Entenda como o ‘BBB14′ leva ao auge a cultura do ‘periguetismo’

Há tempos a mulher que veste roupas curtas, tem personalidade forte e aposta nas curvas para chamar a atenção da rapaziada faz parte dos roteiros de novela

Da Polônia aos Estados Unidos, já foram feitas as mais variadas versões para o reality show que confina em uma mesma casa um grupo de pessoas em busca de fama e de um tentador prêmio em dinheiro, e que talvez seja o mais popular do mundo no gênero, o Big Brother. Na sua fórmula de sucesso, que explica a difusão e a longevidade do programa, criado em 1999 pelo holandês John de Mol, está uma apurada escolha dos participantes. Escolha que tem cores locais, de acordo com os gostos e a cultura de cada país, e que no Brasil costuma privilegiar corpos bombados e sarados, com destaque para aquela figura que já tomou o centro na teledramaturgia nacional: a periguete. Protagonista da versão do reality exibida pela Globo, o tipo parece chegar ao auge nesta 14ª edição, em que, além de ser representado com louvor pela eliminada Letícia, tem outras várias candidatas (e até candidatos) a carregar adiante o seu estandarte.

Aline até tenta, mas, apesar de sensualizar, não consegue pegar nenhum brother. Ao que parece, sua vida amorosa não é um grande sucesso fora do programa também. “Só tive um namorado, o resto, nenhum quis me assumir”, disse a atriz à amiga Angela. Enquanto não tem sorte no amor, faz questão de não deixar os casais ao redor viverem em paz. Depois de falar mal de Letícia e Junior, Letícia e Marcelo e Roni e Tatiele, agora Angela e Marcelo se tornaram seu novo alvo de recalque.
Aline até tenta, mas, apesar de sensualizar, não consegue pegar nenhum brother. Ao que parece, sua vida amorosa não é um grande sucesso fora do programa também. “Só tive um namorado, o resto, nenhum quis me assumir”, disse a atriz à amiga Angela. Enquanto não tem sorte no amor, faz questão de não deixar os casais ao redor viverem em paz. Depois de falar mal de Letícia e Junior, Letícia e Marcelo e Roni e Tatiele, agora Angela e Marcelo se tornaram seu novo alvo de recalque.

Dos vinte participantes iniciais da casa, todas as mulheres se encaixavam num padrão. Eram todas esbeltas, torneadas e jovens – as duas mais velhas, Princy e Aline, têm apenas 32 anos. Entre os homens, o modelo é parecido, com uma explosão dos músculos, é claro. Deles, o já eliminado Vagner era o mais velho, com meros 37 anos.

“A periguete já se tornou um arquétipo feminino. Seus principais atributos são a determinação e o apelo sensual, bem ao gosto popular. Ela tem admiradores tanto quanto provoca repulsa”, diz Wilson José Gonçalves, professor de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e autor do estudo Periguete – Arquétipo Feminino.

Há tempos a mulher que veste roupas curtas, tem personalidade forte e aposta nas curvas para chamar a atenção da rapaziada faz parte dos roteiros de novela. Bons exemplos disso são a Darlene (Deborah Secco) de Celebridade (2004), a Suelen (Isis Valverde) de Avenida Brasil (2012), e, recentemente, em uma versão por assim dizer diferenciada, a Valdirene (Tatá Wernek) de Amor à Vida. A última, aliás, passou 12 horas confinada no BBB14 com os demais participantes do reality, período em que, pautada para fazer graça, despejou no ar todos os clichês conhecidos da atração, como dançar até o chão nas festas, fazer amizades eternas em vinte minutos ou levar um dos rapazes descamisados para debaixo do edredom.

Fani foi outra que abusou das roupas curtas e deu trabalho nas festas com uma série de coreografias sensuais. Além disso, a sister beijou o vencedor da edição, Diego Alemão, que, aliás, já tinha um caso com a hoje apresentadora Íris Stefanelli. Ao sair do confinamento, após dez semanas, Fani posou duas vezes para a PLAYBOY, uma delas ao lado de Natália, do BBB8, e chegou a voltar ao reality show em 2013. Ela ainda aproveita o status de ex-BBB e trabalha como modelo e apresentadora.
Fani foi outra que abusou das roupas curtas e deu trabalho nas festas com uma série de coreografias sensuais. Além disso, a sister beijou o vencedor da edição, Diego Alemão, que, aliás, já tinha um caso com a hoje apresentadora Íris Stefanelli. Ao sair do confinamento, após dez semanas, Fani posou duas vezes para a PLAYBOY, uma delas ao lado de Natália, do BBB8, e chegou a voltar ao reality show em 2013. Ela ainda aproveita o status de ex-BBB e trabalha como modelo e apresentadora.

