Empresa não entrega ingressos da Copa e frustra torcedores

Prejuízo aos torcedores foi de mais de R$ 2 milhões

Ingressos não chegaram às agências de turismo. Foto: Divulgação
Ingressos não chegaram às agências de turismo. Foto: Divulgação

O sonho da Copa do Mundo virou pesadelo para alguns torcedores que tentaram fugir das longas filas por ingressos. Isto porque fãs de futebol do Mato Grosso do Sul e de Cascavel, no Paraná, pagaram, mas não receberão bilhetes para jogos do Mundial.

O imbróglio envolve a empresa carioca DMX Tours, de propriedade de Fábio Cajuhy, que trabalhou como fornecedora de pacotes para agências de viagens com ingressos dos jogos da Copa – incluindo abertura e final.

Só que a empresa não repassou os pacotes – mais importante, os bilhetes – dando prejuízo de mais de R$ 2 milhões às parceiras e afetando mais de 600 clientes. O representante comercial Renan Campos, de 25 anos, foi um dos afetados e falou do alto preço que pagou e da frustração por não poder acompanhar o torneio de perto.

“A gente pagou R$ 580 por ingresso, e tínhamos direito ainda a um transporte em São Paulo. O pior sentimento é o de frustração, de não poder estar no jogo. Isso doeu mais do que a perda material”.

As empresas parceiras da DMX no negócio já procuraram as autoridades contra a instituição carioca, e foi aberto inquérito pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para investigar o caso. Além disso, a conta bancária da DMX foi bloqueada pela Justiça, e boletim de ocorrência foi feito contra a empresa de Fábio em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.

O delegado adjunto da 15ª subdivisão policial de Cascavel, Pedro Oliveira, ratificou a posição das empresas e não acredita em má fé por parte das agências de turismo.

“Uma empresa daqui (Edo Tour), que já operava com a empresa do Rio de Janeiro (DMX Tours) há algum tempo, teve os ingressos prometidos desde o ano passado, mas nada do ingresso. As empresas, inclusive, têm os comprovantes das solicitações e de pagamentos. Não vejo possibilidade de essas agências de viagens estarem envolvidas em um possível golpe”, disse.

Foi justamente a relação já antiga com algumas das parceiras por parte da DMX que pegou de surpresa alguns dos empresários. Além da Copa do Mundo, os cariocas também vendem pacotes com ingressos para Fórmula 1, Campeonato Brasileiro, jogos do Barcelona e trabalharam com entradas da Copa das Confederações, sem nenhum incidente grave registrado.

O empresário Edo Frare, um dos proprietários da Edo Tour, agência de Cascavel afetada pelo imbróglio, revelou não esperar o problema pelo bom histórico de negócios com a DMX.

“Eles venderam pacotes da Copa das Confederações, camarotes do carnaval do Rio e nunca deu problema. Desta vez, a gente não sabe o que ocorreu. Ele (Fábio Cajuhy) alega que recebeu um golpe do fornecedor”, disse Frare, garantindo também suposta ameaça de Fábio.

“Quando ele descobriu que eu iria bloquear a conta dele, ele me ligou ameaçando me matar, alegou, em versão desmentida pelo dono da DMX.

Prejuízo passa de R$ 1,4 milhão no Mato Grosso do Sul

Apenas no estado do Centro-Oeste, três empresas e 422 pessoas foram atingidas pela promessa não cumprida. O prejuízo total foi de mais de R$ 1,4 milhão, ficando a Ares Viagens e Turismo com a maior fatia: R$ 1 milhão e 108 clientes lesados. Ainda foram envolvidas a Coelho Neto, com mais de 300 clientes e R$ 411 mil investidos, e a Mundo Agora, que teve 14 clientes prejudicados e R$ 30 mil perdidos.

A empresa com maior número de encomendas não atendidas, a Coelho Neto, foi a que primeiro procurou autoridades contra a DMX, segundo confirmou a delegada Fernanda Felix, da Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), de Campo Grande. A proprietária da Coelho Neto, Lívia Maymone Coelho Neto, afirmou ter tomado “as providências cabíveis” junto às autoridades, além de “garantir que a devolução dos valores seja feita”.

Assim como ocorreu no Paraná, a delegada Felix não acredita em envolvimento das agências de turismo sul-mato-grossenses em suposto “calote”:

“Não acreditamos que estas empresas podem ser cúmplices, pois os valores foram depositados nas contas da DMX, no Rio de Janeiro”.

No Paraná, mais de 250 torcedores desiludidos

Somente uma empresa teve parceria divulgada com a DMX no Paraná, a Edo Tour, de Cascavel. Mas o trauma não deixou de marcar os torcedores. O prejuízo para a empresa de Edo Frare foi de cerca de R$ 607 mil, e ao menos 250 pessoas pagaram pelos pacotes e pelos ingressos que nunca chegariam.

E a influência da DMX pode ser ainda maior. Isto porque, segundo Frare, os cariocas teriam acordos sobre bilhetes da Copa do Mundo com agências de Cuiabá, no Mato Grosso, Londrina, também no Paraná, Maceió, capital de Alagoas, e em São Paulo, o que daria ainda maior dimensão ao “calote”. Fábio Cajuhy, dono da DMX, porém, assume apenas os compromissos com as instituições sul-matogrossenses e a Edo Tour.

O empresário carioca vai além, e garantiu não haver desonestidade no imbróglio. Cajuhy explicou que o problema se deu por a empresa “não conseguir, mediante a Fifa, comprar os ingressos”, e culpou até a falta de organização da entidade máxima do futebol mundial.

Fonte: IG

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