Enrico Fermi: “Rio Grande do Norte está na contramão do desenvolvimento”

Fórum está sendo realizado no Centro de Convenções

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

Sem a presença de Alisson Barros Paolinelli, diretor-presidente do consórcio Inframérica, que constrói e administrará o Aeroporto Aluizio Alves, em São Gonçalo do Amarante, a quinta edição do Fórum de Turismo do Rio Grande do Norte foi aberta hoje no Centro de Convenções de Natal.

Desde domingo último na cidade, Paolinelli, que deveria ter feito a palestra inaugural, teve que viajar às pressas para atender a uma convocação do Ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, para discutir exclusivamente os preparativos para o Carnaval.

Substituto natural para cobrir a ausência, o superintendente do novo terminal, engenheiro Ibernon Gomes, conseguiu mostrar a preocupação instalada no consórcio em relação ao que ele qualificou de “zona de conforto” que imobiliza o turismo do Rio Grande do Norte. Não disse onde estaria instalado esse problema, mas, a julgar pela reação dos presentes, todos já sabiam.

“Não é possível entender como um estado com 440 km de praias habitadas esteja nessa situação”, lamentou o executivo da Inframérica, que há 15 anos já acompanhava o nascimento da pista do terminal quando o projeto ainda era um assunto integral da Infraero antes de se transformar no primeiro modelo de aeroporto privado do país.

A mesma perplexidade de Ibernon Gomes foi repartida com outros participantes do primeiro painel do evento, como o presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira, o potiguar Enrico Fermi, na sua segunda gestão.

Numa entrevista dada pouco antes ao JH, Fermi disse que o Rio Grande do Norte e a Bahia são os dois únicos casos no Nordeste de retrocesso em relação ao turismo – e isso por total falta de investimento e interesse dos governantes.

“Estamos na contramão do desenvolvimento, numa época em que o país conquistou 35 milhões de novos consumidores para as coisas boas da vida como o turismo”, lembrou Fermi. Ele lembrou que a queda do setor de turismo do RN já atingiu expressivos 35%, o que deixa em alerta todos os segmentos que compões a atividade.

Organizado pela Argus Eventos para reunir todos os principais temas e agendas do turismo num só local – sem se descuidar dos agentes de viagem, cuja programação inicia amanhã -, o Fórum já teve dias melhores. A edição aberta nesta quarta-feira refletiu o desânimo em se debater claramente os problemas do setor, que não são poucos e estão à vista de todos.

Durante a fase de apresentação das autoridades convidadas, alguns deles como o próprio presidente da ABIH, Enrico Fermi, ou a deputada Márcia Maia, representando a Assembléia Legislativa, esboçaram críticas ao descaso com que a segurança pública e os acessos ao novo aeroporto vêm sendo tratados. Mas logo esse conteúdo mais denso era relativizado por declarações simpáticas, evocando a importância histórica de Natal como destino repleto de belezas e possibilidades.

A programação manteve cases de sucessos de outros estados – o que seria ótimo se o ambiente interno estivesse propício a absorver esses estímulos.

O superintendente da Inframérica, Ibernon Gomes, bem que procurou externar em sua palestra um pouco das preocupações presentes no consórcio que pretende atingir a meta de operar com 6 milhões de passageiros/ano no médio prazo. Mas logo ele se lembrava da sua posição institucional de representante de uma organização que constrói e administra aeroportos e mudava de assunto, passando a promover a empresa e suas ações.

Com previsão de circulação de cerca de mil pessoas por dia, o Fórum acabou diluindo temas considerados inconvencientes neste momento para o governo Rosalba Ciarlini, como a decadente malha aérea do RN.

A programação ainda conta com temas como o turismo criativo, a força do destino Natal no Brasil, e casos bem-sucedidos no turismo do Sul, que servem como exemplos para o Rio Grande do Norte.

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