Entre os bens declarados por candidatos, muito dinheiro ‘no colchão’

Além de Dilma, pelo menos outros 16 postulantes aos governos federal e estadual declararam ter altas quantias em casa

Candidato ao governo do Acre pelo PSDB, deputado Márcio Bittar, informou ter R$ 651.900 em casa. Foto: Divulgação
Candidato ao governo do Acre pelo PSDB, deputado Márcio Bittar, informou ter R$ 651.900 em casa. Foto: Divulgação

A presidente Dilma Rousseff (PT) está longe de ser a única candidata nas eleições deste ano a declarar manter elevadas quantias de dinheiro em casa. Além de Dilma, dois outros candidatos à Presidência e pelo menos 14 candidatos a governos estaduais também informaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao registrarem suas candidaturas, manter dinheiro em espécie. Entre os presidenciáveis, o candidato do PRTB, Levy Fidelix, diz manter R$ 140 mil, e o candidato do PSDC, José Maria Eymael, declarou que ele e a mulher têm R$ 2 mil.

A Justiça Eleitoral ainda não disponibilizou os dados de todos os candidatos ao governo — nove unidades da federação, entre elas Minas Gerais e São Paulo, não tinham qualquer registro revelado até a noite de ontem —, mas um levantamento feito pelo GLOBO nos dados disponíveis até agora mostra que ao menos 14 candidatos a governador também informaram ter dinheiro em espécie.

Montantes de até R$ 650 mil

O que declara maior montante é o candidato ao governo do Acre pelo PSDB, deputado Márcio Bittar, que informa ter R$ 651.900. No Tocantins, o candidato ao governo pelo Solidariedade, Sandoval Cardoso, registrou R$ 460 mil “em poder do declarante”. Em Roraima, o candidato do PSB ao governo, Chico Rodrigues, declarou ter R$ 455 mil em “numerário em cofre particular”. O ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria Armando Monteiro (PTB), que disputa o governo de Pernambuco, informou ter R$ 250 mil em seu poder.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga, candidato do PMDB ao governo do Amazonas, declarou ter R$ 140 mil em moeda nacional e R$ 25 mil em moeda estrangeira. Seu concorrente pelo PROS, José Melo, diz ter R$ 220 mil em espécie. Em Santa Catarina, três candidatos ao governo declararam posse de dinheiro em moeda: Claudio Vignatti (PT), com R$ 190 mil, Paulo Bauer (PSDB), com R$ 75 mil, e Janaina Deitos (PPL), com R$ 5 mil.

No Mato Grosso do Sul, o candidato do PMDB, Nelsinho Trad, disse ter R$ 100 mil em espécie e, no Mato Grosso, o senador Pedro Taques (PDT), que concorre ao governo, informou ter R$ 35 mil. Candidato tucano ao governo do Pará, o ex-governador do estado Simão Jatene declarou ter em casa R$ 34 mil e o candidato do PSL ao governo do Rio Grande do Norte, Araken, R$ 21.450. Em Alagoas, Eduardo Mendes (PSDB) disse ter R$ 10 mil em espécie.

Perda de R$ 34 mil

Esse tipo de declaração, no entanto, chama a atenção de economistas, pois implica em perda elevada de ganhos. No caso da presidente Dilma, só nos últimos quatro anos ela abriu mão de receber pelo menos R$ 34 mil em correção. Em 2010, na primeira vez que disputou a Presidência, ela informou ter R$ 113.300 em espécie. Caso tivesse colocado esse montante na poupança, o investimento conservador mais popular no país, teria hoje R$ 147.600 — 30% a mais. Apesar disso, a presidente optou por aumentar o numerário guardado em casa ao longo dos quatro anos de governo e informou agora ter R$ 152 mil em espécie. Segundo sua assessoria, o dinheiro estaria guardado para ser usado em viagens.

Mas, se o valor tivesse sido aplicado em um título corrigido pela taxa básica de juros (Selic), ele teria rendido 44,6% e chegado a R$ 163,9 mil nesse mesmo período. O rendimento poderia ter sido ainda maior em aplicações como o Tesouro Direto, na avaliação do professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli:

“Guardar o dinheiro em casa é uma opção muito conservadora e não parece ser a forma mais eficiente de usar o recurso”.

Sérgio Bessa, professor de Finanças da FGV no Rio, avalia que declarar dinheiro em espécie em casa, por capricho ou desleixo, abre brecha para interpretações.

“Dinheiro em conta corrente, poupança e aplicação têm extrato. Dinheiro em espécie, não. E ninguém vai lá conferir se tem ou não. No caso da presidente, como o principal executivo não confia no sistema financeiro nacional?”, disse Bessa.

Fonte: O Globo

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