Nélter destila: “Esperamos que Rosalba seja candidata para o povo derrotá-la”

Deputado do PMDB descarta totalmente possibilidade do partido voltar a conversar com a governadora

Nélter Queiroz afirma que o PMDB quer derrotar sua ex-aliada nas urnas, se ela puder ser candidata. Foto: Divulgação
Nélter Queiroz afirma que o PMDB quer derrotar sua ex-aliada nas urnas, se ela puder ser candidata. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

 

O clima na classe política é de repulsa à governadora Rosalba Ciarlini (DEM), tendo por base a desaprovação do seu governo. Tanto é assim, que alguns representantes do segmento político do Estado não admitem sob nenhuma hipótese dialogar com a governadora com vistas a apoiar o projeto de reeleição da gestora, que enfrenta dificuldades na Justiça e no próprio partido, o DEM, comandando local e nacionalmente pelo senador José Agripino Maia.

O deputado estadual Nélter Queiroz (PMDB), por exemplo, disse hoje que “só pode ser ironia” a possibilidade de o PMDB voltar a conversar com Rosalba, levantada pelo ex-deputado federal Ney Lopes de Souza (DEM) e chancelada por Rosalba na edição de ontem de O Jornal de Hoje. “Isso é uma ironia, eu acho. Só pode ser. Eu simplesmente não vejo nenhuma possibilidade”, afirmou o deputado.

Nélter defende que Rosalba supere as dificuldades na Justiça Eleitoral e no seu partido e consiga se candidatar. “Desejaria que ela fosse candidata, para o povo derrotá-la. Se a Justiça deixar e o partido. Espero que a Justiça deixe e o DEM não crie dificuldade, porque, democraticamente, nós queremos derrotá-la”.

O ex-deputado Ney Lopes chegou a declarar que, estando Rosalba desimpedida e com amparo legal da lei, seria uma espécie de ato ditatorial do senador José Agripino Maia, negar a legenda para que a governadora dispute o pleito deste ano. A hipótese é ventilada e a possibilidade de a Justiça decretar a inelegibilidade da governadora é vista com bons olhos pelo senador, que evitaria o desgaste de um conflito com Rosalba em caso de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitir que ela concorra novamente ao cargo.

Rosalba foi condenada duas vezes pela Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte ao afastamento do cargo e à inelegibilidade. Sobrevive na função provisoriamente, através de liminares da Justiça Eleitoral em Brasília. “Espero que a Justiça não negue. Espero que ela tenha legenda para a gente derrotá-la, democraticamente, nas ruas”, acrescentou Nélter.

 

PMDB poderá apresentar candidato pela primeira vez em 16 anos

O clima no PMDB é de candidatura ao governo do Estado. Pela primeira vez desde 1998 – portanto, nos últimos 16 anos – o partido dos Alves age para apresentar um candidato ao governo. O último a disputar o cargo foi Garibaldi, em 1998, como candidato à reeleição. Henrique seria o substituto do PMDB e do Alves na sucessão de Garibaldi em 2002, mas foi surpreendido por denúncias nacionais de acúmulo de riqueza no exterior, conforme apontado numa ação litigiosa pela ex-mulher Mônica Azambuja – o que não se comprovou posteriormente.

O problema é que o PMDB, a pouco mais de três meses das convenções partidárias, em junho deste ano, ainda não definiu quem será o candidato do partido. Há quem aponte que será um Alves, porque o partido – e a família – não deixará passar o cavalo selado. Embora tenha suscitado o nome do empresário Fernando Bezerra, na verdade um Alves aproveitaria a oportunidade. Não se sabe ainda quem. Se Henrique, Garibaldi, Walter ou, ainda, o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves – o único que não está no PMDB.

“O PMDB está nesse desdobramento de fazer sondagem e ver com quem vai se coligar. Vamos começar em fevereiro os encontros regionais, pra saber com quem devemos nos coligar se com Wilma de Faria ou com Fátima Bezerra. E formalizar o desejo para que nome de Fernando Bezerra seja formalizado, para colocar o nome dele nas ruas”, diz Nélter.

Em verdade, o partido considera que Wilma de Faria é o melhor nome para fortalecer o palanque. Ex-governadora do Estado por duas vezes, atual vice-prefeita de Natal, ela mesma quer o Senado, um cotidiano muito mais tranquilo que as atribulações do governo estadual. Também seria desejo de Agripino e de Garibaldi situar Wilma no Senado agora.

Afinal, em 2018, se estive fortalecida, Wilma poderia disputar o Senado, ameaçando a vaga de Agripino ou de Garibaldi. Nélter confirma que Wilma seria a bola da vez. “Segundo o que a gente sente, a totalidade do PMDB é com Wilma. O que resta ser perguntado é o seguinte: Wilma topa ser candidata à senadora com Fernando Bezerra ao governo?”, indaga Nélter.

 

“Wilma acha que Fernando Bezerra puxa a chapa para baixo”

Segundo Nélter Queiroz, embora o PMDB insista em apresentar às bases da legenda o nome do empresário Fernando Bezerra, poderá ser da ex-governadora Wilma de Faria o veto ao suposto governadorável. O veto da ex-governadora, que está sendo sondada para ser candidata ao Senado na chapa que teria o PMDB indicando o candidato a governador, teria por base o fato de Wilma recear enfrentar Fátima Bezerra (PT) tendo como parceiro no palanque um nome frágil eleitoralmente como Fernando Bezerra.

Fernando Bezerra também não quer enfrentar um candidato forte ao governo, como, por exemplo, Wilma de Faria. “Wilma não quer enfrentar Fátima, da mesma forma que Fernando não quer enfrentar um candidato forte para o governo. Os candidatos majoritários todos querem o filé mignon. Senador não quer disputa com risco. Governador do mesmo jeito”.

Segundo Nélter, “Wilma não tem interesse de disputar com Fátima o Senado tendo um candidato como Fernando no seu palanque porque acha que Fernando puxa para baixo. Se for Henrique ou Garibaldi, Wilma topa”, afirmou.

Já o PMDB inverter e apoiar Wilma para o Senado, segundo Nélter Queiroz, é outro cenário. “O PMDB interessa indicar o candidato para o governo”. Nélter disse ainda que é possível que a chapa que estão falando que estaria montada, com Henrique para o governo, o deputado federal João Maia como vice, e a Wilma para o Senado, seja plenamente possível. “Isso pode acontecer, tudo pode acontecer. Tem que esperar a etapa, no mês agora que vem”.

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