Esvaziamento de navios preocupa federações
A 19ª Intermodal South América, a maior feira da América Latina e segunda maior do mundo para os setores de logística e que acontece em São Paulo entre os dias 2 e 4 de abril, foi o evento escolhido por um grupo de presidentes de Federações do Rio Grande do Norte para vender o porto de Natal a armadores que porventura possam estar interessados em estacionar seus navios por aqui. No dia três, o grupo, que já tem uma reunião agendada com empresários, vai oferecer como um grande diferencial o que costuma ser um problema em outros terminais – espaço de sobra.
Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, calcula-se, o porto que completou 80 primaveras em 2012 já perdeu 30% de suas escalas. A última temporada de navios de passageiros, que vai de novembro a março, desta vez não aconteceu, com exceção de uma ou outra parada esporádica. E os resultados práticos da decisão da Petrobras de desativar sua base de abastecimento no porto, além de eliminar quatro navios tanque mensalmente, afugentaram os rebocadores offshore. Isso, sem mencionar que a atividade das empresas de pesca ficou consideravelmente prejudicada.
Esta semana, o presidente da Federação da Indústria do RN, Amaro Sales, ressuscitou o recorrente tema da volta da cabotagem (trânsito entre portos de um mesmo país) para o Porto de Natal. Quando assumiu a presidência da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo pela primeira vez, Marcelo Queiroz também foi seduzido pelo tema da cabotagem e chegou a organizar reuniões com varejistas para trazer mercadorias pelo porto. E embora isso tenha trazido alguns containeres a mais com quinquilharias chinesas, a falta de carga de retorno diminuiu o entusiasmo do armador fora da safra de frutas.
A chegada de Pedro Terceiro de Melo à presidência da Codern (ele vice de Amaro Sales na Fiern), encontrou a cabotagem na pauta das principais federações patronais do estado – Indústria, Comércio e Agricultura. Os padrinhos da iniciativa – Amaro Sales, Pedro Terceiro e Marcelo Queiroz -, porém, já perceberam que não será uma tarefa fácil driblar as dificuldades.
No final do ano passado, a Fecomercio promoveu, em parceria com a Codern, no projeto “RN Em Foco”, uma palestra com o economista Fabrizio Pierdomenico, um especialista em sistema portuário brasileiro, que no passado foi consagrado como o mais jovem diretor da Companhia Docas de São Paulo.
Durante um almoço que reuniu um punhado de empresários em Natal, Pierdomenico lembrou algumas condições para a cabotagem se instalar, como a necessidade de carga de retorno. Além disso, o trânsito de navios entre portos nacionais passa a ser interessante em relação ao modal rodoviário quando a distância supera os 500 km e o ambiente portuário sugere menos burocracia, o que o Brasil ainda não aprendeu a fazer.
“Hoje, ainda é muito mais fácil carregar um caminhão, pôr a nota fiscal na mão do motorista e mandar ele para estrada do que “ovar” um container e encarar as formalidades portuárias”, disse na ocasião. Na fase de perguntas, poucos se mostraram preocupados. Agora, em São Paulo, com a ajuda do hoje consultor Fabrizio Pierdomenico, os potiguares tentarão se orientar na gigantesca feira logistica à espera que uma luz ilumine o futuro imediato do porto de Natal.
“Sabemos que só 20% das cargas que poderiam usar o porto de Natal o fazem nesse momento e precisamos ir à luta para ocupar o nosso espaço”, disse nesta sábado o presidente da Codern, Pedro Terceiro de Melo. Segundo ele, Pierdomenico vai orientar o grupo nessa tarefa, valendo-se do seu conhecimento com os armadores. “Vamos esperar que voltemos com alguma coisa para contar”, acrescentou.
Esta semana, o depoimento de um empresário cearense de que gostaria de movimentar suas mercadorias por Natal justamente por ainda ser um terminal tranquilo onde é possível obter um atendimento melhor do que em outros portos, ascendeu uma luz em Pedro Terceiro. A de que, mesmo com o processo de privatização dos porto brasileiros, o porto de Natal pode encontrar seu espaço ancorado em carga e em passageiros. Afinal, a esperança é a última que morre.
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