta recursos de investidores ao redor do mundo para comprar terrenos e construir casas populares dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal.

Ainda em 2013, Armstrong aumentou seus domínios no mundo do futebol e se tornou dono de outro time: o Monza, que disputa divisões menores na Itália – uma parte das ações da equipe pertencia ao holandês Clarence Seedorf.

A rotina do manda-chuva envolve viagens entre os países onde jogam suas equipes e as seis cidades onde o EcoHouse Group tem escritórios, entre Canadá, Inglaterra, Malásia e Cingapura. A jornais ingleses, Armstrong diz ter investimentos em pelo menos 20 negócios, que vão de restaurantes a gráficas.

Nos dias que passa em Natal, Anthony anda em carro blindado, seguido por seguranças em outros dois carros, e visita os jogadores do Alecrim. Se não é ele quem aparece, a tarefa fica com alguém da família: a mulher e a filha já se envolveram com a administração do Alecrim.

Mesmo distante, o inglês entra em algumas polêmicas. Recentemente, foi criticado pela imprensa por ter comprado briga com jornalistas durante um treino ao cobrar mais espaço para o time na mídia, O episódio fez Anthony é aclamado pela torcida, que leva para os jogos um bandeirão com um desenho do seu rosto e a inscrição: “The Godfather”.

O problema surgiu em 17 de janeiro. Após voltar de uma de suas viagens, Armstrong juntou os jornalistas que cobriam o treino do Alecrim no estacionamento do estádio e cobrou mais espaço para o time nas coberturas locais. Alguns jornalistas disseram que não puderam trabalhar naquele dia, alegando que o dirigente foi intransigente.

O dirigente, então, publicou uma carta na internet. “Fiz questão de mostrar que tem gente em casa e o Alecrim não é mais o ‘coitadinho’ que a imprensa cansou de pintar nos últimos anos”, declarou. “Quando tomo uma atitude de cobrar profissionalismo, da mesma forma que sou cobrado, viro o vilão.”

Em uma entrevista para o jornal inglês The Telegraph, o empresário disse que o episódio fez com que ele fosse comparado ao ditador chileno Augusto Pinochet. “Recentemente juntei a imprensa e disse umas verdades duras a eles. Alguns dos jornalistas se referiram a mim depois disso como Pinochet. Não estou muito certo de que isso foi um elogio.”

Torcida presta homenagem

O apoio da torcida foi instantâneo. O bandeirão do “The Godfather”, feito no fim de 2013, voltou aos estádios. A tradução literal da faixa seria “O Padrinho”. Mas não é a única interpretação possível. “The Godfather” é o nome do livro escrito por Mario Puzo, em 1969, sobre uma família de mafiosos italianos que se muda para os Estados Unidos, capitaneada pelo patriarca Vito Corleone.

A história foi adaptada para o cinema em uma trilogia dirigida por Francis Ford Coppola e estrelada por Marlon Brando, Robert de Niro e Al Pacino. No Brasil, livro e filme foram traduzidos como “O Poderoso Chefão”.

“A faixa que fizemos gerou polêmica porque algumas pessoas dizem que o Anthony manda em tudo. Mas não era essa nossa ideia”, explica o autônomo Dudu Azevedo, de 29 anos, torcedor fanático do time.

“Queríamos dar um apelido para ele, uma homenagem. Pensamos em “padrinho” porque ele apadrinhou o Alecrim. Mas achamos que seria melhor se traduzíssemos “padrinho” para o inglês, já que ele é da Inglaterra.”

Desde que assumiu o time, Armstrong reformou o estádio do Alecrim, refez o elenco, organizou um torneio por conta própria para o time não ficar parado no segundo semestre e ainda viu o time jogar durante a abertura da Arena das Dunas, estádio de Natal para a Copa do Mundo.

“O torcedor do Alecrim há muito tempo alimenta o sonho de ter um grande patrocinador, alguém que invista no time e faça ele voltar a brigar por títulos”, analisa o jornalista Edmo Sinedino, ele mesmo ex-jogador da equipe na década de 1980. “Por isso ele conseguiu apoio para ser presidente do clube.”

Embora o Alecrim não informe oficialmente, estima-se que o EcoHouse Group tenha investido cerca de R$ 3 milhões no time em 2013. Em troca disso, a empresa estampa a camisa do time.

Sinedino dá um exemplo que pode remeter a outra interpretação da palavra “Godfather”. O jornalista conta que foi criticado por Amstrong via Facebook depois que disse em um programa de rádio que o Alecrim estava sem pagar os salários havia três meses. O problema salarial, segundo o próprio Sinedino, foi resolvido.

Trajetória

Antes de se estabelecer em Natal, Armstrong passou por Espanha, Paraguai e Panamá. O inglês estudou Direito na Inglaterra e se mudou para a Espanha, onde fez um mestrado na Universidade de Salamanca. Insatisfeito com a carreira, Armstrong se mudou para o Paraguai, onde trabalhou com turismo.

De volta à Espanha, o empresário entrou no ramo imobiliário e, segundo ele mesmo conta, fez dinheiro antes que a crise econômica chegasse à Europa. O próximo destino foi o Panamá, onde também trabalhou no mercado imobiliário. Natal, terra de sua mulher, veio na sequência.

No Rio Grande do Norte, Armstrong começou sua carreira de empresário comprando terrenos. Em entrevista a uma revista de investidores de Londres, o empresário disse que a terra no Brasil tinha “preço de banana”. Dois anos depois, o inglês viu uma oportunidade de negócio ao ter contato com o programa Minha Casa, Minha Vida.

O portal London Loves Business avaliou, em 2013, o EcoHouse Group em 150 milhões de libras (ou cerca de R$ 980 milhões).

Fonte:Uol

 

Compartilhar: