Empresa que faz obra de enrocamento nega irregularidades

Construtora contesta relatório apresentado por consultoria recomendada pelo Ministério Público

Obra de enrocamento na praia de Ponta Negra está na fase final. Local também receberá projeto de reurbanização da orla de Natal. Foto: José Aldenir
Obra de enrocamento na praia de Ponta Negra está na fase final. Local também receberá projeto de reurbanização da orla de Natal. Foto: José Aldenir

Roberto Campello
roberto_campello1@yahoo.com.br

A empresa construtora Camillo Collier, responsável pela obra emergencial de enrocamento aderente na praia de Ponta Negra, contestou o relatório apresentado na semana passada, no dia 27 de novembro, pela empresa CB&I, contratada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), sob recomendação do Ministério Público Estadual, para fiscalizar a obra. No relatório, a CB&I apontou inconformidades relacionadas ao peso das rochas e à altura do enrocamento, e ainda questionou o custo de manutenção anual que a obra acarretaria, estimado pela equipe de fiscalização em R$ 1,8 milhão. A construtora negou todas as supostas irregularidades e afirmou que acionará a Justiça para cobrar retratação.

Nesta segunda-feira (12), a construtora Camillo Collier protocolou junto ao MPE/RN um ofício respondendo as acusações feitas durante a audiência pública, bem como mostrando a indignação pela forma como teve exposta e maculada a imagem da empresa e da obra que realiza na praia de Ponta Negra. No dia 4 de novembro, a construtora já havia encaminhado ofício ao secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Marcelo Toscano, ao secretário Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura, Tomaz Neto e ao procurador do Ministério Público Federal, Fábio Nesi Venzon questionando a contratação da empresa Shaw Meio Ambiente e Infraestrutura Ltda. (CBI) para fiscalizar os serviços de implantação da estrutura de enrocamento aderente.

O engenheiro responsável pela obra, Luis Augusto de Góis, sócio da empresa Camillo Collier, conta que foi convidado para participar da audiência do dia 27 de novembro que teria como pauta discutir as obras de enrocamento que estão sendo realizadas em Ponta Negra (situação atual, cronograma das próximas etapas, incluindo implantação de escadas e rampas), programa de manutenção e correção de problemas constatados e um plano de fiscalização da obra.

“No entanto, o que vimos foram acusações levianas e infundadas, por parte da CB&I no que se refere à execução e elaboração do projeto. Além disso, não tivemos acesso ao relatório apresentado por uma empresa, contratada de forma irregular pela Prefeitura Municipal de Natal, cujo conteúdo nos interessa e atingia diretamente. Causa-nos surpresa o fato de que os principais órgãos da Prefeitura, envolvidos na execução da obra, como a Semopi e a Semdes, sequer tiveram acesso ao relatório”, disse Luis Augusto de Góis.

De acordo com o engenheiro Luis Augusto de Góis, o relatório não apresenta fundamentação sustentável no que se refere ao tamanho e peso dos blocos rochosos utilizados no enrocamento da praia de Ponta Negra, uma vez que, a empresa responsável pela fiscalização colocou, no exercício da fiscalização, “profissionais sem a devida capacidade técnica para este tipo de obra”. Após a apresentação do relatório, a empresa Camillo Collier, pela primeira vez em 18 anos implantando este tipo de intervenção, solicitou que a pedreira fornecedora dos blocos de concreto realizasse uma pesagem individual dos blocos, através dos quais pode se constatar que os blocos utilizados estão de acordo com o Projeto Executivo.

“O despreparo e desconhecimento técnico dos profissionais da CB&I com este tipo de intervenção é tão evidente que pode ser observado pelo conteúdo do relatório como, por exemplo, quando se baseia, tão somente, em achismos e aparências para concluir sobre o peso dos blocos utilizados no enrocamento. Estes são equívocos preliminares e incipientes, típico de quem não está familiarizado com este tipo de intervenção”, afirmou.

Quanto ao fato de que a obra necessitará de manutenção permanente, o engenheiro Luis Augusto de Góis ressaltou que não existe intervenção costeira capaz de ser implantada sem que haja a necessidade de manutenção. “Diante de todo o exposto, podemos concluir que se trata esse relatório de um trabalho equivocado, infundado, e que se baseia em dados levantados e tratados por profissionais não habilitados à necessidade de uma obra de caráter bastante peculiar. Não podemos dar crédito a um relatório embasado em uma fiscalização que não dispôs, sequer de uma equipe de topografia, instrumento essencial à conferência deste tipo de serviço, durante a implantação das seções de enrocamento”, destacou o engenheiro Luis Augusto de Góis.

“Causa-nos estranheza e indignação o fato de que para o trabalho de fiscalização dos serviços executados em detrimento da contratação de uma empresa de consultoria, de um profissional especializado, ou de um membro acadêmico, como é o caso do professor doutor Venerando Amaro, tenha sido contratado uma empresa cujo interesse, bem como campo de atuação concorre diretamente com a Camillo Collier e com o engenheiro projetista, numa demonstração clara e evidente de total conflito de interesse”, ressaltou o sócio da empresa, o engenheiro Luis Augusto de Góis.

A reportagem d’O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com a promotora de Justiça do Meio Ambiente, Gilka da Mata e com o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Marcelo Toscano, mas não obteve resposta.

Enrocamento

O engenheiro Luis Augusto de Góis explicou que a obra de enrocamento aderente está com o prazo limitado ao repasse de uma verba, no valor aproximado de R$ 1 milhão, do Ministério da Integração Nacional, haja vista que foi necessária adequação do projeto. “Hoje estamos a mercê desse repasse para concluir a obra. Quando este repasse for feito, num prazo máximo de 20 a 30 dias concluiremos o serviço. Hoje, além da população, a maior penalizada é a empresa. Pegamos essa obra no mês de abril, nos comprometemos em entregar em cinco meses e já estamos entrando no oitavo mês. Estou, há dois meses, mantendo uma equipe, estrutura física, equipamentos e com todos os resultados comprometidos por falta de repasse”, afirmou.

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    • Marajo2013

      Enquanto isso no que sobrou do calçadão no trecho do Visual Hotel ate ao final sentido Via Costeira, tráfego de motos ameaçam nossa integridade física e ambulantes tomam cada vez mais nosso espaço. FATA ORDEM SR PREFEDITO!.