Empresário do RN alerta: Povo pode estar comprando peixe de origem duvidosa

Ministério da Agricultura e Polícia Federal investigam a troca de espécies nobres por outras de terceira

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Em virtude das comemorações da semana santa, a procura pelo pescado aumenta em todas as regiões do país. Nessa época do ano, o mercado brasileiro é quase que completamente dominado pelas indústrias de pesca atuantes no Sul, com destaque para as empresas instaladas em Santa Catarina, estado com a maior produção de pescado de origem marinha. Entretanto, irregularidades nos produtos comercializados e exportados para outros estados da federação, como o Rio Grande do Norte, estão colocando em xeque a qualidade do peixe que é servido na mesa do brasileiro.

Uma operação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) junto à Polícia Federal, desencadeou na descoberta de ações criminosas em estabelecimentos de pescado de Itajaí (SC). Motivados por um objeto de ordem econômica, sete empresas estariam rotulando os produtos com falsa denominação de espécies nobres: a embalagem do peixe não condiz com a qualidade do produto vendido, escondendo aquele que seria uma espécie de valor comercial, muito inferior ao que é rotulado e com procedência duvidosa.

Essa fraude de substituição de espécies vem sendo percebida de forma mais intensa nos últimos tempos em virtude do grande volume de importações de pescado da China e Vietnã a baixíssimos custos – os quais estariam sendo utilizados no processo de substituição. Como o Nordeste consume mais produtos do Sul do que aqueles produzidos na própria região, a população pode estar sendo constantemente enganada.

“O problema está em quem importa o produto desses países. Os peixes que vem do Vietnã e da China são de baixo valor, com alta quantidade de produtos químicos. Boa parte desses peixes, ao serem embalados, são exportados compostos de muita água, enganando o consumidor final”, conta Arimar França Filho, empresário da indústria de pescado no Rio Grande do Norte.

Segundo análise de Arimar, 70% do peixe consumido em todo o Brasil é importado do exterior. “Diversos países conseguem colocar seus produtos no Brasil sem que passem antes por fiscalização. Mas aqui nós sofremos com muita fiscalização e burocracia, ficando inviável competir com o produto internacional. Isso leva a população a correr esse tipo de risco por substituição do pescado”, explicou o empresário, destacando que, no Brasil, o segmento é vistoriado por três ministérios: Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Pesca e Ministério da Agricultura. “Na maioria das vezes um contradiz o outro, dificultando o nosso crescimento no mercado”.

O Rio Grande do Norte e outros estados do Nordeste são conhecidos pela qualidade dos produtos produzidos, situação que chega a gerar uma espécie de “perseguição” por grandes indústrias de pescado do Sul do país, as quais julgam possíveis irregularidades nos pescados nordestinos. Apesar de não acreditar que haja essa perseguição por concorrência com as indústrias no Nordeste, Arimar França Filho questiona a qualidade do produto comercializado.

“Somos contra esse peixe que vem do Sul. Eles produzem muito produto bom, mas o que é distribuído no Brasil é a espécie de baixa qualidade do Vietnã e da China. Os bons são direcionados para os Estados Unidos da América e para a comunidade Europeia”, destacou.

Operação Poseidon

A Polícia Federal deflagrou na última quinta-feira (10) a Operação Poseidon, medida que investiga irregularidades no comércio de peixes de sete empresas do Vale do Itajaí e Litoral Norte de Santa Catarina. O objetivo da operação é apurar se o pescado é conseguido ilegalmente e se há troca de espécies na hora de rotular o produto e vendê-lo ao consumidor. Denúncias que chegaram à polícia apontam que as empresas estariam adquirindo o pescado de forma ilegal, inclusive de peixes em extinção, e trocando as espécies no momento da venda.

As sete empresas que estão sendo autuadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Polícia Federal de SC por suspeita de fraude são: Vitalmar (SIF 327), JMS Indústria e Comércio de Pescados S/A (SIF 3520), Costa Sul Pescados S/A (SIF 3104), Pescados Quatro Mares LTDA (SIF 2731), Indústria e Comércio de Pescados Dona Rose LTDA (SIF 3791), Leardini Pescados LTDA (SIF 2535) e M.S. Luzitania (SIF 4404).

Essas empresas estão sob determinação judicial para busca, apreensão e interdição para ação de fiscais federais agropecuários da área de inspeção de pescado. Todas elas devem entrar em Regime Especial de Fiscalização (REF), que inclui análises de todos os lotes que saírem desses estabelecimentos. A meta agora é aprimorar o sistema de controle de inspeção, além de estender esta ação a outros estados brasileiros.

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