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Escolas de Samba de Natal mudam discurso e resolvem desfilar no Carnaval

Data: 04 fevereiro 2013 - Hora: 15:06 - Por: Conrado Carlos

A semana que antecede o Carnaval começa com uma reviravolta na decisão tomada em conjunto, durante reunião, na última sexta-feira (1), entre representantes das escolas de samba e dirigentes da Fundação Cultural Capitania das Artes. O encontro registrou o cancelamento do desfile das agremiações por falta de dinheiro da Prefeitura de Natal – serão R$ 500 mil para a montagem de cinco pólos, o que deixaria apenas R$50 mil para a premiação e a ajuda no custeio das 14 escolas e 12 tribos de índio.

No entanto, outra assembleia foi realizada neste domingo (3), sem a presença de secretários, assessores ou coordenadores da Funcarte, em que foi restabelecida a vontade das escolas em sair às ruas, depois de um ano de preparação. “Será o Carnaval da superação. Não éramos para sair, mas vamos para dar uma satisfação à população”, fala o presidente da Associação das Escolas de Samba e Tribos de Índio (Aestim), Kerginaldo Alves.

Com uma dívida em material para adereços e alegorias que ultrapassa R$ 295mil na loja Ponto dos Botões, e a necessidade de mais R$ 159 mil para arcar com premiações das escolas, os 26 porta-vozes das instituições optaram pela manutenção da tradicional festa que enfeita a rua Duque de Caxias, nas Rocas. “Vamos mostrar que estávamos prontos para desfilar”, diz Kerginaldo.

Para o diretor financeiro e relações públicas da Aestim, Ronaldo Cruz, é a primeira vez, em mais de 50 anos, que a situação chega a um ponto de deixar foliões em suspenso. “Vamos sair, mas o problema continua o mesmo. Mesmo com a administração desastrosa que foi a de Micarla de Souza, como todos sabem, nunca passamos por isso. Mas o povo nunca deixará de curtir a festa, e é por isso que vamos sair de todo jeito”.

Segundo Ronaldo, após a reunião da sexta-feira passada, o “prefeito passou a bola para Dácio [Galvão, presidente da Funcarte], que disse não ter o que fazer”. O que motivou o novo debate no domingo. Outra decisão foi quanto à forma de levantar custos para cobrir as despesas e a dívida que ficará no Ponto dos Botões. “Não sei se um pedágio ou procurar políticos, mas o certo é que vamos montar projetos e buscar parceiros para não dependermos mais do poder público. A situação desse ano é muito humilhante”.

Sem brecha e tempo hábil para rever possibilidades orçamentárias, o assessor de comunicação da Funcarte, Dionísio Outeda, desconhece a reunião ocorrida entre os representantes das 26 entidades e questiona a posição tomada a quatro dias do início da festa. “Não tenho essa informação [sobre o desfile das escolas]. O que sei é o que ficou definido na sexta-feira. Como eles decidiram sem a participação de alguém da Prefeitura?”.

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