Em um ano, mais de 1,1 mil petroleiros ficaram desempregados no RN

Mercado eólico estaria recebendo esta mão de obra

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

A trajetória promissora do Estado do Ceará com relação à exploração de poços de petróleo está deixando o Rio Grande do Norte com o sentimento muito aquém das expectativas de produção na bacia potiguar. Enquanto os cearenses receberam 24 novas perfurações de poços terrestres do mês de março até hoje – segundo informações divulgadas pelo Diário do Nordeste – os norte-riograndenses assistem ao declínio da produção de petróleo em solo potiguar. Há no mínimo três anos há um visível declínio na exploração em terras potiguares.

Como resultado disso e da desaceleração da produção, empresários que trabalham como prestadores de serviço para a Petrobras estão amargando prejuízos e provocando uma onda de demissões de petroleiros em Mossoró e região. Só o Sindicato dos Petroleiros do RN registrou 1.112 demissões no período entre janeiro de 2013 e julho deste ano. Já o Sindicato dos Comerciários contabilizou 210 desempregados em outras atividades relacionadas ao setor.

Entretanto, há um mercado que está absorvendo essa mão de obra qualificada. De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec), Silvio Torquato, as demissões estão sendo aproveitadas para a produção de energia eólica.

“A Petrobras tem dito que o que está acontecendo no Rio Grande do Norte é uma pequena queda de produção e, por isso, as consequentes demissões nas empresas prestadoras de serviços. Porém, esse é um problema nacional e não apenas em nosso Estado. Neste cenário, o que pode ser considerado positivo para nós é que o pessoal demitido está sendo aproveitado no mercado de energia eólica”, afirmou em conversa com O Jornal de Hoje.

De acordo com o secretário, as cidades próximas à Mossoró, principal área de exploração de petróleo da bacia potiguar, estão investindo na produção de energia eólica e reaproveitando a mão-de-obra que foi desperdiçada. “Regiões como a de Areia Branca, Serra do Mel, Galinhos e Porto do Mangue, por exemplo, estão aproveitando essas demissões e impulsionando a produção no mercado eólico”.

Silvio Torquato ainda declarou que, em sua avaliação, o declínio da produção de petróleo em todo país pode ter sido reflexo da “dedicação da Petrobras ao Pré-Sal”. “A verdade é que a Petrobras se dedicou mais ao Pré-Sal, mas as perspectivas para o Rio Grande do Norte são boas devido às descobertas de exploração de petróleo no mar”, disse o secretário.

O titular da Sedec não soube especificar sobre como e de quanto será o investimento da Petrobras no Rio Grande do Norte nos próximos anos. Porém, reuniões no Ministério de Minas e Energia sinalizaram que é necessário acabar com o ritmo de diminuição da atividade petrolífera na bacia potiguar.

“O Governo do Estado está preocupado desde o primeiro momento de declínio da produção de petróleo. Participamos de audiências públicas na Câmara Municipal de Mossoró, provocamos a reunião com o ministro de Ministro de Minas e Energia e eles garantiram que os investimentos voltarão a acontecer”, afirmou Silvio Torquato.

Os investimentos realizados nos últimos anos no Rio Grande do Norte estão voltados para a instalação de projetos de recuperação da produção e também para a perfuração de novos poços, o que poderá reaquecer a atividade petrolífera.

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