Ericeira está em choque com a morte do surfista Victor Elias

Bombeiros ainda tentaram a reanimação, mas já pouco havia a fazer

u56u56u56u56u5uu5u

Também conhecido por Mudo, o ex-surfista da terra faleceu ontem, na praia do Sul, após se ter afogado enquanto nadava. Foram muitas as pessoas que assistiram ao sucedido sem nada conseguir fazer e acabaram por ser dois surfistas locais a tentar o salvamento, mas sem sucesso. A forte corrente e uma ondulação bem grande dificultaram o processo de resgate e o pior acabou mesmo por acontecer.

Passavam poucos minutos das 14 horas, quando Samuel Pereira, surfista local e monitor da Papu Surfing School, foi alertado pelo seu primo Pedro “Kikas” Tavares para o sucedido e ambos acorreram rapidamente ao local para ajudar ao salvamento.

“Estava em casa a almoçar quando o meu primo me ligou porque as autoridades tinham-lhe pedido ajuda”, começa por explicar Samuel à SURFPortugal. “O Mudo foi um big rider aqui da Ericeira em tempos e tinha o hábito de ir nadar. As pessoas achavam normal, mas desta vez o mar estava pior e a maré a vazar. Ele ficou aflito e tentou remar contra a corrente até ficar sem forças”, refere.

Os dois surfistas chegaram à praia ainda antes de qualquer meio de salvamento. Tanto os bombeiros como o Instituto de Socorros a Náufragos tinham sido alertados para o que se estava a passar, mas Samuel e Pedro foram os primeiros a chegar e a iniciar o salvamento. “Ainda levei com dois sets na cabeça antes de chegar ao corpo. Coloquei logo a mão para ver os batimentos e já estavam muito fracos. Ainda teve alguns espasmos mas já estava praticamente a morrer”, descreve Samuel.

“Trouxemos o corpo para fora, ajudaram-nos a tirá-lo da água e os bombeiros, que entretanto já tinha chegado, começaram a socorrê-lo. Depois chegou o INEM e tentaram reanimá-lo durante 30 minutos, antes de o levarem para Lisboa. Do que percebi, quando saiu daqui ainda não o tinham declarado morto”, frisa.

Nas redes sociais as reações a esta perda já se fazem ouvir, com muitas críticas à mistura. Segundo testemunhas, os meios de salvamento do ISN demorou mais do que o habitual a sair, isto porque as condições no porto da Praia dos Pescadores não são as melhores. Os elementos do ISN precisaram mesmo de pedir ajuda à população para colocar a mota de água no mar e um processo que deveria ser rápido demorou cerca de 15 minutos. Quando a mota de água entrou finalmente no mar, ainda na Praia dos Pescadores, já os dois surfistas haviam retirado o corpo na Praia do Sul.

A SP tentou contactar membros do INS, embora não tenha sido possível chegar à fala com alguém. Mas fonte próxima da autoridade marítima garantiu-nos que foi exatamente isso que se passou e que estes não dispõem dos meios para realizar os salvamentos em tempo adequado. “O ISN não tem condições para sair. Dependem de terceiros. Com estas tempestades a grua que ajudava ficou danificada e agora precisam de pedir ajuda às pessoas. Quem de direito não fornece os meios. Eles sabem que existem estes problemas pois as situações foram reportadas”, afirma-nos a fonte.

“Os meios de salvamento deveriam ter sido mais céleres. Gastaram milhares de euros ali mas não pensaram em tudo. Já se sabia que isto ia acabar por acontecer. Se fosse mais perto, provavelmente, tinham retirado o corpo com vida, pois já é hábito recorrer aos surfistas, mas foi mais longe e acabou por ser impossível evitar. Tem de haver condições quando é preciso sair um meio”, alerta.

Uma situação que foi exposta somente agora depois de ter acontecido uma fatalidade. Há quem ainda não se conforme com a perda de uma pessoa querida na Ericeira, mas também com a falta de condições que podem criar mais problemas num futuro próximo. “É uma vergonha não haver meios de salvamento numa terra que tem uma Reserva Mundial de Surf”, lamenta Samuel Pereira, um dos surfistas que, pelos vistos, já tem o hábito de levar a prancha ao mar sem ser apenas para surfar.

Ainda assim, apesar da coragem e da disponibilidade destes jovens surfistas, desta vez não foi possível evitar a tragédia. Seria bom que da próxima vez o final da história fosse outro e nem sequer fosse preciso serem dois surfistas a fazer o salvamento, até porque os riscos que correm não são poucos. Mas para isso seria preciso a quem de direito perceber o real estado da situação. Entretanto, já se perdeu uma vida…

 

Fonte: Surf Portugal

Compartilhar: