Erro ou estilo?

‘Não vou entrar numa aventura’. A declaração é do ex-senador e empresário Fernando Bezerra. Seu efeito foi claro. Publicada por…

‘Não vou entrar numa aventura’. A declaração é do ex-senador e empresário Fernando Bezerra. Seu efeito foi claro. Publicada por blogueiros, repetidas nos jornais e manchete de primeira página do ‘Jornal de Fato’, de Mossoró. Lá e aqui, não houve exploração como um desabafo circunstancial. Pelo contrário: refletiu um estado de insegurança que extrapolou os limites do seu partido, e ainda mostrou a precária arquitetura de uma candidatura vitima de contradições e fisiologismo do seu próprio grupo.

Esta coluna, muito antes da declaração do ex-senador, apontou os defeitos de construção que se revelaram ao longo dos últimos trinta dias. Apesar de convidado pelo presidente do seu partido, e sem ter desejado ser candidato, Fernando viu a divisão interna do PMDB dos que desejam a candidatura de Henrique Alves; da oposição dos que são contra Wilma de Faria, e a quem ameaçam, veladamente, com a candidatura de Garibaldi Filho caso dispute o governo; e o fisiologismo de um novo acordão.

Desde o começo, há importantes integrantes da família Alves defendendo abertamente o nome de Henrique para disputar o governo pelas inegáveis condições que reúne no momento, e que não são negadas por Fernando. Henrique declara sempre não aceitar, mas nunca encerra o debate de uma forma clara, entre o desejo de uns de vê-lo no governo e o medo de outros que lhe rouba do sentimento mais íntimo a convicção e o destemor de que, sendo candidato, possa enfrentar Wilma de Faria nas ruas.

A alegação da chance de presidir a Câmara uma segunda vez teria sido perfeita se não levasse, no interior, o ovo da serpente: a ameaça velada à ex-governadora Wilma de Faria de que se não aceitar disputar o Senado e desejar o governo, o PMDB retira imediatamente a candidatura Fernando Bezerra e lança Garibaldi Filho. A solução revela medo de Henrique de enfrentar Wilma e vê-la voltar ao poder; fragilidade na candidatura de Fernando ou é falsa a possibilidade de Garibaldi ser candidato?

Em qualquer hipótese, a estratégia do PMDB penaliza drasticamente a candidatura de Fernando Bezerra para não falar na deselegância de submeter sua história pessoal, vitoriosa nas esferas pública e privada, a um patamar menor a ponto de obrigá-lo a avisar, de forma grave, que não está disposto a entrar numa aventura. Ele é o candidato pra valer? Ou Henrique pode resolver ser candidato como o dono do partido? Ou cairá se Wilma disputar o governo e for mais seguro lançar Garibaldi contra ela?

Nem o PMDB sabe. O senador Garibaldi Filho e o deputado Henrique Alves ficaram surpresos ao ouvirem a desistência de Fernando na reunião de sexta-feira. O estilo da família Alves colocando-se acima do partido é de tal ordem que ninguém sabe se o prazo de trinta dias fixado pelo ex-senador será o tempo para reorganizar a estratégia ou lançar um candidato familiar capaz de agradar à família que fragmenta a retórica partidária e revela, por trás de tudo, o verdadeiro retrato de um estilo oligárquico.

 

TAREFA – I

Ao definir a candidatura pelo PMDB na situação atual como uma aventura, o ex-senador Fernando Bezerra teve o cuidado de apontar as razões desse caos: desunião interna do partido e dos seus aliados.

ACORDÃO – II

O tom de acordão vai se cristalizando à medida que a chapa abriga o DEM, PSDB e PSB, adversários do Governo Dilma Rousseff e, ainda por cima, exclui a presença de Fátima Bezerra, no caso, do PT.

PIRÃO – III

A mistura de siglas na busca de cooptar todos os adversários – o que caracteriza um acordão – substitui o modelo forte e coeso de um governo de reconstrução por um pirão mexido feito de siglas partidárias.

MAIS – IV

A falta de nitidez no posicionamento da candidatura, tal como vem sendo construída, tem a intenção de ‘vender’ aos eleitores uma falsa união de contrários, expondo o candidato a responder por um conluio.

FOI – V

Assim, esquecido de que fora líder de governo de Carlos Eduardo, que este desmantelou o discurso de oposição de Hermano Morais no debate da TV. Como se criticar o passado do qual também se é autor?

COLAPSO

O vereador José da Noite Medeiros pede suspensão da cobrança da tarifa de água em Jardim do Seridó durante o colapso. Sem a água, a Caern deve ter a dignidade de não cobrar por aquilo que não fornece.

ALIÁS

Não cobrar a tarifa de água onde a Caern não tem condições de abastecer seus consumidores já deveria ser uma medida de governo. Justa e sem demagogia. Ou o certo seria faturar e multar cobrando juros?

BRASIL

Nas redes sociais, o ministro Joaquim Barbosa numa foto ao lado de Antônio Mahfuz, um empresário brasileiro foragido que responde no Brasil a 221 processos. O estrelato tem lá suas inconveniências…

LISBOA

Para quem ainda duvida de como é agradável passear em Lisboa: a capital dos portugueses foi eleita pela CNN a cidade mais ‘cool’ da Europa. Por seu clima, atmosfera, gastronomia e a sua vida noturna.

POR

Falar em Portugal: sua gastronomia recebeu dois prêmios considerados como ‘óscares’ da Academia Internacional de Gastronomia, de Paris. Um estudioso da mesa portuguesa e um chef foram premiados.

AGENDA – I

Murilo Melo Filho e Norma encerram o verão, quinta-feira, na casa verde de Cotovelo, como todos os anos, e retornam ao Rio. Ontem, domingo, eles reuniram num almoço toda a família e alguns amigos.

LIVRO – II

Aliás, já está em fase de edição o novo livro de Murilo contando setenta histórias de humor de setenta imortais da Academia Brasileira de Letras. É a revelação de Murilo como grande contador de histórias.

HUMOR

De um professor de ciência política da UFRN num banco, lá no Centro de Convivência: ‘Pior do que o vício de fazer acordão é suportar o serviço de exegetas justificando acordões com os velhos acordões’.

LIVRO

Diógenes da Cunha Lima quer publicar o livro inédito ‘Segundo Wanderley na Intimidade’ que foi localizado no acervo da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Terá um prefácio de Eider Furtado.

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