Especialista alerta sobre importância da alimentação correta para autistas

Simone Pires afirma que nutrição diferenciada melhora qualidade de vida de crianças com autismo

Palestra realizada em Natal foi voltada para pais de autistas e profissionais da área da saúde. Foto: José Aldenir
Palestra realizada em Natal foi voltada para pais de autistas e profissionais da área da saúde. Foto: José Aldenir

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

 

Pais de crianças com autismo, profissionais da área de saúde e demais interessados no tema participaram neste sábado (23) de uma palestra sobre a importância de uma alimentação correta para crianças e adolescentes com o Transtorno de Espectro Autista, ou autismo, com a especialista em Defeat Autism Now (Derrote o Autismo Já) Simone Pires, em Natal. Em duas horas, ela falou sobre a importância de uma correta dieta alimentar e do histórico clínico da criança ou adolescente, para o diagnóstico e tratamento de cada caso.

“É importante sabermos se a criança com autismo tem alguma intolerância, déficit de vitamina, mineral ou aminoácido, para fazermos essa reposição para que ela possa aprender no dia a dia dela ter mais facilidade para aprender nas terapias, na escola. Muitas crianças com o espectro autista não conseguem dormir, elas têm seletividade alimentar, isso tudo por causa orgânica. Quando resolvemos essa parte, conseguimos uma melhor qualidade de vida para elas”, explicou.

Simone, que é formada em anestesiologia, disse que estuda o tema desde 2002, quando seu filho, com então um ano de idade, foi diagnosticado com autismo. Desde então, ela se aprofundou nos estudos e fez várias pós-graduações dentro e fora do Brasil, para aprender a cuidar com maior atenção do filho e ajudar outras famílias com o mesmo diagnóstico. Até 2008, ela fez isso através da internet, mas depois, passou a atender de forma efetiva, em consultório.

Ela disse que é preciso ficar atento aos quadros clínicos que as crianças apresentarem, para pensar nas possíveis investigações a serem feitas, porque muitos não conseguem expressar sentimentos, emoções, sintomas e é através desses dados é que é possível estabelecer uma forma de terapia a ser aplicada a cada caso. E que o histórico clínico da criança também é muito importante.

“Muitos não falam, ou seja, não conseguem expressar se tem dor, se tem medo, não conseguir dormir, uma série de sintomas e através de alguns dados clínicos, como constipação intestinal, não ir ao banheiro, não comer, isso tudo são sinais que podem integrar ao estudo para saber quais exames e terapias seguir. A ideia é poder ajudar essas pessoas aqui a direcionar o que eles têm que olhar nas crianças que eles têm”, explicou.

No caso dos profissionais de educação e de saúde, Simone disse que o objetivo da palestra é auxiliá-los a descobrir o que cada um pode fazer dentro de sua área de atuação, o que podem contribuir para o autista e sua família. Ela afirmou que, em casos de famílias com filho único ou primeiro filho, os pais encontram dificuldades para identificar algum sintoma que possa relacionar ao autismo. O que, para um professor, que tem outros 20 alunos para comparar o comportamento daquele estudante específico, é bem mais fácil.

Três níveis de autismo

Simone Pires explicou que o autismo hoje é classificado, de grosso modo, em três níveis: leve, moderado e grave. E que, dentro de cada um desses, há várias subclassificações. Mas que, no geral, isso depende de cada caso e que não há possibilidade, até os sete ou dez anos de idade, se ela terá uma vida independente ou não.

“Tem autista que fala e o que não fala, o que é agressivo ou não, que tem movimentos estereotipados ou não, entre outros detalhes. E que depende dos estímulos recebidos por cada um e se tem condições de aprendizagem, assim, tem autista que não são verbais, mas que conseguem ser independentes e temos aqueles que falam e são totalmente dependentes, então, varia muito de pessoa para pessoa”, explicou a especialista.

“Meu filho pode muito mais do que diz a medicina convencional”

Mãe de um menino de quatro anos, diagnosticado com autismo há um, a professora Janaína Lira integra um grupo de familiares no Rio Grande do Norte que busca a autonomia e o desenvolvimento de crianças autistas. Ela disse que seu filho, que foi diagnosticado primeiro com Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGD), passou a ter qualidade de vida após o início do tratamento com a especialista Simone Pires.

“Pensava muito na questão da dependência e quando conversei com a Simone pela primeira vez, ela me disse que também tinha um filho autista e que queria que ele fosse morar sozinho aos 18 anos. Entendi o recado e que meu filho tinha chances de evoluir e que ele pode muito mais do que diz a medicina convencional. Passei a fazer os exames, a suplementação, a alimentação correta e, em uma semana, ele começou a mudar, começou a viver com um pouco mais de qualidade de vida”, desabafou.

Janaína revelou que antes, a criança não dormia direito, não se alimentava corretamente, entre outras limitações que trouxeram inúmeras dificuldades para a família, mas que, com o passar dos dias e o tratamento adequado, ele conseguiu pequenos, mas importantes avanços, como olhar nos olhos das pessoas, acompanhar visualmente animais, se alimentar melhor e aumentar o nível de concentração, além de dormir bem. E que compartilhar isso com outros pais, que também têm filhos autistas, trouxe inúmeras recompensas emocionais.

“Não é fácil, não é mágico, mas é algo que traz segurança porque vemos que nosso filho está conquistando a sua saúde e autonomia. E descobri que não adianta trabalhar o externo, se o interno está destruído. Tudo foi tratado paulatinamente e compartilhar isso com outros pais que estão vivendo o que eu vivi é muito bom e importante, porque precisamos de orientação no momento do diagnóstico. E eu sofri muito até encontrar um especialista que conseguisse me auxiliar”, afirmou.

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