A essência do Real Madrid – Alex Medeiros

Faz pouco tempo, acrescentei ao meu acervo mais um livro narrando a vida e a trajetória profissional daquele que foi…

Faz pouco tempo, acrescentei ao meu acervo mais um livro narrando a vida e a trajetória profissional daquele que foi considerado por grande parte da Europa e Argentina como o maior jogador de futebol da História em todos os tempos: o eterno presidente de honra do Real Madrid, Alfredo di Stefano.

O lançamento de “Historias de uma Leyenda”, escrito pelos jornalistas Enrique Ortego e Luis Miguel Gonzalez, foi em 2 de dezembro de 2012 e movimentou toda a Espanha, atraindo para a capital até mesmo fãs e dirigentes do rival Barcelona.

Há alguns anos, depois de muito garimpar nos sites europeus de vendas de livros e de outros objetos usados, consegui as edições de duas biografias do gênio, “Gracias, Vieja” e “El Caso Di Stefano”, ambos esgotados e peças raras até no portal e-Bay.

O primeiro, já considerado um clássico do ludopédio, é a autobiografia com o título que é uma frase da “Saeta Rubia” (Flecha Vermelha) dedicada à sua maior companheira de glórias, a bola, que virou enorme monumento à entrada da casa do craque.

O segundo narra a chegada de Di Stefano na Espanha, trazido do futebol colombiano pelo Barcelona, para fazer dupla com o maior jogador do clube catalão em todos os tempos, o húngaro Lazlo (ou Ladislau) Kubala. Revela um inusitado jogo político.

Stefano e Kubala chegaram a atuar juntos pelo clube grená, provocando êxtase em toda a Catalunha, até que a força política da Espanha franquista tratou de impor uma disputa salomônica entre Real Madrid e Barcelona para ficar com o ruivo argentino.

Travou-se uma luta renhida de bastidores, com direito a todas as jogadas sujas que só a política consegue estabelecer, e, finalmente, Stefano se foi para o Real para fazer gols, magia e História. Madrid nunca mais foi a mesma depois que ele vestiu branco.

No lançamento de “Historias de una Leyenda”, o controverso e festejado presidente do time merengue, Florentino Pérez, repetiu o que toda a Espanha admite e prega: “Ele foi o melhor de todos os tempos, o grande revolucionário do futebol total”.

Realmente, quando se vê os registros dos feitos desse velhinho bem humorado que assistia aos jogos do seu time com a alegria de um fanático adolescente, é que se tem a real dimensão do seu virtuosismo. “Foi o primeiro ícone universal do Real”, disse Pérez.

Qualquer torcedor “blanco” sabe que a história do grande clube espanhol se divide em dois momentos, antes e depois de Alfredo di Stefano, e muito deve a ele o acúmulo de títulos que contribuíram para sua eleição de melhor time do século XX, chancelado pela FIFA.

O craque, artilheiro, maestro e ídolo no período 1953-1964 transformou para sempre o Real Madrid, que só depois dele acostumou-se a ser um vencedor, um papa-taças. Di Stefano impôs uma cultura, uma essência, o orgulho que hoje permeia o clube.

“Ele nos mostrou o caminho, nos ensinou o estilo e os valores imprescindíveis para erguer a fortaleza que nos acompanha ao largo de toda a nossa história”, declarou o presidente Florentino diante dos craques atuais que pegavam o autógrafo do mito.

Cada um dos jogadores que ao longo do tempo passaram pelo Santiago Bernabeu vestindo a alva camisa da casa, sabe assimilar, entre tantos ensinamentos que o clube transmite, o culto em torno da lenda do seu presidente de honra.

Di Stefano foi figura onipresente na vida do Real Madrid, uma lenda exibida com pompa e orgulho em qualquer cerimônia, desde a contratação de novos atletas aos rituais que antecederam grandes clássicos no belo estádio classificado com 5 estrelas.

Seu legado não é um fato para pesquisador, não está restrito aos livros, jornais e vídeos, se estende por todo o espaço físico do clube e se concentra na mente dos torcedores. Um madridista que se preza sabe de cor a trajetória e as façanhas de “Don Alfredo”.

