Em palestra em Londres, Barbosa define prisões brasileiras como ‘o horror’

No mesmo evento, Barbosa voltou a negar qualquer pretensão de ser candidato à presidência da República

"No ano passado eu visitei prisões no Brasil, e horror é a melhor palavra para definir os nossos presídios", afirmou Joaquim Barbosa.
“No ano passado eu visitei prisões no Brasil, e horror é a melhor palavra para definir os nossos presídios”, afirmou Joaquim Barbosa.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, definiu as prisões brasileiras como “o horror”, durante palestra nesta quarta-feira (29) em Londres, no Reino Unido. O ministro havia sido questionado da situação do presídio de Pedrinhas, no Maranhão.

“No ano passado eu visitei prisões no Brasil, e horror é a melhor palavra para definir os nossos presídios”, declarou, ao responder uma pergunta da plateia de sua conferência no King’s College London, da Universidade de Londres. “Mas os políticos não se importam com isso, não dá retorno político, não dá votos. O Brasil tem uma cultura de violência, e as vítimas mais frequentes são os negros”.

No mesmo evento, Barbosa voltou a negar qualquer pretensão de ser candidato à presidência da República. “A plateia me perguntou se eu sou candidato à presidência da República, e eu ainda não respondi”, disse, na mesma ocasião em que respondia outra pergunta.

“Mas quer?”, gritaram vozes no auditório, formado basicamente por brasileiros. “Quero”, ironizou, logo antes de esclarecer que não pretende se candidatar. “Muita gente vem e diz: você deveria ser nosso candidato, mas eu nunca quis me afiliar a partidos políticos. Até na faculdade, eu nunca tive militância política. Então, não”, completou.

O ministro também afirmou que não se importa se as pessoas que o apoiam são “conservadoras ou liberais”. “Se os liberais gostam do que eu faço, ok, se não gostam, eu não me importo”, declarou.

DISCRIMINAÇÃO

Inquerido, o presidente do Supremo declarou que “a discriminação é o mais sério tópico no Brasil”. “Se você quer ser respeitado, tem que incluir os negros na sociedade. Entre negros e mulatos, são a maioria dos brasileiros, mais de 50%, muito mais que as cotas. Os brasileiros não gostam de discutir esse assunto. A TV brasileira parece a TV da Dinamarca”.

Barbosa disse ainda que a Lei da Ficha Limpa, aprovada pelo STF em 2010, passará por um teste nacional, pela primeira vez, neste ano.

“É uma lei que teve um grande impacto no Brasil porque os corruptos, especialmente na política, nunca foram condenados até o fim. Neste ano vamos ver o impacto desta lei. Será a primeira vez que veremos o resultado em eleições nacionais.”

Durante a palestra, Barbosa discorreu sobre o funcionamento do STF e a sobre a Constituição brasileira, além de listar alguns casos do tribunal. Foi tratado como uma estrela pelas cerca de 300 pessoas que lotaram o auditório do King’s College: a plateia o cercou, tirou fotos e pediu autógrafos após a conferência.

Bem humorado, o ministro brincou quando foi questionado sobre a falta de emoção dos julgamentos transmitidos pela TV Justiça. “Sim é chato, mas há pessoas que são viciadas na TV Justiça, como a minha mãe”, disse.

Barbosa desembarcou em Londres na última segunda depois de cinco dias em Paris para encontros oficiais. Ele fica até a manhã de quinta-feira (30) na capital britânica.

Fonte:FSP

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