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ENXUGAR A MISSA

Data: 02 março 2013 - Hora: 17:59 - Por: Vicente Serejo

O texto não é deste cronista, graças a Deus. O autor é bacharel e mestre em teologia pela Universidade Carmelita de Roma, autor de 14 livros, tem 80 anos e é um teólogo lúcido. Exerceu o magistério em Londrina, foi bispo de Umuarana, 1973 até 2002, e exerceu as funções de administrador apostólico de Campo Mourão. E o artigo está no site da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, nada tem de profano, pois. É só conferir: www.cnbb.org.br. Seção: Todos os artigos dos bispos, página 3, postado no dia 08 de fevereiro deste ano. E ele nunca ouviu o sertão de alguns padres desta velha Aldeia de Felipe Camarão. Leiam, genuflexos e contritos.

Alguns padres deveriam filmar suas Missas, depois, calma e atenciosamente assistir. O que eles veriam?
Veriam os fiéis conversando, enquanto o comentarista lê a interminável lista de intenções. Veriam que ninguém acompanha a introdução do folheto indevidamente inflacionada pelos acréscimos cometidos pela equipe de liturgia, que adiciona, por sua conta, inúmeras outras intenções.

Veriam uma procissão de entrada ao som de música barulhenta, cobrindo a voz dos cantores. Aliás, com um tom que só o coro canta, enquanto a assembléia permanece muda, pois não conhece os cantos.

Veriam que o ato penitencial fala de pecados estruturais e macro-injustiças, ataca as multinacionais e as políticas globalizantes, mas não fala das bebedeiras do marido nem da preguiça da esposa, não se refere à desobediência dos adolescentes nem à safadeza das moçoilas.

Quando a assembléia canta piedade, piedade, piedade de nós, canta da boca pra fora, pois sabe muito bem que seus pecados são outros…

Primeira leitura: Moisés caminha pelas areias do deserto, sob o sol causticante, enquanto os jumentos do Egito babam de calor.
Ali, bem diante do altar, um velhinho cochila e baba também. Dois bebês (a quem as mamães deram os folhetos de missa para mascar) babam igualmente. Futuramente as alfaias incluirão babadouros para a assembléia.

Segunda leitura: Um leitor esforçado luta com os óculos para encontrar o foco adequado. O templo mal iluminado em nada ajuda em seu combate. O texto sai truncado, as frases sincopadas, as sílabas finais inaudíveis. A assembléia é salva pelo gongo. De pé, aplaudem o Livro Santo, enquanto o coral entoa um canto de Aclamação que não tem nenhuma aclamação. Por pouco não cantam: Ora, bolas!
O seu vigário lê o Evangelho. Tem boa voz, mas o volume do microfone está alto demais e alguns zumbidos de microfonia competem com a mensagem central.

Já sentados, os fiéis ouvem a homilia. Pela nave da igreja o que se vê: Dona Engrácia reza o terço, piedosa e contrita. Juca e Chico puxam as tranças de Dorotéia, uma gracinha! Rafael, com menos de dois anos de idade, corre pelo corredor central, atraindo os olhares maternais das senhoras do Apostolado da Oração.

O pregador continua falando. Escapou do tema do Evangelho do dia e fez breves referências à Campanha da Fraternidade, à visita de Sua Excelência o Bispo diocesano, ao próximo Grito dos Excluídos, à campanha para construção da torre, além de pedir enfaticamente que se lembrem do dízimo no próximo domingo.

Percebe-se também que Dr. Edmundo não tira os olhos do relógio, pois já desconfia de que não terá tempo de ver a largada da corrida de Fórmula Um.

Então, Senhores Vigários, não precisam se preocupar em continuar avaliando, pois já deu para os Senhores terem plena convicção de que sua “liturgia” foi um desastre. Agora preparem-se para deitar. Talvez os Senhores consigam dormir…

 

VIOLONCELO
Francisco Cavalcanti confirma direto de João Pessoa, onde reside: dia 7, boca da noite, recebe os seus amigos e leitores para autografar ‘O Violoncelo’ um romance que conta a história de um belo mistério.

LETRAS – I
No mesmo dia e noite, nos salões do Bela Vista, Paulo Araujo lança ‘Como se Fossem Letras’, reunião dos seus melhores textos publicados aqui e São Paulo, ensaios jornalísticos. Edição de Novos Escribas.

AINDA – II
No livro de Paulinho, entre as letras de maior destaque, a entrevista com Ariano Suassuna, o autor do Auto da Compadecida que falou do tempo que morou em Natal e do plano secreto de nunca morrer.

AVISO
Abimael Silva promete e o Sebo Vermelho não falha: até final de março volta aos olhos do mundo em edição fac-similar a conferência de Domingos Barros ‘Aspectos do Rio Grande do Norte’. É coisa rara.

MACAU
A professora Aparecida Rego, uma orientanda do professor Humberto Hermenegildo no mestrado de literatura faz sua dissertação sobre o romance ‘Macau’, de Aurélio Pinheiro. Revela sua modernidade.

POSSE – I
Vai ser dia 15 próximo, no salão nobre da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, a posse a nova diretoria do Instituto Histórico. Valério Mesquita assume a casa com muitos desafios sobre sua mesa.

LUTAS – II
O Instituto precisa substituir a rede elétrica para evitar um incêndio por curto-circuito; informatizar o acesso ao acervo e, sobretudo, digitalizar documentos historicamente valiosos, alguns já degradados.

GRAVE – III
O mais urgente é a digitalização imediata da coleção do jornal A República que representa um século de informações sobre o Rio Grande do Norte. A UFRN pode fazer como fez com a Tribuna do Norte.

ACREDITE
Nem tudo está perdido: a revista Literatura que está nas bancas dedica doze páginas a Aluizio Azevedo e seu romance ‘O Cortiço’. E como estudar seu realismo com estudantes secundários na sala de aula.

VÍTIMA – I
Não bastasse o desprezo todos esses anos, sem merecer um só livro, o abandono dos últimos governos, a Biblioteca Câmara Cascudo foi a vítima de bibliotecários de araque bajuladores dos seus superiores.

RETRATO – II
Quem levaria a governadora Rosalba Ciarlini para ver a biblioteca e ela ter certeza de que teria feito a sua recuperação só com dez por cento do que foi gasto para duplicar a estrada entre Mossoró e Tibau?

POESIA
Do poeta baiano Ruy Espinheira Filho, ensaísta da poesia de Manuel Bandeira e Mário de Andrade, no fecho do seu poema dos 70 anos: ‘…o pesadelo de um deus doente / que criou a vida para vê-la sofrer e se perder / sem sentido algum’.

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