Esquerda padrão FIFA – Alex Medeiros

Por Vladimir Safatle   Aqueles dispostos a permanecer de esquerda e defender o governo federal deveriam pensar melhor sua maneira…

Por Vladimir Safatle

 

Aqueles dispostos a permanecer de esquerda e defender o governo federal deveriam pensar melhor sua maneira de compreender as críticas feitas à Copa do Mundo.

A tentativa de desqualificar toda crítica a partir do clássico sintagma “você está fazendo o jogo da direita” deveria ser motivo de vergonha. Tal argumentação estratégica só aparece quando não é mais possível utilizar raciocínios realmente programáticos.

Muitas das críticas mostraram com clareza como tais grandes eventos esportivos são um presente envenenado por potencializar um modelo de desenvolvimento excludente.

Remoções brutais de populações, estádios construídos em condições deploráveis de trabalho, cidades atravessadas por megaprojetos feitos a partir da lógica da rentabilização máxima da especulação imobiliária, relações incestuosas entre recursos públicos e interesses de pequenos grupos de grandes empresários, incompetência gerencial feita expressamente para ajudar empreiteiras a lucrar mais: esta foi a mesma história encontrada na África do Sul, no Brasil e, certamente, será repetida na Rússia.

Nos primeiros dois casos, ela conta como antigos grupos de esquerda, tais quais o partido CNA (Congresso Nacional Africano) sul-africano e o PT brasileiro, naturalizaram o fato de se transformarem em parceiros privilegiados da hiper-rentabilização do capital por meio do esporte. Hiper-rentabilização comandada por uma entidade eivada até a medula por acusações pesadas de corrupção.

Como se não bastasse, é triste não estranhar mais que uma política que se veja de esquerda abrace sem complexos a dinâmica anestesiante da sociedade do espetáculo.

Parece o sintoma mais acabado de falência ideológica usar megaeventos como dispositivo de mobilização nacional.

Tentar reeditar luta de classes por meio da defesa da Copa do Mundo é uma situação patética que alguns defensores do governo deveriam nos poupar. Mais um pouco e teremos gente que se dizia de esquerda gritando: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Enquanto isso, temos pessoas que são presas como criminosos por participarem de protestos e funcionários públicos que são demitidos por utilizarem a visibilidade da Copa a fim de organizarem greves cuja função era expor suas péssimas condições de trabalho. Seria bom nos atentarmos primeiramente para eles neste momento.

Eles não procuravam “estragar a festa” da população, mas lembrar que há muita gente que não foi convidada para dela participar.

A esquerda morre quando negocia sua força crítica por alguns ingressos de futebol. (VS na Folha de S. Paulo)

Dia histórico

Hoje está completando 20 anos que o Brasil saiu do abismo da desgraça e superou o monstro da inflação com a implantação do Plano Real, por Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco. Um ato que lançou o país no rumo dos avanços que temos hoje.

Era o inferno

As novas gerações não têm a menor idéia do que era sobreviver numa inflação de dois dígitos por mês, com os produtos tendo um preço de manhã e outro à tarde, modificados pelas maquininhas de etiquetar constantemente nas mãos de todos os comerciantes.

Dia histórico II

O ministro Joaquim Barbosa participando hoje da sua última sessão como integrante do Superior Tribunal Federal, a alta Corte em que ele fez história e mostrou ao Brasil como combater corruptos poderosos e enfrentar a ira xiita de um partido quadrilheiro.

Vermelhou

A adoção da cor vermelha na campanha de Robinson Faria (PSD) nada tem a ver com o apoio de PT e PC do B. Foi uma sugestão das bases no interior do estado, acostumadas com a cultura do verde versus encarnado, desde Aluizio Alves e Dinarte Mariz.

Coordenador

O candidato tucano Aécio Neves escolheu bem o senador democrata José Agripino como coordenador da sua campanha. Até Luiz Inácio sabe da capacidade de formulação e da força de articulação com lideranças políticas e empresariais de JA no país.

O vice

Os pecados do senador Aloysio Nunes (PSDB) estão no passado de juventude, quando se envolveu com o terrorismo da guerrilha urbana. É hoje um grande republicano, um dos primeiros a combater a “comissão da mentira” que alimenta revanchismo no país.

Maluf

E o doutor Paulo preferiu afastar-se da candidatura do PT ao governo de São Paulo e agora apóia o PMDB. Dizem que até Luiz Inácio abandonou o “Padilhando”. A briga ficará restrita a duas fortes chapas: Alckmin e Serra versus Paulo Skaf e Kassab.

Pernambuco

Eduardo Campos (PSB) quer disputar o Planalto, mas vai perdendo fôlego até dentro de casa, onde sua chapa com apoio do PMDB está tomando uma surra grande nas pesquisas para a chapa do empresário Armando Monteiro (PTB), aliado do PT.

Minas Gerais

Enquanto isso, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (do partido de Eduardo Campos), anunciou ontem apoio ao candidato de Aécio Neves (PSDB) ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, que já administrou a capital mineira nos anos 1990.

Rio Grande do Norte

Os deputados do PT, Fátima Bezerra e Fernando Mineiro, destacaram em seus discursos na convenção do PSD, domingo, que o palanque de Dilma no RN é o de Robinson Faria. Mas no PMDB, não falta quem diga que Henrique Alves também reivindica.

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