Estreante no boxe profissional, Esquiva Falcão ia leiloar medalha olímpica

Foi sua mulher, Suelen Marques, quem salvou o objeto: 'Ela disse que não seria justo'

Esquiva Falcão estreia hoje no boxe profissional. Foto:Divulgação
Esquiva Falcão estreia hoje no boxe profissional. Foto:Divulgação

Por muito pouco, Esquiva Falcão não ingressou no boxe profissional – onde estreia neste sábado, contra o britânico Joshua Robertson, na Califórnia  – sem sua principal lembrança dos tempos de amadorismo: a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Insatisfeito com a falta de apoio à modalidade e ao reconhecimento de seu feito, o brasileiro quase fez um leilão do objeto. Mas foi dissuadido a tempo por Suelen Marques, sua esposa.

“Teve um dia que eu quis colocar a medalha para ser leiloada, mas minha mulher não deixou. A Suelen lembrou que foi uma medalha conquistada com muita garra e força de vontade e disse que não seria justo comigo mesmo fazer isso. Então, ela pediu para guardarmos para o nosso filho olhar com orgulho quando ele estiver grande. Posso dizer que foi ela quem salvou a medalha” – contou Esquiva.

O capixaba, filho de Touro Moreno, ex-lutador de vale-tudo dos anos 60 e 70, vem de família humilde e, literalmente, lutou muito para melhorar de vida e ajudar os pais. Para Esquiva, o fato de “não ganhar um centavo” como premiação por seu feito histórico o incentivou a leiloar a medalha. O pugilista lembrou que, logo após as conquistas (prata do próprio Esquiva e bronze de seu irmão Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo) do boxe brasileiro em Londres, a esperança era grande em ver uma melhora na modalidade.

“É muito triste você ganhar uma medalha tão importante para o esporte e para o Brasil, e não receber nada financeiramente em troca. Até países muito mais pobres e com menos tradição incentivam, mas no nosso país é diferente. Muita gente falava: “o Esquiva está ganhando um bom dinheiro”. Mas, na realidade, não ganhei um centavo de premiação pela medalha. Eles terão que ganhar quantas medalhadas para ver uma mudança? Fica notório que no Brasil os investimentos são somente para o futebol. O Brasil é o país do futebol e ponto” – reclamou.

Antes de Joshua Robertson ser confirmado como adversário deste sábado, Esquiva Falcão estava treinando para enfrentar o americano Paul Harness, que desistiu da luta por motivo de contusão. Apesar da mudança de última hora, o brasileiro garante que está preparado para qualquer um que aparecer na sua frente.

“Já o conheço o britânico, vi alguns vídeos dele lutando. Deu para perceber que ele bate muito duro com a direita, estou treinado forte para qualquer adversário, se ele tem a direita forte, eu tenho a direita e a esquerda” – disse em tom descontraído.

As brincadeiras de Esquiva são deixadas de lado ao falar do pai, que não estará nos Estados Unidos por falta da documentação necessária. Os conselhos de Touro Moreno, desta vez, estão chegando via internet. Os irmãos mais novos (Luciano e Estivam) são os responsáveis por repassar as orientações.

Confira abaixo um bate-bola com Esquiva Falcão:

I) O Manny Pacquiao é sua inspiração no boxe profissional. A bolsa para a próxima luta dele contra o Floyd Mayweather pode chegar à casa de 200 milhões de dólares. O que você acha desse valor?
Acho que é um valor merecido. São dois grandes atletas e o mundo deseja ver a luta deles. É um valor que todos os lutadores gostariam de ganhar. Mas as coisas vão acontecendo aos poucos, essa minha luta é a primeira no profissional e, mesmo sem estrear, já tenho um grande patrocínio (uma empresa de vendas online brasileira, a Netshoes).

II) Qual a sua meta e o seu sonho no boxe profissional?
Minha meta e o meu sonho é ser campeão do mundo e deixar minha família bem, quero ser campeão do mundo e quem sabe chegar a um valor de bolsa igual o lutador da minha inspiração, Manny (Pacquiao).

III) Você é o primeiro brasileiro a disputar uma final de boxe nos Jogos Olímpicos. E depois desse feito, além de outras coisas, você conheceu a presidente do Brasil (Dilma Rousseff). O que tudo isso significou na sua vida?
Foi uma honra conhecer a presidente do Brasil, mas em se tratando da minha carreira, não mudou nada pra mim. Quando voltei ao Brasil fiquei muito feliz por conhecer crianças carentes no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Isso foi importante. Acredito que cada criança ainda se lembra do Esquiva Falcão até hoje. Isso é o que muda a vida de qualquer pessoa e atleta.

IV) Em 2016, a família Falcão não deve contar com representante nos Jogos Olímpicos. Vai dar uma sensação de vazio, já que você e seu irmão (Yamaguchi) poderiam estar representando o Brasil?
Vou mesmo sentir um vazio. Mas o boxe brasileiro tem grandes nomes. Foi uma decisão difícil (deixar o boxe olímpico), pois minha vontade era participar dos Jogos dentro da minha casa. Fiz a escolha de migrar para o profissional. Mas, por trás disso, nada vinha sendo feito para que isso não acontecesse. A minha torcida é forte para que os atletas da seleção brasileira conquistem mais medalhas olímpicas. Eu sou torcedor e minha vontade é que haja mudanças nessa página de desvalorização que vivemos. Estão construindo uma competição no Brasil para que outros países levem as medalhas.

V) Já pensou como vai comemorar em caso de vitória no sábado?
Ainda não pensei. É muita ansiedade para o momento da luta e ao mesmo tempo tenho que ter muita concentração. Gosto de esperar o resultado final para fazer uma comemoração da melhor forma possível.

Fonte:IG

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