Entrevista – Túlio Lemos

Os apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Patrícia Poeta, se consolidaram como entrevistadores destemidos com a sequencia de entrevistas…

Os apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Patrícia Poeta, se consolidaram como entrevistadores destemidos com a sequencia de entrevistas com os candidatos a presidente da República. No JN de ontem, Bonner e Poeta foram firmes nas perguntas dirigidas a Dilma Rousseff. Agiram como nos encontros com Aécio Neves e Eduardo Campos. Foram profissionais.

INCONSISTENTE

Quando a dupla da Globo ‘apertou’ Aécio com perguntas inconvenientes e de difícil resposta, os adversários gostaram e fizeram questão de multiplicar a idéia de que o neto de Tancredo havia sido inconsistente no conteúdo e na forma. O que foi realmente verdade. Aécio não se saiu bem da entrevista.

ESCAPISMO

Ontem, quando a mesma dupla perguntou sobre temas indigestos, como Mensalão e escândalos de corrupção, Dilma mostrou que não está preparada para responder aos questionamentos inconvenientes. Gostaria de falar apenas sobre temas de seu interesse. Todos são assim.

FANATISMO

Como Dilma não se deu bem na entrevista, o fanatismo político contaminou até a própria imprensa. Setores vinculados a candidaturas passaram a criticar com ferocidade a dupla do Jornal Nacional, como se os jornalistas tivessem que seguir um script partidário e evitar incomodar os candidatos. É impressionante como o envolvimento político provoca cegueira profissional e distorce avaliação com lucidez.

CENSURA

Por ter ‘apertado’ Dilma, na cabeça de alguns fanáticos, a dupla foi ‘deselegante, grossa e até agressiva’. Talvez queiram a volta da censura, em que a liberdade de imprensa é jogada na lata do lixo. É bom essa turma fanática saber que a liberdade de expressão e de imprensa são maiores do que os interesses político-partidários. Parabéns a Bonner e a Poeta, que tiveram a coragem de ser inconvenientes com os principais candidatos a presidente da República. Feio seria se tivessem dispensado tratamento diferenciado; o que não ocorreu.

COVARDIA

Precisamos criticar jornalistas quando estes forem covardes, omissos ou domesticados diante dos políticos poderosos. Criticar profissionais porque tiveram coragem de perguntar o que os poderosos não querem responder, é uma total inversão da essência do próprio ofício.

ESTRAGO

A violência do acidente que matou o ex-governador Eduardo Campos é impressionante. A viúva de Campos disse a interlocutores que o maior pedaço do corpo do marido que foi encontrado não passou de 15 centímetros. O enterro foi simbólico; praticamente não havia nada no caixão.

FUNERAL

A coluna recebeu e-mail de Gaspar Alcântara: “Senhor Jornalista Túlio, a família Campos transformou o funeral dos restos mortais do Candidato Eduardo Campos num grande evento político, ali os únicos inocentes úteis que talvez clamassem a dor da perda fossem os filhos do falecido, o resto era todos figurantes do espetáculo mambembe, então não seja Catilinário com o ex-presidente Lula, que nem candidato é, foi fazer a corte para os holofotes da súcia”.

FUNERAL II

Caro Gaspar, na verdade, a hipocrisia reinou de forma generalizada nos funerais do presidenciável do PSB. Quem antes queria destruí-lo, apareceu fazendo pose de solidário. Seja Lula, Dilma ou Aécio, os adversários tentaram passar uma imagem de solidariedade; a população percebeu o uso político da situação e alguns até foram vaiados.

SINCERIDADE

A sinceridade do ministro Garibaldi Filho é uma raridade na política do RN, em que predominam a dissimulação, a hipocrisia e a mentira travestida de verdade. O pai de Waltinho já havia dito que a candidatura de Henrique ainda não havia crescido, apesar dos apoios recebidos.

COMPROMISSO

No sábado, em Umarizal, Garibaldi disse que não teria a ‘coragem’ que Henrique está tendo de assumir tantos compromissos. Traduzindo: o pai de Waltinho, indiretamente, quis dizer que o primo candidato não tem condições de cumprir tudo que está prometendo. Aos olhos do eleitor, é justamente isso.

FALTA

O vice-governador Robinson Faria levou falta ao primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Estado, realizado na manhã de hoje no colégio Contemporâneo. O candidato do PSD foi representado por seu vice, Fábio Dantas. Henrique aproveitou e criticou o adversário pela ausência.

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