Eraldo Paiva: “Vamos enfrentar o acordão de interesses no RN”

Presidente do PT no Estado volta a criticar postura do PMDB

Eraldo Paiva: “o PT não vai aceitar pressões do PMDB. Já estamos acostumados”. Foto: Divulgação
Eraldo Paiva: “o PT não vai aceitar pressões do PMDB. Já estamos acostumados”. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

O presidente do PT, Eraldo Paiva, disse que a legenda, que avança na formação de uma chapa que tenha o vice-governador Robinson Faria candidato a governador e a deputada federal Fátima Bezerra ao Senado, enfrentará o acordão de interesses no Rio Grande do Norte. A referência do petista se deve à formação da aliança do PMDB com o PSB no Rio Grande do Norte, reunindo num só palanque os dois ex-governadores Wilma de Faria (PSB), que concorreria ao Senado, e Garibaldi Filho (PMDB), que apoiaria a chapa. Ainda resta definir quem será o candidato a governador, se o presidente da Câmara Henrique Alves, ou o empresário e ex-senador Fernando Bezerra (PMDB).

“Não tem esse negócio de ficar em canto de parede. Quem pensar que vai colocar o PT do Rio Grande do Norte em canto de parede tire o cavalinho da chuva. Faça logo uma latada, para colocar o cavalinho em outro lugar, porque na chuva não vai ficar. Se depender do presidente estadual do PT, nós vamos enfrentar toda essa acomodação, esse acordão de interesses no Rio Grande do Norte”, afirmou Eraldo, durante entrevista ao Jornal da Cidade (94 FM).

Segundo Eraldo, a prioridade do PT no RN continua sendo a reeleição da presidente Dilma Rousseff, que terá palanque no RN com todos que a apoiarem. “Se tiver 30, se tiver 40 apoiando Dilma, estarão todos apoiando Dilma. Não tem nenhuma dificuldade para nós do PT, até porque isso ocorreu em 2010. Não será diferente. Inclusive a minha opinião é que não seja diferente mesmo. Se dependesse do PT nós teríamos aqui um palanque nítido de apoio à presidente Dilma, com todos os partidos que apoiam Dilma na reeleição. Mas como não depende do PT – nós somos muito pequenos – a gente não vai ficar choramingando. Quem conhece a minha história de vida sabe que eu não sou de choramingar, eu trabalho, eu me dedico, eu construo e, na presidência do PT, eu faço a mesma coisa”.

EXPLICAÇÕES

Segundo Eraldo, não será o PT que terá de dar explicações em relação a formação de palanques no Rio Grande do Norte. Mas ao PMDB, partido que articula aliança com o PSB da ex-governadora Wilma de Faria e com outras legendas adversárias do palanque nacional da presidente Dilma Rousseff, a exemplo de PSDB e PPS. “Na minha humilde opinião de presidente estadual do PT, o PMDB já decidiu a sua vida. Agora cabe ao PMDB achar o melhor momento para anunciar. O PMDB terá o vice-presidente da nossa chapa novamente, que será Michel Temer, e o PMDB que se explique ao Michel Temer, ao seu partido, como ele fará campanha com outro partido que não tenha a aliança nacional. Então não cabe aqui ao PT definir. Não foi o PT que descartou o PMDB, foi o PMDB que descartou o PT”.

Sobre as conversas de que haveria articulação nacional para retirar a candidatura de Fátima Bezerra ao Senado, Eraldo negou. “Se existiram pressões não chegaram até a gente aqui do PT estadual. Agora o PT não vai aceitar pressões do PMDB. Pressão por pressão, está lá, Lindemberg sendo candidato no Rio, com apoio de Lula, apoio do PT. Então, pressão por pressão, nós já estamos acostumados a ter”, disse.

Eraldo abordou as declarações de Wilma de Faria, que disse em entrevista recente, “estranhar” o endurecimento do PT, que não aceitava conversar com partidos da base adversária a Dilma Rousseff. Para ele, o acordão formado pelos adversários visam apenas acomodações de interesses gerais. “Quem estranha sou eu e não entendendo aonde se quer chegar. O que há é um entendimento do PSB e de vários outros partidos, numa acomodação geral, resolvendo os problemas dos partidos. Porque o que está sendo pensado nesse arranjo de acomodação de vários partidos é resolver o problema de cada um, de mandatos”.

Diretório do PT declara apoio a Robinson Faria para governador do RN

O diretório municipal do PT em Natal divulgou ontem seu apoio à constituição de uma aliança política com o PSD, do vice-governador Robinson Faria, para o governo do Estado, com a deputada federal Fátima Bezerra (PT) para o Senado. “O Diretório do PT em Natal propõe e defende a união de forças com o PSD e o consequente apoio a sua pré-candidatura ao Governo do Estado”, diz trecho da ata petista, divulgada durante reunião conjunta entre as duas legendas nesta segunda-feira.

No texto, assinado pelo diretório municipal do PT em Natal, consta que “caberá ao PT articular uma aliança de forças progressistas, embasada em um Plano de Governo, que permita a reversão do caos político-administrativo criado pelas oligarquias e acentuado pelo desgoverno Rosalba/DEM/Aliados e, ao mesmo tempo, insira o Estado no processo de crescimento sustentado que vem sendo experimentado no Brasil”.

O texto do PT afirma ainda que, para 2014, prevê-se “uma renhida disputa contra forças conservadoras, reacionárias e bastante poderosas”. O documento reafirma a prioridade nacional da legenda, que é a reeleição da presidente Dilma Rousseff, e a necessidade de continuidade do projeto “mudancista” empreendido pelo PT no País.

“Vamos juntar militância do PT com PSD para construir projeto para o RN”

O presidente do PT Eraldo Paiva afirmou também que PT e PSD vão construir um projeto para o RN. Nesta semana, os partidos concluem agenda conjunta, de visita às bases e constituição de plano de governo. “Vamos fazer vários eventos em conjunto, o PT e o PSD, juntar a militância do PT, juntar a militância do PSD e tentar construir um projeto para o Estado do Rio Grande do Norte. Porque nós não queremos apresentar só nomes, nós queremos apresentar propostas”, disse Eraldo.

Eraldo conta que o PT já realizou seis eventos no interior do Estado, colhendo informações sobre o Estado. “O PT foi o pioneiro nessa discussão e não só por técnicos em gabinete; nós juntamos mais de quatro mil pessoas no Estado do Rio Grande do Norte, para discutir e apresentar um projeto. Então nós estamos organizando esse projeto, para apresentar. Óbvio que não mais apenas com o olhar do PT; agora, com o olhar do PSD também”.

Segundo o presidente, PT e PSD já têm um projeto definido no Brasil, que é a reeleição da presidente Dilma. “O PSD foi o primeiro partido que declarou apoio formal à reeleição da presidenta Dilma. Então já há uma afinidade, não podemos negar isso. O PSD também quer, como o PT, ter um palanque nítido para a presidenta Dilma aqui no Rio Grande do Norte”, afirma, destacando ainda que “não há conflitos entre o PT e o PSD aqui no Rio Grande do Norte”.

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