Em meio à crise, técnico interino comanda ABC contra o Baraúnas
Nada como três pontos para amenizar a crise financeira que praticamente desmanchou o departamento de futebol do ABC. Neste domingo, diante do Baraúnas, no Estádio Nogueirão, o Alvinegro entra em campo para tentar deixar para trás os salários atrasados e conseguir uma vitória para seguir subindo na classificação do Campeonato Estadual. Atualmente, o clube ocupa a terceira colocação com três pontos, empatado com América e Assu, mas à frente dos adversários pelos critérios de desempate. A partida em Mossoró começa às 17 horas.
Após a saída surpreendente de Givanildo, que na última sexta-feira pediu demissão do cargo devido aos atrasos de salários que chegaria segundo alguns atletas até a quatro meses, o auxiliar técnico Barata assumiu a função para comandar o time na partida desta terceira rodada do Estadual. Ainda sem confirmação oficial, os técnicos Pedrinho Albuquerque, recentemente demitido do Alecrim e Wassil Mendes, do Santa Cruz, estariam entre as opções do clube para o cargo.
Mas para o jogo deste fim de semana, Barata está confirmado. E exceto pelo lateral-esquerdo Alexandre, expulso na última partida, o treinador não deverá promover uma grande mudança no time que entra em campo diante do Leão do Oeste. Para o lugar do lateral, a opção é Jeff Silva no setor ou a entrada do volante Edson improvisado novamente na posição e o retorno de Bileu ao time titular.
O ataque, que pouco produziu no primeiro tempo que terminou em 0 a 0 na partida contra o Santa Cruz, também pode sofrer mudanças. O centroavante Rodrigo Silva, autor de uma assistência e gol na vitória construída no segundo tempo por 2 a 1 deve entrar no lugar de Vanderlei. A expectativa é pela manutenção do ataque Romarinho por pelo menos mais uma rodada.
O confronto desta tarde será o 107º na história de ABC e Baraúnas, com vantagem para os visitantes deste domingo. Nos 106 jogos realizados até aqui, o Alvinegro conquistou 70 vitórias, aconteceram 27 empates e sofreu apenas nove derrotas. Destes 70 triunfos, 28 foram conquistados no estádio Nogueirão, palco do jogo de logo mais. No total, são oito partidas contra o clube mossoroense. A última derrota para o Tricolor aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2009, pelo primeiro turno do Campeonato Estadual, quando o Baraúnas venceu por 2 a 1, no Nogueirão.
Para tentar manter a invencibilidade, Barata deve escalar o ABC com a seguinte equipe: Lopes, Thiaguinho, Flávio Boaventura, Vinicius e Jeff Silva; Hamilton, Edson, Júnior Xuxa e Raul; Romarinho e Rodrigo Silva.
Sexta-feira de caos
Tão difícil contra o adversário de domingo, será superar o clima difícil nos bastidores do clube devido à insatisfação no elenco abecedista. Ontem, a bomba estourou com a entrevista do goleiro Lopes que revelou não apenas os salários atrasados, que no caso de alguns chegam a quatro meses, mas também o descumprimento de um acordo da diretoria com os jogadores de que a dívida começaria a ser paga no dia de ontem. Contudo, a verba destinada para tal, segundo o próprio presidente abecedista, viria de um patrocinador que acabou não depositando o dinheiro.
No início do mês de janeiro, um grupo de jogadores que permaneceu no clube da temporada passada se reuniu com o presidente Rubens Guilherme Dantas para tratar sobre salários atrasados e a proposta oferecida pelo cartola era de que o pagamento dos valores em atraso fosse feito em cinco parcelas, com a primeira a ser paga no dia 08 de março, ontem. A promessa acabou não cumprida e até um cheque do cartola dado como garantia ao banco acabou rejeitado.
Com isso, não apenas o técnico Givanildo se desligou do clube, o superintendente de futebol, Gustavo Mendes, que chegou a anunciar sua saída, preferiu aguardar uma reunião com a diretoria do clube para decidir seu destino. Informações confirmadas pelos próprios jogadores nas redes sociais, mensagens de texto e conversas dão conta de que alguns deles suas cidades de origem. Os próprios atletas estariam morando na casa de amigos ou no próprio ABC.
Agora ex-treinador abecedista, Givanildo deixou o clube insatisfeito com a situação, não por ele, já que o atraso não chegava sequer a 10 dias, mas pela dificuldade em cobrar empenho dos atletas em meio à situação conturbada no clube e na vida pessoal deles. “Ganhamos o último jogo, ganhamos bem, mas algumas situações que estavam acontecendo não concordei, tentei contorna com os jogadores, presidente mais não deu. Chegou um momento que não dava mais para ficar. O grupo bom, unido, e foram todos eles lá na sala pedir para eu ficar. Mas o prazo combinado era hoje (sexta-feira). Não foi cumprido e vou embora”, disse.
Sobre a saída do treinador, Rubens Guilherme se mostrou magoado com a decisão e afirmou que o comandante foi “precipitado” na sua decisão e negou a informação de que o atraso de salários de atletas chegue a quatro meses. “Estipulamos um prazo para sexta, mas infelizmente não conseguimos cumprir. Eu esperava que ele (Givanildo) tivesse um pouco mais de paciência e nos compreendesse. A maioria do elenco já recebeu o salário de janeiro. Só estamos devendo fevereiro e o 13º de 2012. Mas fizemos um acordo com os jogadores do ano passado e parcelamos essa dívida em cinco meses. Nos comprometemos a começar a pagá-los a partir do mês passado, e agora estamos dependendo de um patrocinador para realizar os pagamentos”, afirmou.
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