Em Natal, secretário do Ministério do Turismo cobra segurança jurídica
Há 10 anos o secretário nacional de políticas para o turismo do Ministério do Turismo, Vinícius Lummetz, não pisava em Natal. Nesta quarta-feira, quando se dirigia de carro para o Centro de convenções onde foi um dos palestrantes a abrir o 4º Fórum de Turismo do RN, ele não conteve a surpresa. “Essa cidade mudou muito, está completamente diferente daquela que eu conheci”, confessou mais tarde.
Para Lummetz, o turismo não é apenas um modelo de Caribe quando o destino tem como seus fortes o binômio céu e mar. Com o intenso fluxo de capitais internacionais sobrevoando o planeta à espera de um bom lugar para desembarcar, a visão sobre os benefícios de um turismo forte – segundo ele – extrapolam necessidades básicas da boa hospitalidade.
“Estão muito além disso, vão desde a segurança jurídica que os investidores devem ter para iniciar seus empreendimentos até a qualidade de vida da população”, analisa.
A grande mudança no Ministério do Turismo em relação à sua política de interiorização do turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico antes explorava as potencialidades dos destinos. Mas hoje, diz Lummetz, o foco mudou: está profundamente associada à captação de investimentos que levem em consideração justamente os fluxos de capitais no mundo globalizado.
“Isso quer dizer que o turismo não se esgota em si mesmo enquanto alternativa econômica de desenvolvimento, mas a partir de uma série de projetos que levem em consideração desde a infraestrutura até as condições práticas que permitam o aporte de capitais nacionais e internacionais”, afirma.
Ex-diretor do Sebrae nacional, Lummetz diz não acreditar em “monoculturas” quando se refere ao turismo. “Quando se pensa assim as portas se fecham para todas as manifestações culturais que caracterizam o destino, empobrecendo o que poderia ser um projeto mais ambicioso e completo das potencialidades a serem trabalhadas”, salienta.
Para Natal, que será uma das sedes brasileiras da Copa, diz Lummetz, os benefícios dependerão da capacidade dos gestores de auferir vantagens do mega evento esportivo. Em tese, além da infraestrutura que ficaria como legado, ele acredita firmemente no retorno da publicidade para reposicionar o destino como um produto forte na atração de turistas.
Afinal, como ele gosta de lembrar, 3,7% do Produto Interno Bruto nacional, que mede todas as riquezas do país, é oriundo do turismo. “A questão, que nem todos conseguem enxergar, é que a atividade turística paga contas, dá muitos empregos e abre infinitas janelas de oportunidades para projetos de interesse econômico”, lembra.
Nesse sentido, a visão de Lummetz é muito claramente a favor de um reposicionamento de potencialidades onde os ovos sejam depositados em várias cestas. E que o turismo esteja presente com seus interesses em várias frentes e não em apenas algumas poucas. E, dentro desse contexto, que existe um debate muito claro sobre os impactos positivos e negativos da atividade.
“Como qualquer fonte de receita, o turismo terá impactos, mas é preciso mensurar os ganhos e as perdas e entender que nenhum destino pode viver só de atrativos que não passem por transformações”, afirma.
Para Lummetz, por fim, a crise européia pode até ter diminuído o fluxo de turistas por um determinado período, o que foi suprido em parte pelo turismo interno. “Mas a gente sabe que logo as coisas devem se restabelecer e é preciso que os destinos estejam preparados e atualizados com que existe de melhor para oferecer”, alerta.
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