Empresas nascem no Instagram como hobby e faturam R$ 2 milhões ao ano

No último ano, o engajamento de usuários com marcas no aplicativo cresceu 900% segundo a ComScore

Brigadore nasceu no Instagram e já tem três lojas físicas em Manaus, no Amazonas. Foto: Divulgação
Brigadore nasceu no Instagram e já tem três lojas físicas em Manaus, no Amazonas. Foto: Divulgação

O chef Jamie Oliver pode não ser um grande fã do brigadeiro, mas o brasileiro é. Thiago Castro, de 26 anos, de Manaus, é um deles. Usuário do Instagram desde que a rede social surgiu, em 2010, o designer não demorou em compartilhar com os amigos sua paixão por comida, especialmente por brigadeiros. A cada foto postada de seus experimentos com o doce na cozinha, Castro ganhava mais elogios e pedidos de encomenda.

Formado em design, resolveu apostar no seu talento culinário: criou uma marca, a Brigadore, um logotipo, e um novo perfil no Instagram para aceitar as encomendas que apareciam. Era maio de 2012. Em outubro do mesmo ano, ele inaugurava, com recursos próprios, sua primeira loja física em um bairro nobre da capital amazonense. Hoje, menos de dois anos depois e com a ajuda de dois sócios, a Brigadore possui três lojas – as outras duas em shoppings –, um faturamento de R$ 2 milhões por ano e já pensa em se transformar em franquia.

A Brigadore, com cerca de 7.800 seguidores, é apenas um exemplo de empresa que nasceu no Instagram, que tem sua divulgação centralizada na rede social de compartilhamento de fotos, e que é uma das responsáveis pelo crescimento de 900% no engajamento de usuários com marcas no Instagram no último ano – dados do ComScore. Gerente de Comunicação do Instagram para a América Latina, Melissa Amorim ressalta: “Em uma comunidade de 200 milhões de pessoas, trata-se de uma oportunidade importante para negócios de todos os tamanhos”.

Castro, que gerencia a Brigadore ao lado dos sócios Alan Assis e Bruno Serra Pinto, ainda hoje concentra toda a sua comunicação com os clientes no Instagram. Por enquanto, eles mesmos se encarregam de atualizar o perfil.

O trio possui uma página no Facebook e um site em construção, mas, segundo o designer, o site está sendo feito apenas por uma questão de padronização. “Com as redes sociais ao alcance da mão, é muito mais fácil procurar e encontrar algo pelo smartphone”, afirma.

Castro garante que 80% da sua clientela é formada por seguidores da marca no Instagram que vêem um produto, ficam com vontade de comer, e passam em uma loja para comprar. “As pessoas chegam mostrando a foto do que querem”.

Uma oportunidade de fazer o que gosta

Se para Castro a iniciativa do Instagram já está rendendo milhões de reais, para Marina Bortoluzzi e Marcelo Pimentel, um único perfil na rede social se tornou a oportunidade que eles queriam de fazerem o que gostam.

Donos do Instagrafite, galeria virtual de arte de rua com mais de um milhão de seguidores, os publicitários estão desde o início do ano desenvolvendo trabalhos que são consequência do sucesso que suas postagens fazem na comunidade de amantes do street art.

De acordo com os sócios, no início do perfil, criado em outubro de 2011, 300 a 500 novos usuários surgiam a cada dia e, em um ano, o Instagrafite já estava com 400 mil seguidores. No entanto, naquela época, os dois trabalhavam em agências de publicidade e encaravam o perfil como algo paralelo. “As marcas já nos viam como mídia, mas para nós ainda era um projeto”, conta Marina.

“A ficha caiu” quando, ao receberem um convite para participar de um evento em Montreal, no Canadá, em junho do ano passado, conseguiram patrocínio com uma marca estrangeira que já estava interessada em ser parceria do Instagrafite há tempos. Foi então que o perfil criado por Pimentel como hobby se transformou em empresa, com CNPJ, e que já atua além-mar.

Atualmente, Marina e Pimentel, que são casados, apostam na diversificação para não depender apenas do perfil no Instagram. Além de produzir conteúdo para marcas, a dupla atua como curador de artistas de rua em projetos e exposições, vende produtos próprios como camisetas e adesivos em uma loja virtual, ministra um curso sobre arte de rua, desenvolve três projetos para leis de incentivo e prepara o lançamento de um aplicativo de realidade aumentada para ajudar usuários de smartphones a identificar trabalhos que encontram pelas ruas do mundo todo.

Com o dinheiro que estão ganhando, já investiram em um escritório na casa onde moram e não precisam mais trabalhar em agências como antigamente. “Nós não temos a pretensão de ser milionários. Fizemos um cálculo da nossa hora para ter como base ao cobrar pelos trabalhos e é isso. Hoje o que temos de mais valioso é o nosso tempo. É poder passar a tarde acompanhando o trabalho de um artista, fazendo fotos do seu grafite. Usamos nosso potencial criativo para tirar do papel nossas próprias ideias”, explica Pimentel.

Além disso, em todos as frentes em que trabalha, o Instagrafite procura parceiros que possam entrar no negócio, seja com sua experiência prévia ou com investimento,como no caso do aplicativo.

De acordo com o publicitário, desde o início, em outubro de 2011, o perfil do Instagrafite teve um crescimento orgânico, natural. Diferente de outras redes sociais, o Instagram ainda não possui ferramentas para impulsionar as marcas como já faz o Facebook, por exemplo. Também não há, pelo menos no Brasil, a possibilidade de pagar por postagens ao Instagram para aparecer na linha do tempo de mais usuários.

No começo, as fotos postadas eram as tiradas apenas por eles. Ao poucos, as pessoas foram mandando contribuições e o Instagrafite passou a ser colaborativo por meio da hashtag #instagrafite. Hoje, de acordo com Marina, os colaboradores são fixos e foi preciso abandonar a palavra-chave porque ela começou a ser usada aleatoriamente por perfis em busca de mais seguidores: “a hashtag virou sinônimo de muitas curtidas”.

Dicas para um perfil de sucesso no Instagram:

1) Escolha uma comunidade: Segundo Pimentel, para ter um perfil bem sucedido, é preciso apostar em um assunto. “O Instagram é uma rede social de comunidades, comunidade de pessoas que gostam de arte de rua, de cachorro, e assim por diante. Se a informação que aquele perfil tem para passar for importante para aquelas pessoas, elas vão se interessar”.

2) Poste fotos de qualidade: Por ser uma rede social de fotos, ainda que permita também a postagem de vídeos, as imagens precisam ter qualidade na opinião da dupla do Instagrafite, que exatamente por esse motivo escolheu montar uma equipe fixa de colaboradores. “Nossas fotos sempre têm um enquadramento parecido e uma luz semelhante para valorizar o trabalho”.

3) Produza seu próprio conteúdo: Marina afirma que produzir conteúdo próprio e creditar as pessoas responsáveis pelas fotos também foi importante para a credibilidade do perfil. No Instagrafite não tem “repostagem”.

4) Siga para agregar: Pimentel se diz contra a atitude de algumas marcas que seguem todo mundo, para que eles sigam de volta, e depois deixam de segui-los. Os perfis seguidos precisam ter coerência com a proposta: “a lista de quem seguimos é quase um espaço nobre”, brinca.

5) Respeite os seguidores: “É preciso ter uma boa relação com a comunidade, escutar e respeitar os seguidores”, alerta Pimentel. Castro, da Brigadore, também ressalta importância da comunicação com os usuários, e afirma que sempre que possível responde perguntas pelo perfil da marca. “Só orçamentos e questões específicas que direcionamos para o e-mail. Mesmo reclamação eu já respondi”.

6) Tenha frequência e estude os horários: Castro ressalta que postar com frequência é importante para que a marca seja lembrada. No perfil da Brigadore, são três posts por dia, em média, um por volta das 11h, para apresentar os sabores do dia, um depois do almoço e um no final de tarde. Já no Instagrafite, que tem seguidores de todo o mundo, os melhores horários, por questão de fuso, são 1h da madrugada e 7h da manhã. “O fuso do Brasil é ótimo para postagens internacionais”, diz Pimentel.

7) Pense bilíngue: se o assunto do perfil ou da marca tiver chances de alcance internacional, poste também em inglês. “Nós escrevemos em português para valorizar nossa origem e em inglês para ser entendido por todo mundo”, afirma Marina, que ressalta que é importante escrever em português para a nacionalidade do perfil não ser ignorada. “Ainda assim, muita gente acha que somos de fora, que estamos baseados nos Estados Unidos ou na Europa. No futuro, talvez estejamos”.

8) Lembre que é um negócio: Melissa Amorim, do Instagram, sugere que os usuários não percam seus objetivos de negócios de vista: “considere como o Instagram pode colaborar para sua estratégia de comunicação. O objetivo é aumentar o conhecimento da marca, mudar a percepção ou atingir um novo público?”.

9) Conte a sua história: Para Melissa, é importante mostrar o que o usuário tem de diferente de todas as outras empresas do mercado, seus bastidores, os processos criativos por trás do seu produto ou serviço. Compartilhe os momentos e o ponto de vista da sua marca.

10) Teste: Experimente formatos, temas e abordagens diferentes. “Assim você passará a entender e mapear o que gera mais engajamento na sua página”, sugere Melissa.

Fonte: IG

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