Empresários discutem prejuízo causado pela greve dos ônibus

Comércio natalense apresentou queda de até 60% nas vendas

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Empresários dos setores do comércio e do transporte estão unindo forças para buscar soluções que atendam aos dois segmentos e impeçam perdas significativas nos faturamentos. Com a greve dos rodoviários, o Seturn (Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal) diminuiu o faturamento do mês de junho, bem como os comerciantes, que apostaram no período da Copa do Mundo para aumentar a receita.

Cerca de 520 mil pessoas foram prejudicadas com a greve dos rodoviários, que durou duas semanas, iniciando no primeiro dia dos jogos do Mundial em Natal. Durante o período da greve, finalizada ontem, o transporte coletivo foi realizado com o reforço de microônibus e vans, que não conseguiram atender a demanda diária da população. Em função disso, os dois seguimentos amargaram perdas. No comércio de rua, por exemplo, o prejuízo chegou a 60% em algumas lojas.

A ideia dos empresários do transporte e do comércio é de que a Prefeitura de Natal apresente meios de evitar uma nova greve no transporte público – capaz de afetar diversos setores de atividade. Essa última greve dos rodoviários se deu em função da necessidade do cumprimento do dissídio coletivo dos profissionais, que cobraram reajuste salarial e aumento no valor do vale-alimentação.

Para cumprir com o pleito da categoria, o Seturn avaliou a necessidade de aumento nas passagens de ônibus ou isenção de impostos por parte da Prefeitura de Natal, solução que vem sendo recusada pelo prefeito Carlos Eduardo. No final da manhã de hoje, representantes do transporte público e do comércio se reuniram na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-Natal) para discutir o que ainda pode ser feito.

“Estamos juntando todos os atores que representam a classe prejudicada com a paralisação do transporte público para avaliar o que pode ser feito. Se o transporte para, nós do comércio paramos também, pois as pessoas não têm como sair de casa”, disse George Ramalho, presidente do Sindicato do Comércio Varejista e conselheiro da Fecomércio-RN.

“Em uma greve dessas, os lojistas de shopping ainda conseguem se manter, pois seu público maior é aquele que possui carro próprio. Porém, o comércio de rua depende quase que exclusivamente do transporte público”, avaliou. De acordo com George, os empresários do setor do comércio não defendem o aumento das passagens de ônibus, mas acreditam que a isenção de impostos é a melhor forma de o Seturn conseguir atender a demanda dos rodoviários e investir em novas frotas.

“Essa discussão do que precisa ser feito para evitar greve cabe ao Seturn. O que nós entendemos é que nem a população nem o comércio podem passar por outra crise dessas. Por isso, nos dispusemos a discutir possíveis soluções”, afirmou.

O Seturn vem afirmando que não pode atender 100% do pleito dos rodoviários porque há três anos não há reajuste nas tarifas de ônibus. Desse tempo para cá, o sindicato vem arcando sozinho com todos os prejuízos, incluindo os dissídios coletivos dos anos anteriores. Ainda de acordo com o Seturn, a frota de ônibus não pode ser ampliada nem melhorada porque não existem recursos suficientes para isso.

Na reunião de hoje, o sindicato dos empresários do Transporte Público reuniu representantes da CDL-Natal, Fecomércio e Fiern. Desse encontro é esperada uma comissão com representantes de ambos os setores que possa lutar por melhorias nesses segmentos.

 

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