Era uma vez Flamengo – Rubens Lemos Filho

Golpe de arma branca é aterrador. Antes a bala, o disparo certeiro do que a cutilada, a facada, o golpe…

Golpe de arma branca é aterrador. Antes a bala, o disparo certeiro do que a cutilada, a facada, o golpe traiçoeiro feito as cobras. Melhor é a vida. É a paz. Pena que os bandidos não queiram trégua e a cada dia humilhem gente trabalhadora e pagadora de impostos. Bandidos protegidos pelos hipócritas de sorte grande. Eles sempre escapam do mal que desprezam nos outros.

O Flamengo e seus gols de fim de jogo, o Flamengo e a figura mítica de Zico costurando a defesa do Vasco em tabelinha com o negro maravilhoso chamado Adílio, me cortavam, me dilaceravam na infância. Praguejava o Flamengo de ciúme. Queria o Flamengo todinho no meu time.

As vitórias sobre o Flamengo duravam meses. As derrotas, significavam a morte ao menino sem a menor dimensão dos estragos verdadeiramente funerais. Não havia em mim o ódio, mas a revolta. O Flamengo vencendo tudo, o Vasco resistindo na bravura de seus limitados jogadores e sofrendo na avareza dos seus cartolas.

O tempo me glorificou e a geração de Romário, Geovani, Mauricinho, Tita, Mazinho, Bismarck, Edmundo e Roberto Dinamite em fim de carreira, compensou fracassos em vitórias retumbantes no Ex-Maracanã. A roda da fortuna é caprichosa, ensinou o grande brasileiro Sobral Pinto, Justiça andante e quixotesca.

O Flamengo está morrendo e a caminho do cemitério moral onde repousam as glórias do Vasco, time ruim de segunda divisão. Procuro motivos para me alegrar da desgraça rubro-negra. Acreditem ou não. É chato ver o Flamengo de asa caída, em último lugar.

O Flamengo, sempre adversário, jamais inimigo, dane-se o que os seus torcedores já fizeram de deplorável, como festejar a morte do vascaíno Denner, é a maior torcida do mundo. Sua desmoralização é o sofrimento de uma imensa procissão de apaixonados. Insuportáveis amantes apartados da lucidez.

O Flamengo devastado, a 19 pontos do primeiro colocado na Série A, leva o nome de quem conquistou seis títulos nacionais, cinco deles com o Pelé consentido à minha geração.

Imagino Zico, ídolo do meu tempo e referência moral e gloriosa de uma época, ícone de craque, sofrendo ao ver o timeco atual. Flamengo x Vasco, antigo Clássico das Milhões , agoniza na indigência geral brasileira.

Bom incentivo

A Intertv Cabugi criou uma boa sacada para promover os jogos América x Fluminense, amanhã, e ABC x Vasco no sábado, ambos na Arena das Dunas. Fez uma chamada com Danilo Menezes, melhor meia-armador do ABC em todos os tempos e também ídolo do Vasco (anos 1960) e o goleiro Fernando Henrique, do América, que foi titular do Fluminense.

Convocação e paz

Os dois convocam a torcida e pregam a paz. Fernando Henrique e Danilo Menezes se entenderam tão bem que prolongaram o papo e bateram o centro da amizade.

Exemplo

Outro exemplo civilizado de convivência dos contrários clubísticos. Ao receber o título de cidadão potiguar, proposta do deputado Agnelo Alves (PDT), aprovada por todos os colegas de Assembleia Legislativa, o empresário Zé Walter Carvalho, torcedor fiel do ABC, agradeceu aos amigos citando o ex-presidente do América, Jussier Santos. Lição aos bárbaros.

Julgamento

O radialista carioca Wellington Campos anunciou para sexta o julgamento do recurso do ABC para recuperar os três pontos perdidos na Copa do Brasil para o Novo Hamburgo, que escalou um jogador irregular. Ninguém de bom senso admite um resultado que não seja a volta do ABC à disputa.

Transparência nos contratos

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 6683/13, do Senado Federal, que altera a Lei Pelé (Lei 9.615/98) com o objetivo de dar mais transparência ao contrato especial de trabalho desportivo. De acordo com o texto, ao registrar um contrato, a entidade de prática desportiva deverá registrar também a lista de investidores com que tenham negociado parcelas da futura cláusula indenizatória, na hipótese da venda de algum atleta antes do término de seu contrato.

Olho na picaretagem

A Lei Pelé não prevê a discriminação das partes que tenham direito aos valores envolvidos na venda do direito econômico do atleta. Pela atual legislação, somente o clube tem direito aos valores resultantes da negociação. “No entanto, constantemente os direitos econômicos são negociados com ‘investidores’ estranhos às atividades esportivas, que adquirem percentuais proporcionais ao total investido”, afirma o autor da proposta, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Dívidas

Segundo o senador, a proposta deverá ajudar também na quitação das dívidas dos clubes ao prever a utilização de, ao menos, 10% do valor da cláusula indenizatória para o pagamento de débitos fiscais, previdenciários e trabalhistas da entidade.

Homenagem a Marinho Chagas

Amanhã, às 18 horas, no Clube da Petrobrás, o Fluminense homenageia o maior craque da história do futebol potiguar, Marinho Chagas, falecido em 1o de junho e com passagem pelo tricolor, no qual conquistou o Troféu Teresa Herrera da Espanha. Uma placa será entregue à família de Marinho.

Romerito

Na homenagem a Marinho Chagas, será lançada a biografia do ídolo paraguaio Romerito, campeão brasileiro de 1984 e carioca de 1984 e 1985 pelo Fluminense. Romerito e Marinho jogaram juntos no Cosmos, de Nova York, no final dos anos 1970. O Cosmos reunia a nata internacional do futebol.

América venceu a última

A última partida entre América e Fluminense pela Copa do Brasil aconteceu no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 04/04/07. O jogo foi válido pela 2ª fase da competição e o Mecão venceu pelo placar de 1×0. O gol da vitória foi anotado pelo atacante Rodrigo Paulista, aos 10 minutos do segundo tempo.

Súmula

Fluminense 0X1 América

Data: 04/04/2007

Tipo: Copa do Brasil – 2ª fase – 2ª rodada

Local: Estádio do Maracanã – Rio de Janeiro/RJ

Público: 32.681

Renda: R$ 490.955,00

Cartões amarelos: Marcinho, Ivanildo e Paulo Isidoro (América); Fabinho, David, André Moritz, Lenny e Carlos Alberto (Fluminense). Cartão vermelho: Marcinho (América – 2° amarelo) Gol: Rodrigo Paulista (10/2T)

Times

Fluminense: Fernando Henrique (atual goleiro do América); Carlinhos, Thiago Silva (da seleção), Luiz Alberto e Ivan (Cícero); Fabinho, Arouca, David (André Moritz) e Carlos Alberto; Lenny (Soares) e Alex Dias. Técnico: Joel Santana. América: Fernando, Lisa (Nenê), Douglas, Robson e Marcinho; Ângelo, Ivanildo, Luciano Santos (Nei) e Paulo Isidoro; Geovane e Rodrigo Paulista. Técnico: Estevam Soares.

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