Porém, justiça seja feita: os homens do BBB14 provam que os sintomas de “periguetismo” não são inerentes apenas às mulheres. Assim como as moçoilas, os brothers exibem corpos esculpidos à base de muita malhação (e whey protein), sensualizam à beira da piscina e não perdem tempo na tentativa de levar a melhor com as garotas da casa. Roni e Júnior que o digam. O primeiro fez par com a sonsa Tatiele, mas era um poço de atenção com o “irmão” Marcelo. Enquanto Júnior, no pouco tempo que ficou confinado, se envolveu com Angela e Letícia, sendo que tinha uma namorada fora da casa.

Segundo a socióloga Claudete Pagotto, da faculdade Metodista, é normal o espectador assistir a um programa de TV e se sentir atraído por aquela trama, por se identificar com o que vê ou por querer ser igual ao que está no ar. “Se alguém tem o corpo bonito, é extrovertido e chama a atenção, essa pessoa tem características que promovem o desejo no outro, que busca se espelhar.”

Do tipo que gosta de chamar a atenção, a stripper Clara só não pendura uma melancia no pescoço porque o acessório vai esconder seus 700 ml de silicone (em cada seio). As roupas curtas – ou a falta delas – é apenas um dos pontos usado pela loira para se destacar. Apesar de ter um marido fora da casa, ela protagoniza o primeiro romance gay da história do programa no Brasil, com a sister Vanessa. Quando abre a boca para falar, Clara sempre tem algum comentário sexual a fazer, na tentativa de chocar os colegas e o público.
Do tipo que gosta de chamar a atenção, a stripper Clara só não pendura uma melancia no pescoço porque o acessório vai esconder seus 700 ml de silicone (em cada seio). As roupas curtas – ou a falta delas – é apenas um dos pontos usado pela loira para se destacar. Apesar de ter um marido fora da casa, ela protagoniza o primeiro romance gay da história do programa no Brasil, com a sister Vanessa. Quando abre a boca para falar, Clara sempre tem algum comentário sexual a fazer, na tentativa de chocar os colegas e o público.

Jovens e belos – A persistência do formato em alguns países, como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, e o tipo de participante escolhido fazem com que o Big Brother seja uma espécie de espelho da sociedade em que ele é exibido. Se no Brasil existe a predominância do silicone e da juventude, em outros lugares a seleção é mais variada. Na Alemanha, por exemplo, a última edição do programa tinha quatro participantes entre 60 e 70 anos. O país que é tido como frio pelos brasileiros, aliás, já teve muito mais cenas de nudez e sexo no Big Brother, outro diferencial cultural. Já no Big Brother de Israel, dos 23 últimos candidatos selecionados, seis tinham entre 40 e 60 anos, e a maioria era feita de pessoas comuns, com belezas variadas e poucas beldades. As inevitáveis comparações entre os exemplos citados e a edição nacional revelam a diferença de valores da sociedade brasileira para a europeia, por exemplo. Ser velho, em terras tupiniquins, é sinônimo de rugas e não de experiência.

Vencedora do BBB11, Maria teve trabalho para acabar com sua fama de “pegadora” na casa ao beijar Maurício (Mau Mau) e Wesley. Ao final do programa, Maria posou para a PLAYBOY e para a Sexy. A ex-BBB continuou trabalhando como atriz e modelo e passou por momentos difíceis recentemente, quando foi diagnosticada com um câncer no fígado, vencido em 2013.
Vencedora do BBB11, Maria teve trabalho para acabar com sua fama de “pegadora” na casa ao beijar Maurício (Mau Mau) e Wesley. Ao final do programa, Maria posou para a PLAYBOY e para a Sexy. A ex-BBB continuou trabalhando como atriz e modelo e passou por momentos difíceis recentemente, quando foi diagnosticada com um câncer no fígado, vencido em 2013.

“Nas primeiras edições do Big Brother, o espectador podia ter a sensação de que era fácil entrar na casa. Essa ilusão tem se dissipado, pois agora se sabe que sempre são escolhidas as pessoas plastificadas, com padrões que, embora admirados, são fora do comum”, diz Cosette Castro, professora de Comunicação da Universidade Católica e autora do livro Por que os Reality Shows Conquistam as Audiências? (editora Paulus, 72 páginas, 2006). “Vivemos no Brasil a cultura das periguetes, em que não é valorizado o que você pensa, mas o que você mostra fisicamente.”

