Em um mês, passagens aéreas para cidades onde Brasil jogará aumentam 13%

No dia 6 de dezembro, quando sorteio da competição foi realizado, custo para seguir seleção era de R$ 5.658 e, agora, subiu para R$ 6.434

Seguir a seleção brasileira na Copa ficou mais caro. Foto:Divulgação
Seguir a seleção brasileira na Copa ficou mais caro. Foto:Divulgação

Um mês depois do sorteio das chaves da Copa do Mundo, o custo das passagens aéreas para acompanhar os jogos da seleção brasileira já subiu 13,7%. Levantamento feito nas quatro maiores companhias aéreas mostra que o carioca terá que desembolsar R$ 6.434 para torcer nos seis jogos da seleção (caso o Brasil avance até a semifinal e se classifique em primeiro lugar em seu grupo, já que a final acontecerá no Rio), R$ 776 a mais que em 6 dezembro, quando houve o sorteio. Naquele dia, o custo para seguir a seleção brasileira era de R$ 5.658.

A tomada de preços nos sites das quatro maiores empresas aéreas nacionais – TAM, Gol, Azul e Avianca – considerou voos nos dias do jogo a tempo de o torcedor chegar ao estádio e retorno com a passagem mais barata do dia seguinte. O ponto de partida da pesquisa usado como parâmetro é sempre o aeroporto Santos Dumont, e as chegadas são em Congonhas, no caso paulista, e em Confins, nos voos para Belo Horizonte. Cinco dos seis bilhetes mais baratos eram da TAM. A Gol só teve um voo entre os de preço mais baixo. A Azul, que foi a primeira empresa aérea a fixar um teto para as passagens no período dos jogos, de R$ 999, já aplica este valor máximo em ao menos três dos trechos pesquisados.

A maior alta foi encontrada no bilhete para abertura da Copa, que ocorrerá no estádio do Corinthians, em Itaquera (São Paulo), no dia 12 de junho: a tarifa de ida e volta, que em dezembro saía por R$ 720, agora está em R$ 1.676, uma alta de 132,7%. Do total dos seis trechos, em quatro foram registradas altas no preço das passagens e, em dois, houve queda no valor.

Em dezembro, as passagens aéreas pressionaram o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 0,92%, a maior taxa em dez anos. Na quarta-feira, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros, a Selic, para 10,5% a fim de tentar conter a inflação resistente. Pelo levantamento, as passagens vão continuar a pressionar os índices de inflação.

A alta dos preços verificada na pesquisa já mostra os efeitos dos eventos esportivos na inflação. Estudo do Banco Central, divulgado em meados de dezembro, estimou que o IPCA, taxa que orienta o sistema de metas de inflação, aumente dois pontos percentuais ao longo de dez anos. Segundo o estudo, o fato de haver dois eventos grandes no mesmo país vai exercer o dobro de pressão nos preços em relação a outros países que sediaram a Copa. Nesses lugares, a inflação aumentou um ponto percentual. O Banco Central fez estimativa para o período de 2007, quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa, até 2017, ano seguinte às Olimpíadas.

Empresas dizem que valores mudarão

O economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, afirma que situações como esta dificilmente permitirão redução significativa da inflação em 2014, sobretudo na área de serviços. Para ele, a alta média de 13,7% em um mês demonstra o forte impacto que a Copa poderá ter nos preços brasileiros deste ano:

“Isso é a comprovação de que há falta de infraestrutura, de que o governo não preparou o mercado para a Copa e que os preços serão afetados”.

A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) informou que os preços devem mudar depois que o governo anunciou nesta quinta-feira nova malha aérea, que vai ampliar a oferta de voos. A associação aconselhou o consumidor a esperar a entrada em vigor da nova malha para comprar passagens. A entidade esclareceu que não houve aumento nos preços, mas sim o esgotamento dos bilhetes com preço menor.

Fonte:O Globo

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