Entidades buscam reduzir perdas com desativação do Augusto Severo

Uso do terminal justifica o grande investimento gasto na reforma

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

Um Centro de Convenções, uma estação de ônibus metropolitano, um Ceasa para desafogar a hoje espremido em Lagoa Nova. Muitas idéias para tentar impedir a devolução de área de 42 hectares de um total de mil hectares pertencentes às Forças Armadas e dentro dos quais funcionava até poucos dias atrás o extinto Aeroporto Augusto Severo, em Paranamirim.

Com atraso de pelo menos dois anos, o problema finalmente deve cair no colo do presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, considerado o padrinho maior do novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante que leva o nome do pai dele, o ex-governador Aluízio Alves.

Hoje, algumas das lideranças que estiveram na última sexta-feira durante a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Sebrae-RN, convocada justamente para debater o problema, estarão levando o assunto para o deputado, a figura mais influente do Estado na esfera federal. Entre eles, o presidente da Federação da Agricultura, José Álvares Vieira, disse que a esperança é que o deputado intervenha diretamente para evitar mais essa perda econômica para o RN.

A única dúvida até hoje pela manhã é se o encontro no apartamento de Henrique de Natal, inicialmente marcado para as 18 horas, começaria com esse tema ou outro ligado à energia eólica.

A alegação em favor de um novo uso econômico para o Augusto Severo é de que há muito dinheiro do Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo do Estado) aplicado no antigo aeroporto e que a Aeronáutica não precisa de toda aquela área de volta, podendo perfeitamente ceder um terço para a execução de um projeto que minimize ou compense a perda e empregos e renda do município de Parnamirim.

O presidente da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do RN, Marcelo Queiroz, bem que tentou liderar o processo, resgatando um projeto de gaveta feito pela entidade há dois anos, propondo a transformação da área do terminal num Centro Comercial bem maior que o de Natal. E, apara agradar a aeronáutica, junto com um museu alusivo ao Augusto Severo e sua marcante história por ocasião da Segunda Grande Guerra.

No fim do encontro, ficou decidido que é preciso primeiro apagar o incêndio, ou seja, evitar a devolução das instalações do aeroporto e estacionamento. Feito isso então se abriria um processo maior de consultas junto a sociedade, por meio de audiências pública, para que se iniciasse um novo projeto de utilização.

Já o Sebrae-RN defende que qualquer debate hoje sobre uma possível utilização do terminal é irrelevante e que a prioridade é ajudar a Aeronáutica na criação de seu centro de treinamento. Num segundo momento se iniciaria o processo de incorporação desse debate ao programa Mais RN, desenvolvido pela Fiern, Governo do Estado, com a consultoria da Macroplan, para evitar uma dispersão inconveniente de todo o debate.

Neste sábado, O JORNAL DE HOJE contatou o secretário de Turismo de Parnamirim , Lailson Wanderlei, que disse desconhecer o teor do encontro no Sebrae-RN.“Não fomos convidados e até onde sei o prefeito esteve no mês passado no Augusto Severo e foi comunicado sobre o retorno da área do aeroporto para a Aeronáutica”, informou.

Desde que foi anunciada a transferência das operações para o aeroporto de São Gonçalo, houve tentativas individuais e coletivas para tentar manter o emprego de comerciários e pelo menos 140 taxistas, que não poderiam transferir suas licenças para uma praça nova. Nenhuma dessas tentativas prosperou.

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