Em greve, servidores do Samu reclamam da precária estrutura de trabalho

Pontos de apoio reduzidos e viaturas antigas atrapalham atendimento

Samu-JA

Marcelo Lima

Repórter

Os servidores do Samu Natal estão em greve desde 15 de abril ao lado de outras categorias da Saúde do município, prejudicando fortemente o atendimentos na área. Por enquanto, a categoria afirma que as negociações ainda não começaram.

De acordo com um dos servidores grevistas, Antonio Coutinho, que atua no Samu Natal, das nove viaturas disponíveis, apenas quatro estão funcionando e das quatro motolâncias, apenas duas delas estão em utilização durante a greve. Ainda segundo Coutinho, o ponto específico para a greve dos servidores do Samu é uma gratificação que não é reajustada há 11 anos.

“Isso vem desde que o Samu começou a funcionar em Natal. Só fizeram um reajuste que foi de uns R$ 500 para R$ 700 e nunca mais”, disse o servidor. Além disso, as condições de trabalho da categoria também preocupam, uma vez que elas afetam diretamente o resultado do atendimento à população.

Atualmente, o Samu Natal possui apenas dois pontos de apoio, lugar onde as ambulâncias ficam paradas esperando os chamados: UPA da Cidade da Esperança e a sede da guarda municipal na zona Norte. “A gente está nesses lugares, mas é emprestado. E antes a gente ficava ao relento”, declarou o servidor em greve.

Ele reconhece que anteriormente, com cinco pontos de apoio espalhados pela cidade, o tempo-resposta (da solicitação até a chegada da ambulância no local) para o atendimento era bem menor. “Se você tinha uma ocorrência em Ponta Negra, em cinco minutos a viatura chegava. Agora deve levar uns 25 minutos”, calculou.

 

Falha de viaturas

e insegurança

Conforme o servidor do Samu, o estado das viaturas também tem agravado o caso dos pacientes. “As viaturas estão velhas e a empresa não está fazendo a manutenção preventiva direito”, denunciou. O pior é quando elas quebram no meio de um atendimento. “Várias vezes isso já ocorreu. Aí tem que chamar outra viatura”, revelou. Ainda segundo ele, esse problema nunca gerou mortes até agora. “Mas já teve vez de acontecer que unidade avançada ficou no meio do caminho, antes de chegar para atender a ocorrência. Aí tiveram que mandar outra”, acrescentou.

A insegurança também é uma dos pontos de pauta da categoria. “Já acontecer de alguém chegar para atirar no paciente que estava dento da viatura. Aí os colegas tiveram que correr”, contou. Para ele, o ideal é casos de crimes é que a polícia ou a guarda municipal chegue ao local simultaneamente com a viatura do Samu.

As negociações para o encerramento ainda não começaram. “Segunda-feira fomos recebidos pelo chefe do gabinete civil e ele disse que sexta divulga uma data para a audiência com a gente, que será na próxima semana”, informou Célia Dantas, diretora do SindSaúde.

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