Escoramento provisório do Canal do Baldo divide opiniões entre populares

Comércio do entorno também sofreu com interdição de trechos de avenidas

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Marcelo Lima

Repórter

Depois de dez dias interditados, os trechos das avenidas Marechal Deodoro da Fonseca e Rio Branco sob o Viaduto do Baldo foram finalmente liberados para o tráfego. A retirada dos blocos de concreto que impediam a passagem de veículos ocorreu ainda nesta última sexta-feira (2) à noite.

Mas a confiança no serviço feito para a liberação divide opiniões de quem sempre tem o Baldo no seu caminho. Na parada de ônibus que voltou para debaixo do viaduto com o fim da interdição, a dona de casa Ana Cleide Teixeira ainda teme pelo pior. “Eu fico aqui, mas estou morrendo de medo”, confessou. Entretanto, a dona de casa não vê problema em ter que andar mais alguns metros em nome da melhoria da estrutura. “Se for pra reformar, eu era de acordo porque só não pode cair na cabeça da gente”, disse a dona de casa.

A estudante do curso técnico em enfermagem Francimery Dionísio esperava na parada de ônibus, mas observava as condições das avenidas. “Não confio porque eles fizeram tipo uma coisa provisória e tudo que é provisório dá problema”, opinou sobre o escoramento da laje do Canal do Baldo. A estudante também foi uma das que teve que se deslocar mais para chegar ao curso e voltar para casa durante a interdição.

O comerciante das proximidades Jânio de Oliveira Andrade acredita que o problema estará resolvido se as obras continuarem. “Confio no que eles fizeram porque é uma estrutura bem feita e espero que eles concluam”, falou.

A interdição do trânsito causou um nó na região tanto para passageiros de ônibus, quanto para motociclistas e motoristas. Os estabelecimentos comerciais da região também sofreram. Os clientes de um lava-jato na rua Mermoz, transversal a Deodoro da Fonseca e Rio Branco, evitaram o estabelecimento nos dias de interdição segundo conta o Josimar da Silva. “Não dava pra os carros entrarem e nem pra sair por causa do trânsito”, disse o lavador de carros.

Na mesma rua, onde se concentrou boa parte do tráfego represado nas duas grandes avenidas do Centro, o comerciante Jânio Andrade, também teve o mesmo problema do lava-jato. “Muito complicado o trânsito. O engarrafamento começou lá na Vila Naval. Eu quase não tinha como sair daqui para ir pra casa na zona Norte”, reclamou da interdição.

 

MOTIVOS

A interdição do trecho ocorreu depois de uma ação da promotora de Defesa do Meio Ambiente de Natal, Rossana Sudário, na justiça. Conforme a promotoria, o Canal do Baldo, por onde passam as principais avenidas do centro da cidade, corria o risco de desabamento.

O secretario municipal de Obras Públicas e Infraestrutura, Tomaz Neto, defendia que não ocorreria ruptura da estrutura do canal porque não havia indícios, como fissuras ou afundamento. Mas nas proximidades do canal as rachaduras são expressivas, assim como o concreto degradado e as ferragens expostas.

Para dar uma solução provisória, a Prefeitura de Natal realizou o escoramento do Canal do Baldo com pontaletes de metal (vigas). Esse foi o principal motivo para o fim da interdição, acertada ontem entre a Procuradoria do Município e a Promotora Rossana Sudário. O acordo também prevê que as obras do canal sejam finalizadas em 90 dias.

Mas ainda resta outro grande problema sobre a cabeça de todos, o Viaduto do Baldo. Com obras paralisadas desde setembro do ano passado e trânsito interrompido desde outubro de 2013 por força judicial, o acordo que diz respeito a essa estrutura prevê que as obras sejam finalizadas até 31 de dezembro deste ano.

Em caso de descumprimento do acordo, a Prefeitura pode pagar multa diária de R$ 10 mil. Depois de todos os ajustes no projeto executivo da obra que prevê a recuperação estrutural do viaduto e canal, o valor da obra sairá por R$ 2,2 milhões. Isso representa 24% a mais do que o projeto inicial no valor de R$ 1,7 milhões. Segundo o secretário, com essa recuperação o canal e o viaduto irão ganhar mais 30 anos de trafegabilidade desde que seja feita manutenção a cada dois anos.

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