Estamos na Copa! – Lucia Almira de Medeiros Chacon, professora da UFRN, aposentada (lucialmira@supercabo.com.br)

Finalmente chegamos a esta memorável data. Sim, estamos na 20ª Copa do Mundo e 4ª do século 21, que está…

Finalmente chegamos a esta memorável data. Sim, estamos na 20ª Copa do Mundo e 4ª do século 21, que está sendo realizada no nosso Brasil. É a segunda vez que se realiza no Brasil, sendo a primeira, em 1950, a 4ª Copa do Mundo.

A Copa do Mundo da FIFA é a maior competição internacional de esporte único e é disputada pelas seleções masculinas das 208 federações a ela afiliadas. A competição é jogada a cada quatro anos desde a edição inaugural em 1930, à exceção de 1942 e 1946, quando não ocorreu em função da Segunda Guerra Mundial. Ela cumpre com os objetivos da FIFA de sensibilizar o mundo, desenvolver o esporte e construir um futuro melhor de diversas maneiras diferentes.

Neste ano de 2014 o Brasil foi o escolhido para sediar a Copa do Mundo. A competição envolve 32 seleções, a do país anfitrião e 31 que foram classificadas entre 204 países de seis continentes. Vivemos, portanto, um momento histórico, quando teremos um acréscimo na nossa população, durante mais ou menos um mês, de 600 mil estrangeiros. As 19 Copas do Mundo da FIFA foram vencidas por oito seleções diferentes. O Brasil foi o único que já ganhou cinco vezes, sendo, além de Pentacampeão, também o único país a ter disputado todos os torneios.

Teremos no nosso país jogos em 12 cidades selecionadas, pela FIFA, para sediar a Copa. São elas: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Os principais benefícios que eventos como esses podem trazer para um país, em especial para as cidades-sede, são: os investimentos em transporte, educação, habitação, viadutos, obras de sinalização e promoção de acessibilidade, investimentos esses que, mesmo depois de terminado o evento, continuarão no país beneficiando sua população. Assim, os megaeventos esportivos podem representar como um catalisador de aceleração do processo de investimento em áreas cruciais que já deveriam ter ocorrido. Outras vantagens ainda poderão advir da realização da Copa, como o incremento ao turismo, a oportunidade de se estreitar internacionalmente laços comerciais que nos beneficiem etc…

Qualquer que seja o investimento, porém, teremos sempre vantagens e desvantagens, portanto o objetivo deste artigo é apresentá-las, sem a preocupação de defender ou criticar a realização da Copa no nosso País. Como desvantagens ou preocupações podemos, também, citar muitas. Iniciamos pela necessidade de um prévio planejamento e investimento em esporte e cultura, para que as estruturas não caiam em desuso, o que acontece comumente no nosso país. A grande desvantagem, porém, embora possa ser dita em poucas palavras, reflete a preocupação de toda a população, uns mais outros menos, e diz respeito a redução de verbas públicas destinadas a fins específicos como saúde e educação, que são utilizadas para realização dos eventos desportivos.

Em síntese, há muita coerência na corrente que defende não ser uma boa ideia a realização da Copa neste país, tão carente de recursos em saúde e educação, com grande parte da população totalmente desprotegida nas ações das duas áreas, sem falar, também, no setor de segurança que vem apontando registros alarmantes. Em contrapartida, se em mais de 500 anos de história este país continua beirando o ridículo quanto a estes três aspectos citados, certamente esta quantia não iria para os fins citados e sim novamente para o bolso dos corruptos.

Por tudo que foi abordado, apesar da publicidade negativa em torno da Copa, não há dúvidas de que o evento continua, em todos os sentidos, dramático, sensacional e controvertido. O que é sumamente necessário é que a população não se esqueça de que estamos no Brasil e cobre transparência absoluta na execução das obras. Se não houver fiscalização e auditorias por parte dos órgãos responsáveis como Ministério Público e Tribunais de Contas, a população mais carente pagará alto preço pela realização da Copa. Por isso é preciso especial atenção a essas despesas que não podem utilizar verbas destinadas a fins básicos e essenciais para a população em geral.

 

(Republicado por incorreção)

Compartilhar: