Esquentando a camisa

A torcida do ABC iniciou 2014 de estima achatada. Viu seu maior rival disparar na Copa do Nordeste enquanto um…

A torcida do ABC iniciou 2014 de estima achatada. Viu seu maior rival disparar na Copa do Nordeste enquanto um time de gambiarra sucumbia na Copa RN, prévia sem graça do pouco atraente Campeonato Estadual.

A contratação do atacante Lúcio Curió animou paralelepípedos alvinegros. Foi como injeção de coramina, que só não ressuscita morto de atestado de óbito e devidamente sepultado. A chegada do goleador reacendeu a chama do amor-próprio do torcedor acabrunhado.

Ensinou o ex-presidente do Fluminense Francisco Horta, que ao apaixonado somente o esplendor de um craque vestindo a sua camisa é capaz de sacudi-lo da apatia ou da desconfiança.

Assim, arrojado, Francisco Horta montou a Máquina Tricolor, timaço com Rivelino, Paulo Cézar Cajú, Doval e Dirceu em 1975 e 1976, superando Flamengo e Corinthians em renda e público nos campeonatos brasileiros.

Francisco Horta é uma grife, é um quadro sem imitações. E o bravo Lúcio Curió jamais será um dos citados do Fluminense inesquecível. Está longe deles e perto do torniquete da rivalidade local. Exatamente para estancar a sangria do desânimo. Para Natal, Lúcio Curió é um reforço e tanto.

A cidade não tem mais cafés, pontos de táxi ou botecos unânimes onde se debatia futebol no auge dos golpes de um rival no outro. Alberi causou pane telefônica, energética e emocional ao cometer a suposta heresia de sair do ABC para o América.

O alvinegro devolveu tirando Reinaldo do oponente, Reinaldo que jogou e foi campeão de 1976 seguindo direto para o Santos onde sua carreira começou a ser abalada por uma atração inesgotável para contusões graves.

O América tirou Dedé de Dora do ABC para ser bicampeão em 1988 descontando o peso de ter perdido o centroavante Silva, melhor da história do Castelão (Machadão) e primeiro contratado para o título em preto e branco em 1983.

Houve quem vestisse as duas camisas com extrema perícia. O último foi Cascata. Houve quem mantivesse fidelidade xiita: Danilo Menezes e Noé Macunaíma no ABC, Moura e Souza no América.

Outros fracassaram na travessia, como Baíca, atacante do América no ABC e Januário do ABC, nulo de vermelho em 1999. Ou Marcelo Fernandes, amaldiçoado quando esteve no ABC por conta de um gol contra espírita em decisão, durante desempenho impecável no América.

Lúcio Curió é uma chacoalhada na mesmice da temperatura de nosso futebol. O América seguia em voo de gaivota, solitário e coreografado, agora terá de redobrar cuidados em sua defesa quando for enfrentar aquele que foi ídolo em duas passagens pelo clube.

Lúcio Curió vestiu a camisa alvinegra e anunciou que sairá por aí. Cantando. Fazendo gols rebeldes e conquistando títulos. É a confirmação de que um protagonista, patenteado, constatado, vale por um balaio de figurantes.

 

Na mesa

Tiveram direito a sentar à mesa da apresentação oficial de Lúcio Curió os dirigentes alvinegros Rogério Marinho e Paiva Torres, o segundo menos frequente em aparições de luzes e holofotes, mais o técnico Roberto Fernandes. Na chegada do trem-fantasma do início do ano, ninguém se aboletou.

América em campo

O América apenas acompanha a festa alvinegra pela chegada de Lúcio Curió pois tem o que fazer hoje. Enfrenta o Vitória na Arena das Dunas com tudo para fechar o primeiro lugar do seu grupo na Copa do Nordeste e disputar a próxima fase com a vantagem de jogar a segunda partia em casa.

Ofensivo

O torcedor americano espera um time alegre e ofensivo em Natal. Partindo para cima do adversário sem medo e com ligação rápida entre o meio-campo e o ataque, especialmente nos deslocamentos dos homens de frente, que acabaram com o time baiano na primeira partida em Salvador.

Mais valorizado

O América entra em campo com uma boa notícia para embalar. Levantamento da Pluri Consultoria, especializada em esportes, aponta o time rubro como o de maior valor de mercado no Rio Grande do Norte. A pesquisa foi feita em todo o Brasil.

Vitória relaxado

O técnico do Vitória, Ney Franco, parecer dar pouca importância ao jogo desta noite. Fez um breve coletivo coletivo manhã desta terça-feira e decidiu não levar Ayrton e Juan, titulares das laterais direita e esquerda, respectivamente, o zagueiro Matheus Salustiano, o volante Cáceres e o meia Escudero. Ney relacionou os zagueiros recém-contratados, Luiz Gustavo e o argentino Jonathan Ferrari, e o volante Neto Coruja, que ainda não jogou este ano.

Os tubos

Quando se fala em Copa do Mundo, por mais apaixonado que alguém seja por futebol, é importante haver a capacidade de análise da festa e da farra. O Portal da Transparência do Governo Federal mostra que o dinheiro público aplicado para o evento chega ao assustador índice de 93,7% do total, sendo 51,8% da União, 36,5% dos estados e 5,4% dos municípios.

Gastos vezes três

O custo inicial da Copa do Mundo era projetado em R$ 2,6 bilhões quando anunciada em 2009 a relação das sedes. Hoje, subiu para uma previsão final de R$ 8,9 bilhões, mais do que o triplo da expectativa dos organizadores.

Mais cara

Somente com a construção de estádios, a Copa do Mundo no Brasil já é proporcionalmente mais cara do que na Alemanha em 2006 (custos de R% 2,6 bilhões) e na África do Sul, com R$ 6,4 bilhões. Um assento na Alemanha e na África do Sul custou em média 11 reais. No Brasil é 17. Podem ter dourado o nosso material de abrigar bunda.

Rodada dupla

Era comum chegar cedo ao estádio e assistir às preliminares. Em 5 de fevereiro de 1975, houve rodada dupla no Estádio Castelão(Machadão) pela Taça Cidade de Natal, apenas 1.944 pagantes.

Clássico dos pequenos

Um clássico dos times pequenos abriu a programação com empate entre Riachuelo e Atlético (2×2). O Riachuelo, clube da Marinha, marcou com Marreco e Talvanes, ídolo remanescente do velho Juvenal Lamartine. O Atlético, rubro-negro predileto do histórico e folclórico dirigente João Machado, fez seus gols com Romão e Santos.

ABC x Ferrim

Na partida principal, Jorge Demolidor fez dois dos 3×0 do ABC em cima do Ferroviário, comandado pelo dirigente João Batista de Paiva, eterno presidente da antiga Fundação de Esportes de Natal(Fenat). Arbitragem do saudoso Afrânio Messias, concunhado do ponta-esquerda Noé Macunaíma, do ABC.

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