Em vídeo, boxeadora boliviana denuncia ter sido estuprada na infância

Outras mulheres afirmaram ter sido vítimas de abuso do mesmo agressor de campeã mundial

Jennifer postou uma foto do homem e ele foi identificado como Raúl Zelaya. Foto:Divulgação
Jennifer postou uma foto do homem e ele foi identificado como Raúl Zelaya. Foto:Divulgação

“O que te atraiu em mim? Foi a minha ternura, a minha inocência? Foi o sorriso que Deus me deu? Responda-me, inútil!”, diz a campeã mundial de boxe Jennifer Salinas, com voz baixa, em um vídeo que se tornou viral e já contabiliza mais de 60 mil visualizações no Youtube em menos de um mês. No monólogo, intitulado “Palavras ao meu estuprador”, a boliviana denuncia a violação sexual sofrida há 22 anos. Ameaça e até agradece o homem responsável por seu principal trauma e luta.

“Obrigada. Obrigada por deixar uma marca na minha memória já que, graças a você, pude alcançar a glória”, diz, antes de endurecer as palavras contra o agressor. “Sabe quanto eu desejo fazer o que você me fez e muito mais? Cuspir, chutar, escutá-lo gritar, tatuar em seu rosto ‘eu sou um criminoso’. Ladrão, assassino, animal, estuprador. Maldito seja, homem de pouco valor”.

O vídeo teve reações inesperadas. Alguns estupradores lhe escreveram para pedir desculpas. Outros juraram que nunca mais fariam o mesmo. Jennifer postou uma foto do homem e ele foi identificado como Raúl Zelaya. Alguém o reconheceu como sendo seu vizinho, em Santa Cruz, na Bolívia. Após a divulgação do caso na mídia, apareceram outras meninas que denunciaram abuso pelo mesmo autor, incluindo uma de oito anos.

A mídia local entrou em contato com Raúl por telefone. Ele negou todas as acusações e pediu para falar apenas por meio de um advogado. Logo depois, o homem fugiu.

De acordo com o advogado de Jennifer, é difícil fazer uma queixa na polícia depois de tanto tempo. Segundo a lei boliviana, não se deve demorar mais de oito anos para denunciar casos como esse para que se tenha êxito.

Jennifer foi vítima de abuso sexual dos cinco aos nove anos por parte de dois trabalhadores da família. Um já morreu. O outro, que supostamente seria Raúl, continua impune e livre nas ruas. Ela conta ter sentido vergonha, humilhação e culpa. E teria mantido segredo até que, aos 16 anos, sua mãe descobriu ao ler seu diário.

Foi no boxe que a mulher encontrou uma válvula para canalizar a raiva.

– Comecei a lutar boxe e isso me ajudou muito a tentar distrair minha mente e minha energia em outras coisas e não nessas lembranças. Comecei a ganhar campeonatos, me tornei lutadora de boxe profissional e, ao longo dos anos, graças a Deus, pude ser campeã mundial no ano passado – disse.

O vídeo foi primeiramente postado por ela no Facebook. Recebeu três mil curtidas e teve quase 500 compartilhamentos, além de comentários de várias outras mulheres vítimas de abuso sexual. Um de seus planos é criar uma fundação para ajudar mulheres que sofreram estupro.

Fonte:Globo.com

Compartilhar:
    Publicidade