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Estoque imobiliário é alto e o momento bom para os consumidores

Data: 16 janeiro 2013 - Hora: 18:04 - Por: Marcelo Hollanda

A redução das taxas de juros para financiamentos de imóveis com valor acima de R$ 500 mil não vai ajudar, pelo menos nesse momento, o mercado imobiliário da região metropolitana de Natal e se livrar de seus estoques prontos para entrega, mas sem compradores.

É que o maior número de unidades construídas nos últimos três anos se encontra na faixa média dos R$ 200 mil, onde houve uma oferta muito superior à demanda. São apartamentos em condomínios fechados, projetado para a classe C (segundo a exótica concepção social brasileira), entre 55 a 85 metros quadrados, localizados em bairros como Nova Parnamirim (ao longo das Avenidas Maria Lacerda e Abel Cabral) e Cidade Satélite.

Incorporadoras nacionais e as locais priorizaram essas áreas e puxaram para elas outros investimentos como supermercados, escolas, cursinhos e pequeno varejo. Só faltou combinar com o consumidor. “Não houve queda de interesse no produto, o que ocorreu foi uma oferta muito grande”, analisa o diretor de Comunicação do Sinduscon RN, Carlos Luiz Cavalcante de Lima.

São empreendimentos de quatro, cinco torres, totalizando quatro mil unidades habitacionais, com Valor Geral de Vendas alto, onde os investimentos das empresas deixaram nesse começo de ano os produtores numa situação desconfortável de caixa, precisando “fazer dinheiro”.

A Gafisa, um dos “players” que atuam no mercado local, foi o único a perceber com antecedência o perigo e cancelou, ainda em maio de 2011, seu grande empreendimento na Av. Maria Lacerda, em Nova Parnamirim, em parceria com a Planc, projeto com 729 unidades.

Em nota, a incorporadora com ações em bolsa atribuiu o recuo na ocasião a questões de viabilidade econômica. Os valores iniciais de venda na planta estavam em R$ 273 mil dentro de uma estrutura de condomínio clube, modalidade que se tornou uma febre na região metropolitana nos últimos anos.

O fim da história é conhecido: o terreno em questão foi vendido para o Nordestão, que abriu recentemente um supermercado na região, além de outra unidade da bandeira Extra no fim do ano passado. Em breve,  a Av. Maria Lacerda abrigará novos investimentos varejistas já anunciados.

Carlos Luiz Cavalcante de Lima não tem dúvida de que a decisão empresarial da Gafisa lastreou-se em pesquisas de mercado muito bem feitas e interpretadas com a exatidão de quem está habituado a lidar com riscos.

A resistência com que o mercado se opõe a adotar um Índice de Velocidade de Vendas (IVV), que já existe em praticamente todas as capitais brasileiras, com exceção de Natal, e as dificuldades que as empresas locais têm de se comunicar entre si poderiam – se resolvidas – minimizar o problema.

“As empresas ainda precisam entender que o mercado pode se regular melhor trocando informações e planejando em conjunto seus lançamentos”, afirma Cavalcante.

No caso da desistência da Gafisa, algumas fontes do mercado chegaram a atribuir o fato a preços irreais praticados pelo empreendimento na época, acima do que o mercado poderia absorver.

Na semana passada, a vice-presidente do Sindicun RN, Larissa Dantas Gentile, admitiu ao JH que há muitos empreendimentos com preços irreais e recomendou ao consumidor pesquisar melhor antes de fechar uma compra.

Ela acrescentou que uma das consequência da formação desses estoques, que ainda não foram dimensionadas, mas imagine-se em torno de 15% dos imóveis recém-produzidos, trarão como consequência um enxugamento da mão de obra menos qualificada no canteiros de obra a partir deste ano, seguindo uma tendência nacional na corrida por maior produtividade.

Hoje, o diretor de Comunicação do Sinduscon RN, Calos Luiz Cavalcante de Lima, disse que o momento não poderia ser melhor para o consumidor.

“Imagine que a safra foi muito boa, mas faltou comprador. Há muita oferta que pode desaparecer de uma hora para outra. Quem tem juízo deve ir às compras e rápido”.

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