Em um mês na CUT, Delúbio vira celebridade e reclama da hora de almoço

Preocupado com a imprensa, petista evita sair para comer, mas diz estar feliz. Rotina de trabalho inclui contato com sindicatos de todo o Brasil, mas ‘dentro da legalidade’

Delúbio deixa o edifício central no setor comercial sul, em Brasília, após um dia de trabalho na CUT. Foto:Divulgação
Delúbio deixa o edifício central no setor comercial sul, em Brasília, após um dia de trabalho na CUT. Foto:Divulgação

Após quase um mês trabalhando como assessor da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares tem vida de celebridade, já reclamou do fato de ter apenas uma hora de almoço e diz não conseguir comer em um restaurante popular da região por causa do assédio da imprensa. Mas admite a pessoas próximas que “está feliz” e que essa experiência na CUT é uma espécie de resgate do início de sua carreira política.

Condenado no julgamento do mensalão a seis anos e oito meses de prisão, Delúbio está trabalhando desde o dia 20 de janeiro como assessor da direção nacional da CUT, com salário de R$ 4,5 mil. O trabalho externo faz parte do processo de ressocialização, conforme a Vara de Execução Penal (Vepe) do Distrito Federal. Sua função na Central Única dos Trabalhadores é ajudar na organização sindical de outras entidades filiadas à CUT e achar brechas jurídicas que auxiliem o funcionamento destas entidades em todo o Brasil. Tudo “absolutamente dentro da legalidade”, conforme informou uma pessoa próxima ao petista.

Segundo interlocutores, Delúbio é um homem disciplinado. Chega diariamente por volta das 8h da manhã e sai religiosamente às 18h30. Sempre escoltado por pelo menos um membro da CUT, em um carro prata da entidade, que faz o translado dele da CUT para o Centro de Internamento e Reeducação (CIR). A chegada dele foi comemorada por correligionários.

Diariamente, ele recebe carinho, beijos e abraços de outros funcionários da CUT. Internamente é visto como uma “celebridade injustiçada”, apesar de alguns funcionários se queixarem do fato de ele ganhar por volta de R$ 4,5 mil na CUT. O ex-tesoureiro do PT não mantém contato com políticos. No máximo com seus advogados e uma vez por semana.

No primeiro dia de trabalho, Delúbio queria almoçar fora da sede da CUT, mas não conseguiu por causa do assédio da imprensa. Ele pretendia comer em um restaurante popular em frente à CUT por conta da limitação imposta pelo cumprimento da pena do regime semiaberto. Presos nesse regime não podem ir a mais de 100 metros do local de trabalho.

Ainda passando pela fase de ambientação, Delúbio ligou para a secretária da CUT perguntando se haviam jornalistas na sede da entidade, localizada no Setor Comercial Sul, uma área de grande movimentação em Brasília. A secretária respondeu apenas: “Doutor, tem uns 200 repórteres aqui”. Depois de ouvir isso, Delúbio desistiu da ideia e pediu uma marmita. No cardápio, peixe, salada, arroz e feijão.

A pessoas próximas, Delúbio já reclamou que tem horário de almoço inferior aos demais condenados do mensalão que já exercem o trabalho externo. Por exemplo, Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL (atual PR) tem expediente de 8h às 18h como assistente administrativo e direito a duas horas de almoço. Delúbio tem apenas uma hora mas não pensa em recorrer porque esse “erro” foi da própria CUT no ato da formulação da proposta de emprego.

Durante esse período em que esteve na CUT, umas das cenas mais marcantes para Delúbio ocorreu justamente quando ele estava almoçando com um colega na entidade. Ambos comiam marmitas, mas o colega, ao terminar o almoço, colocou a sobremesa no recipiente ainda sujo com restos do almoço. A cena “embrulhou o estômago” de Delúbio, conforme fontes próximas.

Atualmente, um dos grandes receios de Delúbio e da própria CUT é o assédio da imprensa. Sempre no final do expediente, pelo menos um funcionário da entidade faz uma espécie de ronda na parte na entrada da sede da entidade com a intenção de tentar expor ao mínimo o ex-tesoureiro do PT.

Apesar de algumas restrições por causa do cumprimento da pena, Delúbio tem dito que o emprego na CUT é uma volta ao passado, quando ele iniciou sua vida política trabalhando na articulação política de sindicatos goianos e na própria fundação do PT nos anos de 1980. “Apesar de estar cumprindo pena, ele está feliz”, afirmam amigos. Ainda segundo pessoas próximas, o semblante tranqüilo de Delúbio desaparece no final de cada expediente, quando ele precisa voltar ao CIR. Conforme essas pessoas, é “nessa hora que Delúbio tem, diariamente, um choque de realidade”.

Fonet:IG

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