Uma das principais periguetes da história do programa, Renata, ou Renatinha, deixou uma lista extensa de affaires dentro da casa. Além de beijar Jonas, a mineira foi para debaixo do edredom com Ronaldo e ainda teve um breve caso com Rafa. Estudante de psicologia na época, Renata posou para a PLAYBOY após o fim do programa e hoje trabalha como modelo.
Uma das principais periguetes da história do programa, Renata, ou Renatinha, deixou uma lista extensa de affaires dentro da casa. Além de beijar Jonas, a mineira foi para debaixo do edredom com Ronaldo e ainda teve um breve caso com Rafa. Estudante de psicologia na época, Renata posou para a PLAYBOY após o fim do programa e hoje trabalha como modelo.

As maiores periguetes do ‘BBB’

Reality shows – Nada de George Orwell. Nada de literatura. Foi ao ouvir falar do experimento científico Biosfera 2, que se tornou uma piada no meio acadêmico, que o produtor de TV holandês John De Mol teve a ideia de criar o Big Brother, há 15 anos. Com um investimento de 150 milhões de dólares, o Biosfera 2 instalou nos Estados Unidos uma estufa gigantesca com uma reprodução, em seu interior, de cinco ecossistemas do planeta em miniatura: deserto, oceano, floresta tropical, savana e pântano. Foi confinada ali uma equipe que deveria criar uma comunidade autossustentável, durante um isolamento de dois anos. Se funcionasse, a estrutura seria implantada em Marte. Contudo, o projeto fracassou. As plantações não supriram a fome, o oxigênio não foi reciclado corretamente, levando à injeção de novo ar fresco na estufa, e os candidatos sentiram falta das facilidades do mundo exterior – um chegou a adoecer e ser retirado para tratamento. Após três anos e duas equipes que se revezaram no confinamento, os participantes deixaram o experimento famintos, pálidos e infelizes.

Cristiane Souza Dantas, mais conhecida como Xaiane, foi a primeira periguete do BBB. Ela participou da edição de estreia do reality show e, apesar de ter sido a segunda eliminada da casa, teve tempo suficiente para ir para debaixo do cobertor com Kléber Bambam – o vencedor daquela edição. Ela também foi a primeira ex-BBB a posar nua para uma revista masculina. Xaiane, que era dançarina na época, trabalha hoje na área de qualidade de uma empresa do setor de energia.
Cristiane Souza Dantas, mais conhecida como Xaiane, foi a primeira periguete do BBB. Ela participou da edição de estreia do reality show e, apesar de ter sido a segunda eliminada da casa, teve tempo suficiente para ir para debaixo do cobertor com Kléber Bambam – o vencedor daquela edição. Ela também foi a primeira ex-BBB a posar nua para uma revista masculina. Xaiane, que era dançarina na época, trabalha hoje na área de qualidade de uma empresa do setor de energia.

Vexame para a ciência, um marco para a televisão. “A meu ver, os fatores que levaram ao fracasso do Biosfera 2 são exatamente os ingredientes que fazem o sucesso do Big Brother”, contou John De Mol à revista VEJA. “Entrevistamos pessoas que ficaram isoladas no projeto e tiramos lições que foram aproveitadas na TV”, disse.

Andressa, a periguete da última edição do BBB, teve um longo caso dentro do confinamento com Nasser, com quem trocava beijos e carícias constantemente. O único problema é que ela havia deixado um namorado fora da casa, o advogado Jean Nunes, com quem estava fazia nove anos. Ao final do programa, Andressa posou para a PLAYBOY. Hoje, trabalha como esteticista.
Andressa, a periguete da última edição do BBB, teve um longo caso dentro do confinamento com Nasser, com quem trocava beijos e carícias constantemente. O único problema é que ela havia deixado um namorado fora da casa, o advogado Jean Nunes, com quem estava fazia nove anos. Ao final do programa, Andressa posou para a PLAYBOY. Hoje, trabalha como esteticista.

Apesar de ser um dos principais sucessos no formato, o Big Brother não foi o primeiro reality show. Quem segura o título de precursor do formato é o programa An American Family, exibido nos Estados Unidos em 1973, pelo canal PBS. Durante cerca de sete meses, a família Loud, composta pelo casal Bill e Pat e seus cinco filhos, foram filmados e tiveram suas vidas editadas em um documentário de 12 horas, divido em capítulos. O reality não terminou bem e culminou com o divórcio do casal. Mais tarde, o drama serviu de inspiração para o cineasta e ator Albert Brooks criar o filme Real Life (1979), em que um produtor sem pudores manipula a vida de uma família enquanto roda um programa de TV sem roteiro.

 

 

Fonte: Veja

 

 

 

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