Ele sabia seu lugar – Rubens Lemos Filho

Neivaldo Pinto de Carvalho morreu em 2006, vítima de infarto depois de viver em paz. Neivaldo sempre foi um cidadão…

Neivaldo Pinto de Carvalho morreu em 2006, vítima de infarto depois de viver em paz. Neivaldo sempre foi um cidadão sereno, de bom astral e consciente dos seus limites. Neivaldo, mineiro de Venda Nova, jogava futebol e (sempre) estará longe das antologias reunidas sobre virtuosos.

Acontece que a maior das qualidades de Neivaldo era saber até onde podia chegar. Neivaldo significava reconhecer seus defeitos, não avançar o sinal, enxergar o óbvio, se contentar com o permitido, nunca exercitar a inveja.

Neivaldo está fora de um time cada vez mais lotado. Numa hipotética pelada entre seus integrantes vorazes, cada perna de pau teria direito a jogar apenas cinco minutos. Neivaldo nunca atuou no time dos invejosos.

Repare bem no invejoso ou no rancoroso. Ou no invejoso rancoroso. Ou melhor, observe e depois dê-lhe o melhor dos destinos: o lixo do desprezo. O paupérrimo de caráter e humanidade, de calor na personalidade, é insípido, arrogante, frio e torce menos por ele e mais pelo fracasso dos outros.

Acenda o seu perigômetro sempre que ouvir ou ler alguém desclassificando os outros de graça, sem razões que não a própria razão dele existir: nenhuma. O gosto da frustração é de vinagre, dizem alguns, mas não cometerei injustiças porque jamais provei dessa bebida de fórmula asquerosa.

É o que não consegue honestamente o objetivo e torce pelo insucesso de quem alcança algum reconhecimento. É aquele ou aquela que despreza e torce contra quando o alvo da sua peçonha segue sua vida lutando. Ele a se contaminar da própria saliva com sabor de Novalgina, remédio dos mais terríveis.

Um tipo de gente bem diferente do falecido Neivaldo. Um cara que só fez amigos, jamais foi ambicioso, presunçoso ou achou, algum minuto, que pudesse ser o que não era. Neivaldo foi reserva dez anos de Mané Garrincha. O primeiro que socorria o gênio quando algum marcador covarde atingia as pernas tortas simétricas ao seu destino.

Neivaldo, com boa vontade, jogava cinco minutos a cada seis meses, fazia parte das delegações que excursionavam pelo mundo inteiro apenas pelo bom caráter. Neivaldo aplaudia Mané Garrincha e sequer imitava seus dribles. Neivaldo sabia que era Neivaldo. E pronto.

Notícia ruim não é piada

O bizarro é grotesco, nunca engraçado. A notícia surrealista do assalto ao motorista do ônibus da Polícia Militar é o “Segura na Mão de Deus e Vai” da falência na segurança pública. Quando bandidos perdem o respeito a um policial fardado, invadem um veículo identificado e cometem o escárnio da inversão de valores, a sociedade está nua.

O fato que tomou redes sociais e deixou boquiabertos os cidadãos responsáveis, não é piada. É muito sério. É para que os homens da política reflitam. Especialmente legisladores. Há que se endurecer sem ternura alguma contra o crime que sentou na cadeira soberana da ordem, botou os pés sobre a mesa e debochou solenemente da indignação dos bons.

Os policiais são preparados, armados e treinados para agir. Mas são tolhidos por leis oportunistas e um Código Penal de Dinamarca. Somente as gerações daqui a quatro milênios verão um país igual, justo e com escola para todos. Hoje, é preciso curar o cancro criado pelos que nada fizeram ao longo do tempo, babando o discurso asqueroso da defesa hipócrita dos marginais.

Penas duras, cumprimento integral, a depender da gravidade do caso, redução da maioridade penal e o direito de o policial atirar quando se sentir ameaçado de morte para não morrer pensando em segundos se vale a pena viver ou ser execrado pelos sacripantas de entidades protetoras de facínoras, mas que não aceitam criá-los, ou levá-los para a casa dos seus dirigentes.

Tomara que de jeito nenhum, mas se um dia o Quartel do Comando-Geral da PM for invadido, alguém vai entender que o caos é vivo e venenoso. Por enquanto, a onda de protesto parte de quem é vítima, de quem conhece uma vítima ou de quem teme ser a próxima. Há os avestruzes. Que enterram a cabeça na areia da omissão covarde sem cuidados com a própria retaguarda.

Arthur Maia

Arthur Maia quase voltou, mas permanece fora do time do América hoje contra o Atlético (PR). Após longa contusão, o astro do Estadual teria o desafio de mostrar que é bom também contra times de qualidade muito maior.

Time

O América deve começar com Andrey, Marcelinho, Cléber, Lázaro e Arthur Henrique; Val, Márcio Passos, Fabinho e Morais; Pimpão e Max. Morais e Pimpão, as esperanças maiores. Fabinho não vem sendo Fabinho.

Resultado

O empate com gol fora de casa foi excepcional para o ABC contra o Vasco. Mais ainda como perspectiva de renda para o jogo da volta. O placar que Zé Teodoro gosta é 0x0 e basta o ABC fazer do jeito do chefe que elimina o Vice-Almirante.

O jogo

João Paulo finalizou certo e Somália quase fez 2×0 no primeiro tempo. O ABC teria incendiado São Januário. Recuou e Kléber empatou em falha defensiva. Times iguais, técnicos clonados.

Cancha

O Atlético (PR) vem a Natal com cancha de favorito. Para a imprensa paranaense. O América, pelo exemplo da eliminação do Fluminense, mostrou que todo mundo é brasileiro (não mais japonês) pelo país inteiro.

Notícia boa

Mas é nos Estados Unidos. Após enfrentar um bando de assaltantes e expulsá-los na porrada na loja onde trabalhava, o lutador de MMA Mayura Dissanayake voltou a treinar e a competir. E em sua primeira luta após o incidente, ele mostrou que tem qualidades esportivas e nocauteou seu adversário, Jaime Garcia, em apenas 18 segundos de combate, com um nocaute técnico no chão após aplicar um cruzado de esquerda de encontro.

Famoso e feliz

O evento amador, que misturava lutas de MMA e de muay thai, aconteceu no último sábado em Houston. Nascido no Sri Lanka e morando nos EUA há dois anos, Dissanayake iniciou-se nas lutas praticando Sanda, o boxe chinês, e depois passou a treinar MMA.

Surra

Mayura Dissanayake ficou famoso após reagir no dia 10 de julho deste ano a um assalto no posto de gasolina aonde trabalhava como atendente da loja de conveniência, espancando os ladrões e os fazendo fugir sem roubar nada.

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