Entre 2% e 5% das crianças têm orelha de abano; saiba o que causa

Entre 2% e 5% das pessoas têm orelha de abano. Saiba o que causa e o que pode ser feito se for o caso do seu filho

 A orelha normal tem uma curvatura que segue e lá em cima divide em duas cristas. Foto: Divulgação
A orelha normal tem uma curvatura que segue e lá em cima divide em duas cristas. Foto: Divulgação

Dumbo! Orelha! Orelhudo! Orelha de burro! Muitos apelidos para uma característica só – a maioria deles bem desagradável. A orelha de abano atinge entre 2% e 5% da população. É um número pequeno, mas que a gente sabe que pode ser motivo de incômodo e bullying.

O que define a orelha de abano é fugir da normalidade. Mas ela pode se apresentar de várias maneiras, com graus mais ou menos intensos. A orelha normal tem uma curvatura que segue e lá em cima divide em duas cristas. Quando tem um plano só, ou seja, a bordinha da orelha não faz a curva e não acaba nas duas cristas, é uma orelha de abano. Outro caso de orelha de abano é quando ela cresce na concha, ou seja, nessa parte de cima. O último caso é quando ela se afasta da cabeça na região posterior.

É genético?

Orelha é que nem mão, ou nariz. Não que sejam iguais, mas todos eles mudam de uma pessoa a outra e podem encontrar semelhanças numa mesma família.

Não existe nenhum gene que cause a orelha abano. Mas tem famílias com muitos casos – e não necessariamente todos os irmãos, por exemplo, vão ter. Segundo o cirurgião plástico Pablo Rassi Florêncio, filho de Rosane e Rodopiano, provavelmente há uma hereditariedade. “Quer dizer, a gente sabe que aquilo é herança, como um nariz maior. Mas sempre existem os primeiros casos na família”, explica.

Segura!

Algumas intervenções podem funcionar, outras não. Existem muitos mitos em torno da orelha de abano, como o caso das faixas. Segundo Pablo, isso apenas resolveria total ou parcialmente dentro de 20 ou 30 dias após o nascimento. Depois disso, a orelha vai ficando mais firme. “Tem gente que cola a orelha e aparece com o dedo colado! De uma forma geral, as faixas e a cola não causam grandes malefícios, mas também não resolvem”, conta Pablo. No caso da orelha de abano, apenas a cirurgia funciona.

Operar ou não

A cirurgia que resolve esse problema é a Otoplastia, e pode corrigir um defeito na estrutura das orelhas presente desde o nascimento, que se torna aparente com o desenvolvimento, ou tratar as orelhas deformadas causadas por lesão. É esta cirurgia a responsável pela criação de uma forma natural, dando equilíbrio e proporção às orelhas e à face.

Apesar de a maioria das pessoas passarem pelo procedimento quando adulta, alguns pais preferem que seus filhos tenham as orelhas corrigidas ainda quando crianças. E a escolha, neste momento, é deles. Segundo o médico cirurgião, a idade ideal para fazer a Otoplastia é a partir dos 5 anos, porque até aí a orelha está crescendo, chegando ao seu formato e tamanho. O melhor é que seja feita a partir dos 7 anos.

A anestesia varia: pode ser local ou geral, dependendo da idade. “Em crianças menores pode ser que façamos cirurgia geral, pois elas não colaboram tanto”, explica o médico.

O ideal da cirurgia é que dê um aspecto natural à orelha, ou seja, ao olhar a pessoa de frente, você enxergue a curvatura da orelha, não a deixando com a parte superior “para trás”, como se estivesse colada.

O pós-operatório

É a parte que gera mais dúvidas e mitos. Pode acontecer sangramento, alguns hematomas e machucados por causa da faixa de compressão. A criança operada vai tomar antiinflamatórios e analgésicos.

Segundo Pablo, casos de infecção são raros, mas podem acontecer. “Para evitar, a gente costuma dar algum antibiótico já na cirurgia. Fora isso, são necessários alguns cuidados na hora de dormir, pois é neste momento em que algumas pessoas podem fazer um movimento brusco, arrebentando um ponto, fazendo com que a orelha volte ao lugar e o problema perdure”, finaliza Pablo.

MUMTY

Consultoria: Dr. Pablo Rassi Florêncio, cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é graduado em Medicina e pós-graduado em Cirurgia Geral pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), filho de Rosane e Rodopiano. 

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