Quando ele lá chegou, em 1953, o time não ganhava um título desde o final da Guerra Civil. Sua primeira temporada mudou o destino do Real, que ganhou a liga e iniciou o fantástico ciclo de conquistas, na Espanha, na Europa e no mundo.

Como ex-jogador, é um personagem único, brilhante como nos tempos de reinado. Torce pelo clube nas cadeiras com o mesmo espírito de quando comandava os bailes nos gramados. É um exemplo de incomensurável paixão pelo futebol, acima de tudo.

Sua memória prodigiosa se misturava à velha melancolia argentina; nunca esqueceu os companheiros de aventura e viveu a citar a “Máquina do River” dos anos 40, dos 500 gols ao lado de Moreno, Labruna, Pedernera, Muñoz e Loustau.

Para o jornalista madrilenho Santiago Segurola, nenhuma outra lenda do futebol tem a generosidade de Di Stefano, um incansável e gentil estimulador dos novos craques. Imune a mesquinhez, não economizava elogios aos que hoje lutam para um dia ser como ele foi: inesquecível, genial, imortal. (AM)

Maldição

A história dos grandes ídolos do Real Madrid tem uma triste relação com as copas da FIFA. Em 1978, um dia depois do começo da Copa da Argentina, morreu Santiago Bernabeu. E agora, véspera da semifinal da seleção da Argentina, morre Di Stefano.

Obituário

O The New York Times, historicamente avesso ao futebol, publicou na edição de hoje um longo obituário sobre o gênio do Real Madrid. O maior jornal do mundo destaca os feitos do craque que levou o time merengue a ser eleito o melhor do século XX.

Astros em reverência

Os maiores jogadores da História fizeram homenagens a Di Stefano na imprensa e nas redes sociais. Deram depoimentos nomes como Pelé, Cruijff, Maradona, Beckenbauer, Bobby Charlton, Evaristo, Cristiano Ronaldo, Raul, Figo, Falcão e Stoichkov.

Stefano x Pelé

Até hoje a mídia europeia se divide na escolha do maior em todos os tempos. Quando Puskas ganhou o título de melhor do mundo, perguntaram se se sentia assim. “O melhor é Di Stefano”. E na réplica “mais que Pelé?”, devolveu: “Pelé não é desse mundo”.

Os Simpsons

O desenho americano que se destaca pela picardia teve um episódio exibido ontem pelo canal Fox com o Homer Simpson atuando de juiz na Copa do Mundo e com a missão de roubar para o Brasil e faturar uma boa propina oferecida por um executivo da FIFA.

Os Simpsons II

O episódio mostrou também a contusão de Neymar (chamado de El Divo), que no início aparece forjando uma queda e depois levantando sorrindo. Após o “enterro” do craque brasileiro, o jogo termina com a vitória da Alemanha sobre o Brasil por 2 x 0.

Copa do Copa

Poucas horas depois de Josef Blatter afirmar não saber nada sobre esquema de venda ilegal de ingressos, a máfia é desbaratada e revela altos executivos da FIFA envolvidos, todos com ligações com o presidente e seu secretário-geral, Jerome Valcke.

Queda nas vendas

Não foi só o comércio que experimentou queda de vendas no mês de junho, onde as prioridades do consumidor brasileiro e dos turistas estrangeiros estavam concentradas na festa da Copa. A indústria automobilística vendeu 23,3% a menos no período.

México na frente

A produção de veículos leves no Brasil deverá ser ultrapassada pelo México no final do ano. Enquanto por aqui houve queda de 16,8% em relação ao primeiro semestre de 2013, no país do goleiro Ochoa ocorreu um aumento de 7%, e que vai nos superar.

Vai que é tua, Israel!

O terrorismo provoca Israel, que não teme e vai reagir à altura. O primeiro ministro Benjamin Netanyahu alertou hoje o Exército para “que esteja preparado para tudo, inclusive uma possível operação terrestre contra o Hamás”. Está na hora do pau.

Compartilhar: