“Eles me buscavam na escola”, diz garota vítima de exploração sexual

A rotina da estudante Giovana (nome fictício) mudou radicalmente aos 14 anos. De família pobre, da periferia de Manaus, ela…

Virgindade chegava a valer R$ 2.200,00.Foto:Divulgação
Virgindade chegava a valer R$ 2.200,00.Foto:Divulgação

A rotina da estudante Giovana (nome fictício) mudou radicalmente aos 14 anos.

De família pobre, da periferia de Manaus, ela foi tomada pela curiosidade ao ver uma amiga rodeada de presentes, dinheiro e carros.

Em pouco tempo, passou até a cabular aula para entrar na rede de exploração sexual.

Não demorou e passou a fazer de seis a sete programas por dia. E ela ainda nem havia completado 15 anos.

“Emendava um programa no outro. Não parava. Ganhávamos dinheiro muito fácil. Mas, como diz o ditado, tudo que vem fácil vai fácil”, disse a adolescente, hoje com 17 anos e, segundo ela, longe dos encontros sexuais.

Há um ano, a rede de exploração sexual da qual Giovana fazia parte foi desbaratada pela polícia em Manaus.

Agora, a Folha teve acesso a detalhes das investigações sobre a forma de atuação do esquema que servia a grupos de empresários e políticos do Amazonas e que recrutava garotas pobres, com idades a partir de 12 anos.

O Ministério Público ofereceu denúncia. A Justiça ainda analisa se abrirá processo.

O caso está sob sigilo no Tribunal de Justiça do Amazonas. Um cônsul, um prefeito e um deputado estadual estão entre os suspeitos de fazer parte do esquema.

“Às vezes no meio da aula eles [agenciadores] me avisavam sobre algum programa por mensagem de celular, então me buscavam na escola e me levavam até o local do encontro. Depois, me levavam de volta pra escola ou pra casa”, disse a menina.

IDENTIDADE

“Na média, num dia, podia ganhar R$ 2.000, R$ 3.000. Variava de R$ 300 a R$ 400 [cada programa]“, completa.

Segundo a garota, a maioria dos clientes sabia que ela não tinha 18 anos -quando necessário, diz, usava uma identidade falsificada.

A vida dela, conta, mudou de novo quando a rede veio à tona, em novembro de 2012.

Policiais foram até a casa dela para apreender computadores e celulares. “A reação da minha mãe foi péssima. Ela desmaiou, foi uma coisa muito horrível”, afirma.

Outros parentes de garotas ouvidos pela reportagem relataram semelhante reação quando o caso foi revelado.

Com medo, Giovana afirma que apagou seus perfis nas redes sociais e passou a fazer, também, um curso profissionalizante. Hoje sonha com uma universidade.

“Não falo com mais ninguém, perdi o contato com todos. Eu vi e revi o que eu fazia e agora faço diferente. Quero estudar e ter meu próprio negócio.”

Fonte:FSP

Compartilhar: