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Encantos poéticos no Dia da Mulher

Data: 08 março 2013 - Hora: 17:42 - Por: Dani Pacheco

“A poesia é para ser lida com demora. Ser relida com mais demora ainda. Os leitores de poesia são consumidores do tempo de leitura e eles crescem como fermento em pão. Tem o tempo da espera. Os números não contam tanto! O que vale nessa matemática é a qualidade do que se lê”, declarou em entrevista para O JORNAL DE HOJE a poetiza Lisbeth Lima.

Lisbeth Lima será uma das convidadas de hoje no evento que a União Brasileira de Escritores – UBE/RN e a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANL promovem para celebrar o Dia Internacional da Mulher (8) e o Dia da Poesia (14), a partir das 18h, na sede da ANL, à Rua Mipibu, 443 – Petrópolis.

Na ocasião, a poetisa vai fazer parte da mesa onde será debatido o tema “Por que sou poeta?”, ao lado do poeta Alexandre Abrantes e do presidente da ANL Diógenes da Cunha Lima Eduardo Gosson (UBE-RN). “Ser poeta nos dias de hoje é estar numa eterna busca para descobrir nas palavras a função estética delas”, disse o presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.

A programação especial ainda conta com uma homenagem a dez mulheres escolhidas pela UBE. Em seguida, será realizado o “Sarau Elas por Eles”, onde doze poetas declamam dois poemas sobre mulheres. E, para encerrar a noite acontecerá o show de Lucinha Lira.
Doutora em Literatura, após um ano morando em Paris, distante do circuito cultural potiguar, Lisbeth Lima que encanta com seus versos ao exaltar o Belo e o amor, dona de uma sensibilidade contagiante, está de volta e para brindar esse dia nada melhor que uma conversa sobre poesia.

O JORNAL DE HOJE – O que é ser poeta?
Lisbeth Lima – Ser poeta é escrever o mundo. É, sobretudo, ser observadora desse mundo usando todos os sentidos.

O JORNAL DE HOJE – O Rio Grande do Norte é celeiro de grandes poetas. Poderia citar algumas?
Lisbeth Lima – É difícil mensurar o “grande poeta”. Alguns são mais lidos. Seria essa a medida de ser um grande poeta? Mas é certo que entre os mais lidos estão Zila Mamede e Miriam Coely.

O JORNAL DE HOJE – E, na atualidade?
Lisbeth Lima – Diva Cunha, Iracema Macedo, Marize Castro, Iara Carvalho.

O JORNAL DE HOJE – Qual o papel da mulher na literatura potiguar?
Lisbeth Lima – O mesmo de ser mulher em qualquer segmento.  Como já comentei outra vez, numa entrevista, não considero que a poesia escrita por mulher deva ser diferente daquela escrita por homens. Claro, que sobre alguns temas é possível que um homem escreva melhor do que uma mulher e vice e versa. Chico Buarque escreve sobre mulheres dizendo algumas vezes coisas que as próprias mulheres não conheciam. É muito pessoal a minha posição quando digo que a literatura não deve ser uma área de militância, seja ela qual for: política, religiosa, racial. O poeta tem que ser livre e universal em seus escritos.

O JORNAL DE HOJE – É possível dizer que ultimamente tem crescido o interesse pela poesia?
Lisbeth Lima – A poesia é para ser lida com demora. Ser relida com mais demora ainda. Os leitores de poesia são consumidores do tempo de leitura e eles crescem como fermento em pão. Tem o tempo da espera. Os números não contam tanto! O que vale nessa matemática é a qualidade do que se lê.

O JORNAL DE HOJE – Colocar os sentimentos numa folha de papel é o suficiente para produzir uma boa poesia?
Lisbeth Lima – Não, não é suficiente. Pode ser um bom começo.

O JORNAL DE HOJE – Então, o que é preciso?
Lisbeth Lima – É importante que a poesia ultrapasse a  folha de papel e que o sentimento não seja somente o do poeta mas que reflita um sentimento universal.

O JORNAL DE HOJE – Quando a senhora pretende lançar outro livro?
Lisbeth Lima – Tenho escrito com frequência. É possível que ainda esse ano.

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