Esqueleto-robô da Copa usará técnica já criticada por criador

Por Fernando Tadeu Moraes FOLHA DE S. PAULO Na abertura da Copa do Mundo do Brasil, uma criança com lesão…

Por Fernando Tadeu Moraes

FOLHA DE S. PAULO

Na abertura da Copa do Mundo do Brasil, uma criança com lesão medular usando um exoesqueleto dará o pontapé inicial da competição. A demonstração pública será o primeiro resultado do projeto “Andar de Novo”, liderado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

Mas uma recente mudança na maneira como serão captados os sinais cerebrais que controlarão o exoesqueleto traz dúvidas sobre os avanços do projeto no campo da neurociência.

Em sua carreira, Nicolelis sempre fez uma defesa intransigente do implante de eletrodos dentro do cérebro para captar a atividade simultânea de neurônios individuais. Era crítico de métodos não invasivos, como a eletroencefalografia (EEG) –técnica desenvolvida no começo do século passado que usa eletrodos colocados no couro cabeludo para obter tais registros.

Até pelo menos maio do ano passado, Nicolelis ainda dava declarações públicas sobre o desenvolvimento de eletrodos para serem implantados. Mas a partir de outubro de 2013, passou a dizer que usaria sinais obtidos por EEG. Críticas a essa técnica estão em seu livro, em artigos e já rendeu até embates públicos.

Em artigo publicado em 2008 na revista “Scientific American Brasil” e assinado com John Chapin, Nicolelis diz: “Os sinais de EEG, no entanto, não podem ser usados diretamente em próteses de membros, pois mostram a atividade elétrica média de populações amplas de neurônios. É difícil extrair desses sinais as pequeníssimas variações necessárias para codificar movimentos precisos dos braços ou das mãos.”

Em um debate da Associação Americana para o Avanço da Ciência de 2013, o brasileiro dirigiu provocações a Todd Coleman, da Universidade da Califórnia em San Diego, que pesquisa a EEG para controlar próteses. Na ocasião, Nicolelis disse que “haverá aplicações de implantes invasivos porque eles são muito melhores do que dispositivos de superfície”.

Segundo Márcio Dutra Moraes, neurocientista da UFMG, a mudança de metodologia é uma modificação “conceitual em como abordar a questão”. Ele aponta que isso ocorreu não porque a EEG é melhor, mas porque a proposta original era “estupidamente mais complexa” e o uso da EEG simplifica muito as coisas, ainda que não traga nenhum avanço substancial. Segundo Moraes, a mudança “certamente se deu pela impossibilidade de resolver de forma satisfatória e ética o projeto inicial dentro do limite de tempo imposto pela Copa”.

Segundo um cientista com experiência internacional que não quis se identificar, o projeto atual, como será apresentado na Copa, não justificaria os R$ 33 milhões investidos pelo governo.

Edward Tehovnik, pesquisador do Instituto do Cérebro da UFRN, chegou a trabalhar com Nicolelis, mas rompeu com o cientista, que o demitiu. Ele questiona quanto da demonstração de junho será controlada pelo exoesqueleto e quanto será controlada pelo cérebro da criança.

“Minha análise, baseada nos dados publicados, sugere que menos de 1% do sinal virá do cérebro da criança. Os outros 99% virão do robô”. E ele pergunta: “Será mesmo a criança paralisada que vai chutar a bola?”.

Sergio Neuenschwander, professor titular da UFRN, diz que a opção pelo EEG é uma mudança muito profunda no projeto original. Ele diz que é possível usar sinais de EEG para dar comandos ao robô, mas isso é diferente de obter o que seria o código neural de andar, sentar, chutar etc.

“O fato de ele ter optado por uma mudança de técnica mostra o tamanho do desafio pela frente.” (FTM na Folha)

 

Nada de novo

O sutiã na matéria da Folha diz assim: “O neurocientista Miguel Nicolelis usará técnica antiga, que antes criticava, para fazer uma criança com lesão medular, usando exoesqueleto, dar o pontapé inicial da Copa”. Como eu digo, é só vaidade extrema.

 

Mãos dadas

A foto com Henrique Alves (PMDB) e Wilma de Faria (PSB) de mãos entrelaçadas e erguidas espalhou-se pela mídia. Uma imagem que remete a uma convenção em que Wilma ergueu o braço de Henrique, dando-lhe apoio, e logo depois o derrotou.

Tudo junto

Henrique já tem na ponta da língua um discurso para os eleitores bacuraus que ainda resistem ao voto em Wilma. Vai dizer que quem não votar na guerreira que procure outro governador para votar. Ele só aceitará ser votado se for junto com ela.

E agora?

Chapa lançada, com Henrique, João Maia e Wilma, é hora de contar as “barrigas” da imprensa praticadas na semana anterior e até à véspera do lançamento. Se bem, que ainda se pode especular sobre alterações e traições nas datas das convenções.

Investigação

Já que o PT criou a tal comissão do revanchismo, que chama de verdade, sugiro aos representantes do Brasil decente que se crie uma comissão da verdade para apurar a morte de Paulo Francis, logo após ser processado por marajás canhotos da Petrobras.

De Glausiiev Dias

“Eles querem vasculhar os arquivos da ditadura, mas, vejam só, estamos hoje diante de um dos maiores escândalos de incompetência já vistos no gerenciamento de uma estatal como a Petrobras, e os petistas querem abafar a criação de uma CPI”. (Ontem no JH)

Oposição

Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) estão cada vez mais ativos no combate aos deslizes e as trapalhadas do governo Dilma Rousseff, deixando no ar a suspeita de que já têm um acordo quanto ao segundo turno das eleições. Um empurra o outro.

Escuridão

Nova Zelândia e Austrália foram os primeiros países a apagarem as luzes hoje, seguindo a campanha “A hora do planeta”. O horário no Brasil será às 20h30. A rede de fast food McDonalds decidiu apagar todas as luzes das suas milhares de lojas pelo mundo.

Zico

Já nas prateleiras da Livraria Saraiva o livro “Simplesmente Zico”, uma coletânea de artigos, crônicas e depoimentos sobre o maior ídolo do Flamengo, organizada pela jornalista Priscila Ulbrich. Dois natalenses participam: eu e a ex-jogadora Virna.

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