Ele, o Batman

‘Batman de passeata’. O título está na Folha de S. Paulo e é uma bela alegoria de ‘Padre de passeata’,…

‘Batman de passeata’. O título está na Folha de S. Paulo e é uma bela alegoria de ‘Padre de passeata’, expressão cunhada por Nelson Rodrigues no seu conservadorismo debochado e diante da mesma ditadura que o filho, levando seu próprio nome, enfrentava na luta armada e por isso foi preso e torturado. Ali, não. É um Batman que apesar de atuar nas manifestações de rua e ser uma celebridade popular, cobre com sua fantasia a pequena história de um homem tão comum, e tão cheio de sonhos.

Eron Morais de Melo é o nome verdadeiro desse protético de 32 anos que não tem carro e por isso não pode andar de Batmóvel. Mora numa casa humilde do subúrbio de Marechal Hermes, como se fosse a Batcaverna, distante quase trinta quilômetros do centro do Rio, onde atua, e mais ainda das praias da Zona Sul, como Leblon, pois é lá que às vezes protesta ao lado do povo. Para aparecer em público, apanha trem, ônibus e metrô convencido de que ao Brasil faz falta um herói como o Batman.

Na verdade, Senhor Redator, foi comovente olhar a figura de Batman sentado no vagão de um metrô. Levando na sua fantasia, dentro e fora da alma, a sua triste esperança de ajudar ao Brasil a ser menos injusto. Foi como se tivesse tisnado da mesma melancolia do herói criado por Bob Kane e Bill Finger, órfão e vítima da maldade humana. Como o Batman da sombria Gothan City, o pobre Batman de Marechal Hermes, nosso cavaleiro das trevas suburbanas, só quer combater o mal nas ruas do Rio.

Na entrevista, confessa afeição por Batman, vivido por Bruce Waine, bilionário que aos oito anos teve os pais assassinados e mantém sua identidade secreta para ser Batman e combater o crime. Eron não tem mansão, como a dos Waine. Nem herdou uma empresa riquíssima do pai, como um filho único. Mas a fantasia em nada fere a dura realidade de Eron que precisa fazer próteses dentárias para viver. Ao contrário. Eron faz da vida real uma fantasia. A realidade não basta para ele se sentir feliz.

Por isso, porque precisa viver além de fazer próteses, Eron fez do prefeito Eduardo Paes o novo Coringa, o grande inimigo combatido por Batman. Indagado pelo repórter Bernardo Mello Franco, não fez por menos: ‘Se o Eduardo Paes é o Coringa, amigo, eu sou o Batman’. Mas acrescentou: ‘Não é só uma fantasia bonita’, advertiu. E arrematou: ‘Tem que ter conteúdo’. Eron sabe que a sua realidade já foi vista mais de quinhentas mil vezes nas redes sociais e que sua imagem de justiceiro corre o mundo.

Ser herói de carne e osso não é fácil. Eron sai de casa cedo, vai de trem até a Central do Brasil, para o Centro do Rio. Ou apanha ainda ônibus e metrô, se for para a Zona Sul. Já chega cansado para suas duras pelejas contra o mal. Mas, não reclama. Convidado por um partido, recusou a ser candidato: ‘O lugar de Batman não é com os políticos, é com o povo. Se eu luto contra o sistema, não posso entrar nele’. Às vezes, Senhor Redator, ter um Batman, mesmo falso, é melhor do que um senador de araque.

 

AJUSTES – I

Pouco a pouco, segundo as fontes mais acuradas, a chapa Fernando Bezerra-Wilma de Faria ajusta-se aos critérios de uns e outros. E o trabalho de articulação, registre-se, é um mérito de Henrique Alves.

E… – II

Se é assim, fica demonstrado que o próprio Henrique, mantidos os nomes que unem PMDB-PSB não é mesmo candidato a governador. Acha que não é melhor. Por isso aposta em novo mandato na Câmara.

EFEITO – III

A magia de Wilma de repente é tão forte e fascinante que já tem o apoio daqueles que antes eram os mais refratários a seu nome: senador José Agripino e ex-deputado Rogério Marinho. Já é um começo.

DÚVIDA – IV

O PSD de Robinson e o PT de Fátima irão às ruas para acender o repúdio do eleitor natalense contra o novo acordão de poderosos, agora com presença forte de Wilma e Carlos Eduardo engrossando a luta.

PRAZO – V

O deputado Henrique Alves sabe que fevereiro é mês estéril, marcado pelo carnaval, e por isso não há pressa. A chapa – se resistir a todas as folias e intrigas diabólicas de Momo – será anunciada em março.

AVISO – VI

Não é impossível ter Agnelo Alves para vice de Fernando se Robinson e Fátima não aceitarem ocupar o espaço em nome da união pelo Estado. E da candidatura de Carlos Eduardo ao governo já em 2018.

DE – VII

Tal modo que a chapa, se depender de Henrique, irá às ruas com PMDB, PSB, PT, PDT, DEM, PSDB, PR e PSD e quem deseje ser passageiro. Só não teria lugar vago para a governadora Rosalba Ciarlini.

PROTESTO

Um grupo de advogados protesta contra a anuidade da OAB fixada este ano em R$ 804,00, menos de 100 reais se dividido pelos doze meses do ano. O caso será levado em forma de manifesto. Acreditem.

POR

Falar em protesto, esta coluna volta a avisar: a greve dos professores pode ter cometido um grave erro de data levando a sofreguidão a se sobrepor à exaustão. Um petismo exacerbado contaminou sua luta.

PETISMO – I

O caminhão federal que vem ao Seridó vender peixe barato para o povo é uma consagração total do populismo petista. Do tipo que faz de tudo, distribui dinheiro e peixe, só não ensina o homem a pescar.

CLARO – II

Essa é uma velha tática de dominação que mantém escravos homens e instituições. O dominador sabe que uma vez autônomo nasce no homem o desejo lícito de ser livre. Dominar é manter a dependência.

RAIZ – III

O modelo vem dos tempos do coronelismo garantidor da sobrevivência à sombra do coronel, mas sem direito à desobediência. Como ensina Henry Thoreau no seu clássico ensaio da ‘Desobediência Civil’.

MAIS – IV

Não foi à toa que os conservadores com suas idéias dominadoras, como sempre, e apegadas ao mando, tentaram confundir desobediência com desacato, tentativa de criminalizar as manifestações populares.

ALIÁS – V

Nas jornadas de junho, quando o povo foi às ruas protestar forte contra os políticos, o Estado usou as pequenas minorias de vândalos para tentar transformar cidadãos em marginais. O tiro saiu pela culatra.

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