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Equipe da Funcarte faz vistoria em teatros da capital

Data: 15 janeiro 2013 - Hora: 17:40 - Por: Portal JH

Sandoval Wanderley está fechado pelo Corpo de Bombeiros e pelo MP desde 2009. Foto: Wellington Rocha

O diagnóstico da situação dos aparelhos públicos sob responsabilidade da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte) chegou aos teatros Sandoval Wanderley e Jesiel Figueiredo e à Escola Municipal de Teatro Carlos Nereu de Sousa. Na manhã desta terça-feira (15), os recém-nomeados Fernando Yamamoto, coordenador de programas, projetos e eventos, e Yana Medeiros, gerente de organização e produção de eventos, visitaram as três instalações, como enfermeiros pelos corredores de uma UTI repleta de doentes terminais.

No teatro do Alecrim, palco de freqüentes interdições, desde suas primeiras atividades, em 1962, a dupla da Funcarte viu que o trabalho será longo. Fechado pelo Corpo de Bombeiros e pelo Ministério Público em março de 2009, o espaço para 150 pessoas virou um paiol de trapos, dejetos, cupins, fios soltos e cadeiras quebradas. “Vamos montar um relatório da situação atual. É um espaço excelente, que tem flexibilidade para ser usado tanto como arena, como frontal [chamado de palco italiano; o formato padrão]. Com isso é possível trabalhar linguagens variadas”, diz Fernando Yamamoto, diretor teatral com 20 anos de experiência na área.

Problemas crônicos, como a falta de estacionamento e segurança à noite estão na pauta de recuperação da estrutura física do Sandoval Wanderley, inaugurado em 1992, durante a administração Wilma de Faria. Há um ano e meio, o Governo Federal liberou R$ 800 mil, através do próprio Ministério da Cultura (MinC) e de uma emenda parlamentar da deputada Fátima Bezerra (PT). Mas por falta de apresentação de um projeto executivo da Prefeitura de Natal, o dinheiro foi inutilizado. Quase perdido, não fosse articulações da deputada com integrantes do Governo Federal. Por isso, a Funcarte acelera o levantamento para elaborar a documentação exigida.

“O acesso a tudo da gestão passada está difícil. Não vimos ainda nem o projeto arquitetônico. Falo como artista, pois é a primeira vez que trabalho no poder público. A política cultural de Natal estava sucateada. Ou pior, retrocedeu em muita coisa. Vamos tentar implantar algumas ações, como uma gestão de reparação”. A Cidade do Sol é a capital nordestina com o menor número de teatros (5), ainda que grupos, como o Clowns de Shakespeare e a atriz Titina Medeiros tenham atingido êxito em uma arte tratada como inacessível à população.

Em meio ao pó de cupim, visível em três pontos do tablado, camarins com suas entradas bloqueadas por ferros, tecidos e sobras de cenários, Fernando Yamamoto fala sobre a seriedade que encontrou na equipe da Funcarte, capitaneada pelo escritor Dácio Galvão, e os projetos para a abertura de editais para a classe artística local. “Nunca estive do lado de cá [do poder público]. Vou tentar ser o que eu gostaria de ver quando estava do lado de lá [como artista]“.

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