“Eu não sequestrei os meus filhos, eu os comprei”, diz Vilma Martins

Livro conta a história da mulher acusada de sequestrar da maternidade dois recém-nascidos

Autores levaram cinco anos para produzir o livro, que deve ser lançado oficialmente na próxima semana. Foto:Divulgação
Autores levaram cinco anos para produzir o livro, que deve ser lançado oficialmente na próxima semana. Foto:Divulgação

Vilma Martins, a mulher que ficou conhecida nacionalmente por sequestrar o menino Pedrinho de uma maternidade em Brasília em 1986 e registrá-lo como filho biológico, decidiu contar a história do seu ponto de vista, por meio de uma autobiografia. Em um dos trechos mais polêmicos do livro, ela diz que não sequestrou os filhos, mas os comprou e pagou caro por eles. Neste mesmo trecho, Vilma também disse que “não sabia de tudo o que estava por trás dos sequestros”.

O livro “Vilma Martins – As Faces de Uma História”, foi escrito a quatro mãos pela autora de autoajuda, ex-bailarina e atriz Cleo Cunha Jacob e pelo professor Itevildes José de Morais, que fez todo o trabalho de pesquisa técnica. A obra está sob os cuidados da editora goiana R&F e deve ser lançada oficialmente a qualquer momento.

Em entrevista exclusiva, a autora Cleo Cunha disse que tudo começou quando ela escreveu um roteiro cinematográfico contando uma história real, que narrava exatamente o passado de Vilma.

“Há cinco anos tive a ideia de contar isso em um livro e chamei o professor Itevildes para me dar toda a assessoria técnica. Pesquisamos toda a história, confrontamos os dados, chocamos as informações divulgadas na imprensa, comprovamos o que era veracidade e, acima de tudo, conversamos muito com a dona Vilma”.

Cleo contou ainda que gravou em vídeo, para documentar os depoimentos, 40 horas de conversa onde Vilma Martins narra a própria história sob o olhar pessoal dos fatos. Nessa fase do projeto, os encontros aconteceram na casa dela, em Goiânia, enquanto ela cumpria prisão condicional.

“Depois de toda a parte de pesquisa ter sido devidamente documentada, começamos a escrever a obra. Foram dois anos para deixar o livro redondo. Tivemos a delicadeza de tratar cada personagem com respeito, mostrando o que ainda não foi divulgado em todos esses anos”.

Vilma Martins foi condenada a dez anos de prisão pelo sequestro de dois bebês. Antes de Pedrinho, ela levou Aparecida Fernanda da antiga Maternidade de Maio, na capital goiana, registrou como filha biológica e a batizou com o nome Roberta Jamilly.

Os advogados de defesa lutaram para evitar a condenação, mas não conseguiram porque Vilma apresentou várias versões, contraditórias, em seus depoimentos à polícia. Metade da pena foi cumprida em regime fechado e semiaberto e a outra metade em liberdade condicional. Em julho de 2013, ela ganhou a liberdade.

Acusações

Cleo Cunha também relatou que em vários momentos do livro as acusações que levaram Vilma à prisão são mostradas. Nestes momentos, ela se defende e apresenta a própria versão dos fatos.

“Há trechos onde ela afirma que achava estar fazendo um favor para os pais das crianças raptadas, porque eles não teriam condições de criá-las. No entanto, muitos relatos não podem ser comprovados e por isso trabalhamos com bastante cautela nesta obra, porque sabemos que qualquer história pode ser contada”.

Em respeito aos envolvidos, os autores trocaram os nomes dos principais personagens desta história de “ficção da vida real”, onde Vilma relata, inclusive, ter feito programas durante anos e até aberto uma casa de prostituição.

Relembre o caso

Vilma Martins ficou conhecida nacionalmente em 2002, quando uma denúncia no SOS Criança levou a polícia a ligar o menino Pedro Junior Rosalino Braule Pinto, roubado da maternidade em 1986 em Brasília, a Oswaldo Borges Júnior, morador de Goiânia e registrado como filho de Vilma. Após alguns meses de investigação, ficou comprovado que o garoto foi sequestrado, assim como sua irmã mais velha, Aparecida Fernandes Ribeiro da Silva, batizada como Roberta Jamily.

Após o caso ter sido esclarecido, Pedrinho decidiu se mudar para Brasília e morar com os pais biológicos, Jayro e Maria Auxiliadora Tapajós. Estudou nos melhores colégios, se formou e hoje é advogado. Eventualmente Pedrinho visita os irmãos com quem cresceu em Goiânia e vê também Vilma Martins, que o criou até os 16 anos. Hoje, aos 27 anos, Pedrinho é advogado, casado e tem um filho pequeno.

Ao contrário de Pedrinho, Roberta Jamilly nunca deixou a casa que cresceu com Vilma e sempre visitou a sequestradora na prisão. Ela continua vivendo com a família que cresceu achando ser biológica.

Fonte:R7

Compartilhar:
    Publicidade