Emoção e choro marcaram a última abertura de portões no ginásio da UFRN

Vestibulandos, amigos e familiares foram conferir de perto a listagem dos aprovados pela Universidade. Foto: Wellington Rocha
Eram quase 11 horas da manhã quando os portões do ginásio poliesportivo II da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foram abertos para as dezenas de pessoas que aguardavam ansiosos pelo resultado do último vestibular da UFRN. A abertura de portões sempre foi uma festa que atraía centenas de vestibulandos, amigos e familiares em busca do vestibular mais concorrido do Estado. Este ano, poucas pessoas foram até a Universidade conferir de perto o resultado. Mas as que foram não escondiam a ansiedade. Quando os portões foram abertos, os primeiros gritos de felicidades ecoavam no ginásio, silenciando a dor da reprovação.
Enquanto uns choravam e se emocionavam com a aprovação, outros, em meio à frustração da reprovação, já planejavam o futuro.
Os portões sequer tinham sido abertos, mas algumas pessoas já sabiam do resultado, que era divulgado pela TV Universitária. Paulo Barbosa de Mendonça Neto, estudante do Pré do Marista, de 17 anos, foi um dos primeiros a ouvir o resultado e aos gritos comemorou a sua aprovação. “Melhor sensação da minha vida. Valeu a pena todo o esforço”, disse. Luan Felipe Fonseca, de 19 anos, não poupou as lágrimas e os agradecimentos a Deus e a família pela aprovação para o curso de Farmácia. De joelhos ele agradeceu: “obrigado meu Deus, valeu a pena o sacrifício”, disse Luan que foi aprovado em seu segundo vestibular.
O primeiro vestibular de Thiago Jonathas da Silva, de 16 anos, que tentou uma vaga para o curso de Odontologia, levou a sua avó Maria Salete Vieira de Oliveira ao ginásio do Vestibular em busca do resultado. “Ele não quis vir, pois estava muito ansioso. Eu não agüentei esperar e vim sozinha mesma. Foram três anos de abdicação, de muito estudo, de domingo a domingo sem folga. Ele é muito estudioso e estamos bastante confiantes em Deus que ele possa passar, pois das 35 vagas ele passou, na primeira fase em 14º”, disse. Quando os portões foram abertos, Maria Salete não se conteve de emoção com a aprovação do neto. “Agora é hora de agradecer a Deus e comemorar. Estou muito feliz e realizada. Meu neto merece”, afirmou.
Nicholas Café tem apenas 16 anos e ainda cursa o 2º ano do Ensino Médio no Marista. Ele prestou o vestibular apenas por experiência e na primeira fase foi aprovado em 25º lugar para um dos cursos mais concorridos da UFRN, Direito matutino. A mãe, a promotora de justiça, Sayonara Café, estava bastante confiante da aprovação do filho e disse que se aprovado, vai buscar os meios legais para garantir o ingresso do filho ainda este ano na UFRN. “Ele sempre foi um excelente aluno, extremamente estudioso, disciplinado. Acredito no potencial do meu filho, que independente de qualquer coisa já é um vitorioso”, disse a mãe.
Nicholas estava tão ansioso que não quis conversar antes de saber do resultado. Após o resultado e a certeza da aprovação, Nicholas não conteve as palavras. “A sensação é indescritível, mágica, sensacional, espetacular. Não tem como descrever a emoção que estou sentindo. Me esforcei ao máximo, estudei o máximo que pude, assisti o máximo de aula que pude, tentando me igualar aos alunos do pré. E essa aprovação é fruto de todo esforço e ajuda da família. Dei o primeiro passo e agora vou tentar manter o nível”, afirmou.
Lucas Guthemberg Pessoa da Silva, de 19 anos, estudante do Overdose Colégio e Curso, realizou o maior sonho da sua vida na manhã desta quinta-feira, dia 3 de janeiro. Foi aprovado para o curso de Medicina na UFRN. Ele, que cursava Direito na UFRN, coleciona aprovação em vestibulares. Ano passado foram cinco, e ainda neste semestre estão previsto mais nove vestibulares, mas ele pretende cursar Medicina na UFRN. “Sempre tive esse sonho de poder ajudar as pessoas”, afirmou.
Antes da abertura dos portões, Lucas disse que o sentimento que dominava o seu coração é um misto de ansiedade e impotência. “Na hora da prova podemos mudar o nosso destino, mas agora não. Estamos nas mãos de quem vai abrir esses portões para anunciar os resultados. Estou confiante, mas nada de soberba”, afirmou. Após saber o resultado, Lucas ligou imediatamente para a mãe, a quem dedicou a aprovação, e não conteve a emoção. “É uma sensação indescritível com o sentimento de dever cumprido. Este dia ficará guardado na minha memória pelo resto da minha vida. E isso é resultado de muito esforço e dedicação”, destacou.
Em seu primeiro vestibular, o estudante Lucas Santos, de 17 anos, tentou uma das 250 vagas para o curso de Ciência e Tecnologia, pensando em cursar Engenharia Mecânica, no futuro. Ele levou a mãe para o ginásio da UFRN para, em família, ver o resultado do vestibular. Ele estava tranqüilo e confiante na aprovação, mas a mãe não escondia a ansiedade. “Ele está tranqüilo, mas estou ansiosa, afinal de contas é um ano de muito investimento, dedicação e estudo”, afirmou a mãe. Quando os portões foram abertos, infelizmente o resultado não foi o esperado. Lucas não foi aprovado, mas não pensa em desistir. “Bola pra frente. Ainda tem o Enem e muita coisa para fazer”, disse.
Weslley Bernardo, pela segunda vez, tentou ingressar na UFRN no curso de Engenharia Civil. Ele levou a namorada para ver o resultado, estava confiante, embora tenha passado longe das vagas na primeira fase. “A expectativa é grande de entrar e ver o meu nome no mural, mas ao mesmo tempo sei que se não passar ainda posso tentar outros meios”, disse o estudante que não conseguiu aprovação.
Caio Azevedo levou a irmã e mãe para conferir o resultado do seu segundo vestibular. Ele passou em 67º na primeira fase, longe das 40 vagas para o curso de Engenharia Elétrica. Antes da abertura dos portões ele estava ansioso e ao mesmo tempo confiante. “Só dá para pensar em alguma coisa depois do resultado, mas passando já saio daqui para comprar as carnes do churrasco”, disse o estudante. Após a abertura dos portões, Caio soube que não foi aprovado. “Ainda vou ver qual colocação eu fiquei, pois posso entrar na suplência, além disso, já fui aprovado, pelo ENEM, para Engenharia de Produção, em Campina Grande, na Paraíba”, afirmou.
A assistente social Nara Oliveira Brito, de 24 anos, prestou vestibular para Direito e há três dias ela estava confiante, mas hoje estava insegura, pois passou muito distante das 43 vagas para o curso. “É a minha última chance de prestar o vestibular, pois não gosto do ENEM e não me dei bem este ano. Hoje é tudo ou nada”, disse Nara Oliveira Brito. Aberto os portões, foi nada. Nara não conseguiu aprovação.
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