Especialista orienta: para fazer acupuntura é importante ter diagnóstico do problema
Os benefícios da acupuntura são amplamente conhecidos na área da medicina. Considerado um método terapêutico, a acupuntura se caracteriza pela inserção de agulhas em pontos específicos da superfície do corpo, de forma segura e desprovida de efeitos adversos quando realizada por profissionais capacitados. A prática, reconhecida como especialidade médica desde 1995 pelo Conselho Federal de Medicina, tem validação científica, comprovada através de trabalhos e pesquisas nas mais variadas áreas que evidenciam os efeitos do procedimento.
Originária da China, a Acupuntura é um método terapêutico de neuromodulação periférica que visa tratar doenças e prevenir a saúde. Trata-se de uma técnica que, a partir de estímulos periféricos, desencadeia uma série de mecanismos, envolvendo o sistema nervoso (central e periférico). A inserção da agulha estimula as terminações nervosas livres existentes na pele e nos tecidos subjacentes, principalmente nos músculos.
Embora que na China a técnica seja feita com agulhas de diversos calibres e até reutilizadas, no ponto de vista da medicina moderna elas tem que ser descartáveis. São agulhas mais maleáveis do que as utilizadas para injeção, por exemplo. A sensação do agulhamento não é a mesma sentida na injeção, sendo mais percebida como uma sensação de choque ou queimação.
O tratamento por acupuntura se mostrou eficaz para casos de doenças do Trato Respiratório, como sinusite e rinite aguda, resfriado comum, amigdalite, bronquite e asma; doenças oftalmológicas, como conjuntivite aguda, retinite central, miopia e catarata; distúrbios da cavidade bucal, a exemplo de odontalgia, dor pós-extração dental, gengivites e faringites.
A acupuntura também pode ser utilizada para casos de distúrbios gastrointestinais, como espasmos do esôfago, soluços, gastroptose, gastrite, hiperacidez gástrica, úlcera duodenal, colites agudas e diarreias; além de distúrbios ortopédicos e neurológicos, como cefaleias, enxaqueca, paralisia facial, paralisia pós-AVC (Acidente Vascular Cerebral), disfunção neurogênica da bexiga urinária, dor na lombar, artrite reumatoide, entre outros.
A ideia de que o método é um procedimento natural, inofensivo e isento de riscos é completamente equivocada e quando mal executado pode acarretar em acidentes e complicações. Entretanto, os riscos não estão associados à prática da acupuntura em si, mas sim a pessoas não habilitadas que realizam o procedimento que requer capacidade de identificar e conduzir um caso clínico.
Segundo a médica acupunturista Patrícia Jales, presidente do Colégio Médico de Acupuntura (CMA) no RN, o método é um tratamento médico não medicamentoso, mas é preciso ser feito um diagnóstico da situação para depois ser realizado o tratamento pela acupuntura. “Muitos pacientes acham que é chegar a uma clínica e fazer a acupuntura, mas na realidade não é assim. Se o paciente não tem o diagnóstico adequado, pode acontecer do resultado não ser favorável, por isso, chamamos a atenção para ser feito por um profissional que tenha capacidade de diagnóstico. Os profissionais que tem essa capacidade é o médico, o dentista (para acupuntura em dores faciais) e os veterinários, cada um na sua área”, disse Patrícia.
Na análise feita por Patrícia Jales, não se trata apenas da introdução de uma agulha. Há técnicas diferentes de aplicação. “Mas é preciso o diagnóstico para o tratamento ser efetivo. Uma simples dor de cabeça pode ser sintoma de diversas doenças. No caso de uma dor causada por um tumor, por exemplo, a acupuntura em vez de melhorar o resultado pode vir a atrasar o diagnóstico desse tumor. É importante que as pessoas saibam que a acupuntura não é para tratar um sintoma, mas sim uma causa”, afirmou.
Ao inserir a agulha, o médico especialista em acupuntura tem que acessar um nervo periférico, que representa a estrutura mais sensível do corpo humano. Um profissional sem formação médica especializada pode estimular de modo inadequado ou, até lesar o nervo e outras áreas do organismo.
Na medida em que a acupuntura vai sendo feita, ela vai tentando modular substâncias cerebrais relacionadas com o controle da dor, com o controle da ansiedade, agindo com endorfinas e adrenalinas. “Seria como tentar um equilíbrio dessas duas substâncias. Áreas que envolvem dor crônica, padrão de ansiedade e depressão, distúrbio do sono, e distúrbios de ansiedade na parte de alimentação, por exemplo, poderiam ter um tratamento ligado à acupuntura. Existe outros casos de indicações, mas hoje em dia o que há em evidência no ponto de vista cientifico é a atuação nesses princípios”, aponta a especialista.
Apesar da necessidade de um diagnóstico profissional, a prática da acupuntura é considerada um método sem contraindicações. “Ela não traz um efeito maléfico e os benefícios são muito bons. O que a gente observa é que muitas vezes os pacientes não querem deixar o tratamento, muito embora haja casos que nós damos alta. Normalmente até acontecer o equilíbrio das substâncias o paciente já pode deixar de fazer o tratamento”, explica Patrícia.
Acupuntura pelo SUS
Em março de 1988, o Governo Federal, numa atitude inovadora e coerente com os princípios da universidade, da integridade e da igualdade, que viriam a embasar o surgimento do então futuro Sistema Único de Saúde (SUS), implantou de forma oficial a acupuntura nos serviços públicos de atenção à saúde. Esse ato foi instrumentalizado pela Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação (CIPLAN, à época composta pelos ministérios da Saúde, Previdência e Assistência Social, Trabalho e Educação), que editou a Resolução 05/88, estabelecendo as diretrizes e parâmetros para o atendimento médico na especialidade Acupuntura nos serviços públicos de atenção à saúde.
Desta maneira, efetivou-se essa modalidade de assistência médica especializada nas secretarias de saúde, tanto estaduais quanto municipais, bem como nos serviços médicos assistenciais universitários. Quase 400 mil atendimentos médicos em acupuntura já são realizados anualmente pelos SUS. E as perspectivas apontam para um crescimento muito maior.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, a procura pela acupuntura na rede pública de saúde cresceu cerca de 50% de 2007 para cá. “A implantação da acupuntura no SUS teve muito bom resultado e muito boa aceitação. Mas a dificuldade para quem vai ao serviço público é de conseguir fazer a triagem antes de realizar a acupuntura. O ideal seria que o paciente fizesse uma consulta com o médico Clínico Geral, para se avaliar. A pessoa pode ir direto ao acupunturista, mas também pode acontecer do médico precisar de uma avaliação mais precisa do caso”, afirma Patrícia Jales.
Atualmente a acupuntura é oferecida principalmente nas unidades básicas de saúde, responsáveis por 70% dos atendimentos, seguido por 25% dos atendimentos feitos nas unidades especializadas (ambulatórios específicos) e 5%, em hospitais (em cuidados paliativos). Em 2011, o Ministério da Saúde gastou R$ 5,6 milhões em procedimentos de acupuntura, incluindo as consultas realizadas nos estabelecimentos que prestam o serviço pela rede pública. Em 2012, até agosto, já haviam sido repassados R$ 4 milhões.
“A partir da implementação da política nacional, a acupuntura passou a ser mais conhecida. Os resultados científicos se tornaram mais claros, mais evidentes. Com isso, as pessoas se sentirem mais seguras para procurar o atendimento”, afirmou Patrícia.
Notícias Relacionadas

